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:: 3/mar/2017 . 0:43

O PROFANO, O RELIGIOSO E O POLÍTICO

Passado o carnaval, o quê será dos “pipocas” que tiveram uma vez em Salvador, que não é a maior festa de rua do planeta? Os donos do espetáculo encheram seus bolsos e a miudagem dos trabalhadores e ambulantes ficaram com as migalhas. Aqui na Bahia, principalmente, o ano novo só começa se arrastando no dia 6 de março com feriadões e tudo.

Os governantes, por sua vez, batem o pé firme de que a muvuca rendeu bilhões para a economia e gerou milhares de empregos, mas não revelam o rombo dos bilhões que o comércio e a indústria deixaram de faturar pelo tempo em que suas atividades e produções ficaram paradas no país do caos político, moral e ético, onde a produtividade é a pior do mundo.

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A mídia fez sua tietagem e rasgos de elogios, bem distante dos questionamentos e críticas. O Congresso Nacional, que gasta mais de 10 bilhões de reais por ano do nosso dinheiro, ficou quase duas semanas sem trabalhar. Pelo menos os caras-de-pau não apareceram para nos tripudiar com seus projetos conservadores e fascistas de blindagem dos seus comparsas. Nisso, foi um alívio e um refresco à raiva. O Judiciário, intocável em seus privilégios, deixou de atender milhões e os processos se avolumaram mais ainda. Lá fora, as masmorras medievais torturam, matam e esquartejam, impiedosamente.

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Depois de colocarem seus fantasmas e monstros pra fora durante os festejos momescos das orgias e surubas, as ilusões se vão e os bichos voltam novamente com mais disposição e força para perturbar e atanazar as consciências existenciais. Pelo menos a embriaguez desencarnou por um tempo essa coisa chata de sentido da vida. Os pobres ficaram mais pobres e os endividados mais ressacados. A felicidade passageira deu um adeus, mas no próximo ano ela volta. Tudo é bom enquanto dura.

O profano se misturou ao religioso e ao político inconsciente e modal como na fábula da raposa e da cegonha de La Fontaine, não importando que o contraditório e o paradoxal se cruzassem nas manifestações dos blocos, trios, afoxés, frevos, pipocas, escolas de samba e camarotes. De um lado as mulheres com seus bumbuns de fora e seus rebolados sensuais. Do outro o apelo ao empoderamento, que não se sabe de quem.

A patrulha do politicamente correto esteve sempre mais de olho nos protagonistas e brincantes do que a própria polícia. Muitos seguiram a cartilha só para ficarem bem na fita. Outros meteram o pé na jaca mesmo, como o Igor Kannário, o príncipe do gueto, que colocou um julgado por estupro em sua banda vocal e defendeu o empoderamento da mulher. Não se conteve e chamou companheiros vereadores de turma da quadrilha que só quer se dar bem. O pior é que muita coisa é verdade. Na fuzarca teve também músicas que depreciaram as mulheres e mesmo assim foram aplaudidas por elas no embalo do tira o pé do chão.

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