O PLANO DE CULTURA QUE QUEREMOS
Será que desta vez sairá mesmo o Plano Municipal de Cultura de Vitória da Conquista, tão almejado há anos pelos artistas? Ou será um mero ensaio, como na última conferência realizada no final de 2023, no Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima? Cadê o relatório dessa conferência de dois dias?
Quando fui presidente do Conselho Municipal de Cultura, de 2021/23, foi uma das minhas bandeiras, mas foi travado por diversas vezes pela Secretaria de Cultura junto ao executivo. Houve até entendimentos com o Sabre no sentido da sua elaboração, só que nem ocorreu a primeira reunião marcada entre seus membros.
Bem, tudo isso do passado não nos importa mais. Agora a Secretaria vem procedendo chamamentos para escuta dos artistas e fazedores de cultura, com vista à elaboração desse Plano. Será apenas um factoide para que os artistas esqueçam do fechamento dos equipamentos culturais do Teatro Carlos Jheovah, Cine Madrigal e Casa Glauber Rocha?
Vamos colocar mais um voto de confiança, mas a pergunta que não quer calar é como será feito esse Plano? Qual Plano que queremos? Não posso responder por todos, mas antes de tudo, que seja democrático e abrangente a todas linguagens artísticas, não deixando de lado a nossa cultura popular, aquela das periferias e da zona rural.
Queremos um Plano que seja aprovado pela Câmara de Vereadores e se torne lei orçamentária, cujos projetos nele estabelecidos se tornem parte do nosso calendário cultural e sejam cumpridos pelos prefeitos, como por exemplo, realização de uma feira literária, salão de artes plásticas, festivais de música, dança e teatro, além do Natal e do São João autêntico, do tipo pé de serra.
Não queremos um Plano de faixada que fique apenas no papel onde o prefeito, ou a prefeita, não tenha obrigação de executá-lo. Queremos um plano com um olhar mais focado na juventude, principalmente das periferias, com a criação de núcleos culturais nessas comunidades. Queremos um Plano onde seja criada a Fundação Cultura que irá administrar e fixar as diretrizes da política pública cultural.
Queremos um Plano que agilize a abertura dos equipamentos culturais, para que os artistas possam usufruir desses locais para realização de seus ensaios e espetáculos. Vamos criar o Plano e deixar esses equipamentos fechados?
Acima de qualquer coisa, queremos um Plano bem estruturado que venha revitalizar a nossa cultura e que esteja à altura da cidade, a terceira maior da Bahia com cerca de 400 mil habitantes. Portanto, temos que pensar alto porque a nossa cultura está abandonada.
Não adianta todo esse esforço para construir um Plano que depois venha ser engavetado nos gabinetes dos prefeitos, daí a importância dele vir a ser aprovado como projeto-de-lei pela Câmara Municipal de Vereadores. Sem esse aval, este Plano estará fadado a ficar apenas na escrita, como um documento qualquer.











