UMA NAÇÃO DOENTE
Uma mulher grávida chora aos prantos porque tentou várias vezes e não conseguiu fazer uma ultrassonografia do seu bebê por falta de atendimento. Ela teve zika vírus e teme que seu filho nasça com microcefalia. Nos postos de saúde e nos corredores dos hospitais muito lamento e lágrimas por perda de entes queridos que não encontraram um leito para serem socorridos a tempo.
Médicos mais conscientes de suas missões desabafam e bradam que não têm condições de trabalhar porque estão sobrecarregados de serviços; equipamentos estão quebrados; e faltam produtos básicos até para simples tratamentos de curativos de baixa complexidade. O horror continua nas filas para marcar um exame médico e pobres coitados gemem de dores nas portas dos hospitais sucateados.
As propagandas institucionais do governo mentem descaradamente quando recomendam que o cidadão faça exames preventivos do câncer, do diabetes, do coração e outras doenças malignas porque elas tratadas antecipadamente têm maior probabilidade de curas, como se cada brasileiro tivesse um médico particular. A grávida deve fazer seu pré-natal, regularmente. Pura ilusão! É o cúmulo do paradoxo que poucos questionam. Só derramam lágrimas e rezam.
A mídia televisiva, que agora divide seu noticiário entre a epidemia da corrupção no país e as doenças físicas dos brasileiros, faz sua média também “ensinando” a prevenção que não tem atendimento médico. Os excludentes da nação doente acreditam na propaganda e nem se tocam que há muito tempo estão esquecidos e abandonados.
Há um ano espero por um tratamento novo de hepatite C no fígado que pode me dar mais tempo de vida. Dependo do plano SUS, ou do susto como muitos dizem por aí. Há mais de um mês meu médico me pediu um exame de endoscopia. Também aguardo na fila ser chamado. Milhares e milhares morrem antes de realizarem seus exames. Não existe direito constitucional.
A corrupção e a incompetência dos últimos governos que iludem o povo com “políticas sociais” populistas de bolsa família para acalentar a miséria deixaram os mosquitos invadirem o Brasil e agora fazem o marketing com os exércitos nas ruas como se a propaganda fosse exterminar com os insetos que provocam a dengue, a chikungunha e o zika.
Mais uma vez a mídia entra na onda dos repelentes para encher os bolsos dos laboratórios e manda as pessoas ficarem o dia todo passando aquele óleo nojento, como se todo mundo tivesse dinheiro para sustentar as farmácias que não sentem a crise financeira quando toda uma nação está doente de todos os males próprios de um país de terceiro mundo.
Como se não bastassem o mosquito da aedes aegypti, avançam a leptospirose, a leishmaniose, a esquistossomose, a tuberculose, a malária, a cólera, a sífilis e logo mais vem ai o surto da febre amarela que já está matando muita gente em Angola e outros países da África e da Ásia.
A Copa do Mundo e os carnavais já deixaram seus legados de doenças e o que esperar das Olimpíadas num país arrasado e destroçado pelo encolhimento da economia em menos 3,8%, desemprego, pela inflação, juros altos, muita corrupção e baixos investimentos na saúde e na educação.
Pela divulgação das imagens, os mosquitos só frequentam e picam nas favelas, nas periferias e nos subúrbios lascados de gente pobre. Pelas recepções dos hospitais e postos de saúde decadentes e sujos não passam os endinheirados. São amontoados de pessoas que como gados em currais são levados aos matadouros, enquanto o governo exibe seu festival de ministérios, assessores e cargos comissionados, muitos dos quais “aspones” que aplaudem a caravana como bobos da corte.
Numa “pátria educadora” sem educação de qualidade, sem saneamento básico, sem segurança, sem saúde, sem perspectivas de melhora diante do caos político, econômico e social, ainda aparece o ex-presidente Lula com a maior cara de pau e faz um belo discurso otimista-patriótico no programa do PT e critica quem fala mal do país. Outros pedem otimismo e apelam para a fé religiosa. É graças a Deus que estamos jogados na lixeira imunda das bactérias, dos vermes e dos piores vírus da terra.
Diante desse quadro desolador de uma nação doente em todos os setores da vida, os cínicos estampam todos os dias nas emissoras de televisão seus programas eleitorais safados e mentirosos, quando deveriam pedir de joelhos perdão pelas mazelas que cometeram e ainda cometem contra o povo. São assassinos cruéis que, lamentavelmente, serão votados nas próximas eleições. Quanto mais cabeças ocas, melhor para geração de votos. Só uma convulsão social resolve o problema.











