FREGUÊS DE TODO MÊS
Poema de autoria do jornalista Jeremias Macário
Para poucos o colosso, para muitos o osso;
O cristianismo pegou dos celtas e romanos
O solstício, e veio o capital inventou Noel
E os profanos de Cristo lotearam todo o céu.
Você corre e corre atrás do metal vil,
E nem dá conta que não passa de freguês;
Se esbalda no bar no final de semana;
Em casa ouve um som do antigo vinil
Que fala de liberdade e se acha bacana,
E a conta chega todo o final do mês.
Olhe meu camarada para seu espelho;
Você corre, corre e todo fim de mês
Entra na maldita lista de besta freguês;
Faz conta, conta e só bate no vermelho
Você corre e voa como cavalo alado;
Discute, briga e solta seu baseado;
Busca como um louco pela verdade,
E pensa no filósofo da antiga idade,
De que a vida lida é um bem incerto,
E que a morte conserta um mal certo.
O brutal sistema sempre nos frita,
Nos faz de brita todo regime maldito,
Seja no verão, primavera ou inverno,
E cada um tem seu deus e seu inferno.
Esmagado como cana que vira bagaço,
Você abre o site burocrata do formulário;
Faz o passo a passo pra abrir os cadeados,
E segue o rigor dos minutos e do horário,
E ele pede sempre mais e mais dados,
E testa seus nervos esticados de aço,
E no final ainda lhe chama de fracasso.
Lembre-se que você tem as fronteiras,
De norte a sul tem arames e muralhas;
Do outro lado vivem os frios canalhas;
E nem adianta pedir para abrir passagem
Nessas tormentas fileiras de vaga viagem.
Olhe meu camarada para seu espelho;
Você corre, corre e todo fim de mês
Entra na maldita lista de besta freguês;
Faz conta, conta e só bate no vermelho.











