PEITO SECO
Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
O leite sumiu,
O peito está seco,
Como o leito do rio,
No colo, a criança chora,
Nem a canção de ninar,
E o dedo na boca consola.
A mãe entra em desespero,
O pai em disparada,
Pela estrada corre,
Grita por amparo,
Mas o rebento morre.
O peito fica seco,
No sertão profundo,
Dos senhores da terra,
Onde a miséria explode,
Como na África da guerra,
Do sanguinário tirano
Que se diz enviado de Deus,
Impiedoso e desumano.
O peito está seco,
Na porta bate a morte,
E da fome foge o forte.
O peito está seco,
Como árido nordestino,
Não há tempo pra chorar,
O rato rói o intestino,
Lentamente até matar.











