O MOCHILEIRO
Mais um poema inédito do escritor Jeremias Macário sobre a vida do mochileiro andante
Não sou parafuso de furadeiras,
Prisioneiro das farpadas porteiras,
Porque nasci mochileiro estradeiro.
Mago Aladim, andarilho do agreste,
Onde não sobrevive cabra cafajeste.
Não é senhor do tempo mochileiro,
É senhor da sua caixa de pandora,
Onde leva sua hora, o aqui e o agora,
Sandália nos pés, asfalto e poeira,
Vento na mente e o abraço fraterno,
De um eterno menino livre sonhador,
De um sonho sem cerca e fronteira,
Sem essa de país, tribo ou divisão,
Leva o hino cancioneiro da passagem,
Tece sua teia, oh amigo companheiro!
Nessa sua veia libertária de coragem.
Pela estrada, muita gente diferente,
Fotografias de faces injustiçadas,
Alegre caravana de colorida cigana,
Indígenas das américas colonizadas,
Por Colombo e os seus sanguinários,
Do velho mundo de primatas piratas,
Finas vitrines nas avenidas grãfinas,
Dias calorentos e etílicas noites frias,
Com suas revolucionárias filosofias,
Canibais da milenar cultura africana,
Traficantes de escravos e de diamantes.
O mochileiro avança e vai em frente,
Nesse monte de tanto ingrediente;
Como filho do mar de ondas na areia;
Não respira o ar da angústia solitária,
Nem é o filho dessa arenga sectária,
Mas um bravo andante, fogo amante,
Além dessa dialética da coisa material,
É gira mundo desse meteorito universal,
Caroneiro persona da bolé e da lona,
Filho do poente vermelho horizonte,
Granito precioso da aurora nascente.











