Poema de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

O vaqueiro andante

A ferro, gibão e fogo,

No ciclo do gado,

Sem lei, nem rei,

Berra seu berrante,

Faz o seu ponteio,

Rasga do seu peito,

De ar puro e cheio,

Como no aboiar do aboiador,

Mata a saudade do seu amor,

Que bem distante lá ficou.

 

Berra o berrante!

Do Nordeste ao Centro-Oeste,

Do Brasil colonial,

Cortando o sertão agreste,

Pelas águas do Pantanal.

 

Feito do chifre do boi,

Berra o berrante,

Ao som do arrasto da boiada,

No tom que é hora da boia,

No sinal de perigo inimigo,

Que é chegado o entardecer

Da comitiva descansar

Da longa jornada,

Para causos, prosear,

A moça bonita, namorar.

 

Berra o berrante!

Em torno da fogueira,

E o violeiro começa a violar,

Aquela raiz da terra cancioneira,

Que faz até os animais relaxar.

 

O berrante está até na Bíblia,

Para os judeus é o xafar,

Do bode ou do carneiro,

Símbolo sagrado para orar,

Pro sertanejo é berro estradeiro,

Berrante valente a berrar!