SITUAÇÃO CRÍTICA

Das 16 principais barragens localizadas na Bahia, acompanhadas pela Secretaria de Infraestrutura Hídrica e Saneamento, quatro estão em situação crítica, e Água Fria II que abastece Vitória da Conquista é uma delas. As outras são Joanes I e II que servem a Salvador, e Sobradinho que é federal, próxima do volume morto e com redução de vazão prevista de 800 metros cúbicos por segundo para 700.

Quanto a Água Fria II, localizada em Barra do Choça, a situação foi sempre crítica e, desde 2012 a população já foi afetada por três racionamentos de água. Seu sistema é responsável pelo abastecimento de mais de 400 mil pessoas. De acordo com estudos do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), mesmo cheia, Água Fria II só vive crítica. A promessa é a construção de uma barragem no rio Catolé.

O mais grave ainda é que a política estadual de saneamento básico está defasada e precisa urgentemente ser atualizada. O Plano Estadual de Segurança Hídrica e a Política Estadual de Segurança de Barragem só ficarão prontos em 2018. Até lá o povo vai continuar sofrendo. No caso da Bahia, a esperança é a primeira que morre.

E A NOSSA VAQUEJADA?

Não existe coisa mais grave no Brasil para o Superior Tribunal Federal proibir? Seus membros foram logo apontar seus alvos na secular vaquejada nordestina? Estão fora da realidade! A vaquejada não é só um meio de esporte e lazer, mas é também uma cultura do sertanejo que sabe zelar seus animais que se recuperam rapidamente.

Então, acabe-se também com a profissão de vaqueiro que enfrenta com seu cavalo o agreste da caatinga cheia de paus e espinhos atrás de uma res desgarrada! Não seria um maltrato com os animais? E como ficam as carroças puxadas a burros? Acabe-se também com os carroceiros?

Com esta proibição, a festa de Lagoa Real, município da nossa região sudoeste, ficou totalmente comprometida. É a única vez no ano que os vaqueiros se reúnem para se divertir e manter a tradição cultural na relação que eles têm com os animais. São medidas descabidas que não têm muito a ver com as leis de proteção aos animais.

QUEM É O PIOR?

Por indeferimento de candidaturas de prefeitos, 145 municípios no Brasil e 12 na Bahia vão ter novas eleições. Mesmo com tanta divulgação nos tempos de hoje, o eleitor não sabia que estava votando num ficha suja? Quem é o pior, o eleitor ou o político? Quem é o pior, o eleitor que troca o voto pela marcação de uma consulta no SUS, um exame de sangue e um favor qualquer, ou o político que dá o serviço? Nisso tudo, o maior culpado é o Estado, responsável pelo aumento das desigualdades sociais, deixando boa parte da população na miséria, sem educação e cada vez mais carente. No fim, todos pagam um alto preço, principalmente a minoria mais consciente do voto.

QUEM MAIS PERDEU?

Nas eleições do dia dois passado quem mais perdeu não foi o PT, mas a democracia brasileira que ficou sem uma esquerda oposicionista ao governo de elite. Vale salientar, no entanto, que chegamos a este ponto crítico, sem oposição, por causa dos equívocos cometidos pelo PT que foi rejeitado e esmagado nas eleições municipais. Enquanto isso, a extrema direita bolsonara e evangélica vai ocupando seus espaços. Como dizia o escritor Graciliano Ramos, instala-se no Brasil o fascismo tupiniquim.

O INTOCÁVEL

Não é incoerente o presidente da República oferecer jantares e banquetes para pedir a deputados e senadores que aprovem a PEC 421 que corta os gastos públicos? São coisas do Brasil! Todos já estão carecas de saber que o povo é quem “paga o pato”, mas a maior afronta é que o Congresso Nacional passa intocável nos cortes, que não poupam nem a educação e a saúde. As mordomias e as verbas indenizatórias dos senhores parlamentares mais bem pagos do mundo vão continuar. O Congresso e o sistema financeiro nacional são os únicos livres de crises.

BUROCRÁTICO

Esperava-se que com o advento da internet, nosso jornalismo impresso e dos meios eletrônicos (rádio e televisão) acabasse de vez com o nível burocrático das notícias e se adaptasse ao dinamismo exigido pelos tempos atuais. Nada disso aconteceu, e o que vemos hoje nas telas, principalmente, é um jornalismo burocrático que repete as mesmas manchetes um dia e até dois dias depois dos fatos ocorridos. Não aprendeu a fazer uma suíte nem dar uma noticia diferenciada. Sempre termina na mesmice, como divulgar notícias de calendários que trazem datas oficiais em que uma estação termina e a outra começa. O calendário é indiferente ao clima. Melhor confiar mesmo na tartaruga.

SISTEMA DE SAÚDE

Mais um artigo esclarecedor e de alerta do médico Raymundo Paraná divulgado pelo jornal A Tarde. Sobre “A Medicina sem a clínica médica”, na edição do dia 10/10, ele adverte que “a escassez de especialistas clínicos de boa formação fere de morte o sistema de saúde, ao tempo em que coloca de joelhos perante a tecnologia. Já a tecnologia sem a mediação do juízo crítico do profissional significa custo elevado, excesso de procedimentos desnecessários e riscos para o paciente”. Paraná faz duras críticas à proliferação, sem qualidade, das escolas médicas, e da voraz solicitação de exames.

MASMORRA MEDIEVAL

Passa anos e entra anos e os governantes não tomam uma providência com relação aos bárbaros crimes que acontecem na Penitenciária de Pedrinhas, no Maranhão arrasado pelos 50 anos de poder da família Sarney. A penitenciária não passa de uma masmorra medieval onde presos são decapitados para dar mais espaço para os outros. Lá, numa cela para quatro, ficam 24 detentos. E o presídio de Vitória da Conquista que inaugurou, mas não funciona? Enquanto isso, o antigo Nilton Gonçalves também já virou uma masmorra medieval.