MALDITOS SELVAGENS
Poema de autoria do jornalista Jeremias Macário
Na terra dos índios nativos,
Cobiçadores se embrenharam,
E o sangue dos vivos derramaram,
Na procura louca do vil metal,
Para a coroa de Portugal.
Do Periperi fizeram lixão,
Do cascalho, criaram a miséria;
Rasgaram suas sedas vestes;
Arrancaram raízes e pedras;
E infectaram tudo de pestes.
Como lobos feras,
Sangraram a Serra,
Com buracos e crateras,
De lunares esferas,
Primatas das antigas eras;
Urinaram na virgem floresta,
Como se tudo fosse festa.
Bandidos do nosso agreste,
Das extrações de areias;
Entupiram suas veias,
Os minadouros d´água,
Que jorravam do clarear
Ao anoitecer do dia,
E na noite de serenata,
Prateavam flores ao luar.
Bandos de lunáticos tarados,
Nela escarraram e treparam;
Ergueram barracos dependurados,
Feitos de cipós, madeira e barros,
Entre prédios altos concretados,
E pistas asfaltadas para os carros.
Malditos e brutos selvagens!
Que com a serra depredaram
Nossas lindas naturas paisagens,
Que de longe se avistava,
O azul e o verde das matas,
Que cobriam e protegiam
O nosso Sertão da Ressaca.











