Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Quando se está triste e destruído,

Com o amor desiludido,

No fundo do poço,

Numa tempestade desértica,

Nos sentindo como um caroço,

A gente lambe as feridas,

Sacode a grossa poeira,

E passa pelo fundo da agulha,

Como a linha da costureira.

 

Com as vistas turvas,

Pela idade do tempo,

Nas perigosas curvas,

Pelo fundo da agulha,

Na luz do candeeiro,

Atravessa o guerreiro.

 

É fácil o camelo,

Com todo seu desmantelo,

Passar pelo fundo da agulha,

Na muralha da fortaleza,

Para encarar a nobreza,

Difícil é o rico avarento,

Se salvar do seu tormento,

E Cristo tinha razão,

O fundo da agulha

É o seu apertado portão.