Como um campus de uma Universidade Federal da Bahia contrata um “restaurante” ou empresa para o fornecimento de alimentos para seu Restaurante Universitário (RU), que não tem o devido credenciamento junto à Vigilância Sanitária da Prefeitura Municipal? Este aspecto e outros não foram observados na negociação?
Ainda com meu velho faro jornalístico, neste pirão, ou angu, tem osso podre, basta fazer uma investigação mais apurada deste caso, que resultou em contaminação alimentar entre os estudantes da instituição de nível superior, onde muitos foram parar no hospital.
Pelas notícias da mídia, pelo menos até agora só ouvimos versões oficiais, do tipo Boletim de Ocorrência, o chamado BO, com uma nota de esclarecimento por parte da direção do núcleo federal de ensino. Por que o diretor, ou a pessoa responsável pela contratação dos serviços não veio a público dar uma entrevista à imprensa?
Somente os usuários da RU deram entrevistas sobre o que sentiram depois de ingerir as refeições feitas por esta casa, localizada no Bairro do Bem-Querer. Esta história, como muitas em Vitória da Conquista, tem pontas soltas que precisam ser desvendas. Está faltando uma peça para fechar esse quebracabeça.
Os agentes da Vigilância Sanitária estiveram na empresa fornecedora e constataram uma série de irregularidades, principalmente no quesito higienização dos alimentos, problemas nos equipamentos usados e no transporte da comida até a RU.
A direção da Universidade não foi entrevistada para explicar como foi feito este contrato, os critérios que foram levados em conta, os valores e outros itens que são rigidamente exigidos para uma empresa prestar este delicado tipo de serviço que envolve vidas humanas.
Depois da liberação de serviços terceirizados, inclusive essenciais, de outras empresas por parte de órgãos públicos em geral, tem ocorrido fatos lamentáveis de negligência e erros envolvendo contratados e contratantes, sem falar nas brechas para o superfaturamento, subornos e corrupções. Funcionários dessas empresas terceirizadas recebem salários atrasados e muitos nem têm carteira assinada.
Nos noticiários dos malfeitos pelo Brasil a fora, temos acompanhado fatos inusitados de contratação de “empresas” não gabaritadas para aquele tipo de serviços. Prefeituras, por exemplo, chegam a contratar uma papelaria para servir merenda escolar para uma unidade de ensino.
Não foi o caso da Universidade Federal da Bahia, em Vitória da Conquista, mas ficou comprovado que aquela cozinha industrial contratada não oferecia as mínimas condições de servir comida para os estudantes. A impressão é que houve um abafa para encobertar irregularidades entre ambas as partes.