:: 3/mar/2016 . 22:25
UMA NAÇÃO DOENTE
Uma mulher grávida chora aos prantos porque tentou várias vezes e não conseguiu fazer uma ultrassonografia do seu bebê por falta de atendimento. Ela teve zika vírus e teme que seu filho nasça com microcefalia. Nos postos de saúde e nos corredores dos hospitais muito lamento e lágrimas por perda de entes queridos que não encontraram um leito para serem socorridos a tempo.
Médicos mais conscientes de suas missões desabafam e bradam que não têm condições de trabalhar porque estão sobrecarregados de serviços; equipamentos estão quebrados; e faltam produtos básicos até para simples tratamentos de curativos de baixa complexidade. O horror continua nas filas para marcar um exame médico e pobres coitados gemem de dores nas portas dos hospitais sucateados.
As propagandas institucionais do governo mentem descaradamente quando recomendam que o cidadão faça exames preventivos do câncer, do diabetes, do coração e outras doenças malignas porque elas tratadas antecipadamente têm maior probabilidade de curas, como se cada brasileiro tivesse um médico particular. A grávida deve fazer seu pré-natal, regularmente. Pura ilusão! É o cúmulo do paradoxo que poucos questionam. Só derramam lágrimas e rezam.
A mídia televisiva, que agora divide seu noticiário entre a epidemia da corrupção no país e as doenças físicas dos brasileiros, faz sua média também “ensinando” a prevenção que não tem atendimento médico. Os excludentes da nação doente acreditam na propaganda e nem se tocam que há muito tempo estão esquecidos e abandonados.
Há um ano espero por um tratamento novo de hepatite C no fígado que pode me dar mais tempo de vida. Dependo do plano SUS, ou do susto como muitos dizem por aí. Há mais de um mês meu médico me pediu um exame de endoscopia. Também aguardo na fila ser chamado. Milhares e milhares morrem antes de realizarem seus exames. Não existe direito constitucional.
A corrupção e a incompetência dos últimos governos que iludem o povo com “políticas sociais” populistas de bolsa família para acalentar a miséria deixaram os mosquitos invadirem o Brasil e agora fazem o marketing com os exércitos nas ruas como se a propaganda fosse exterminar com os insetos que provocam a dengue, a chikungunha e o zika.
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