Poema de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário em homenagem ao “Dia do Nordestino”

Meu compadre, seu menino!

Nós somos é nordestino:

Carne dura como reio,

Mas não somos boi de rei;

Canga para seu roçado;

Garranchos para sua coivara,

Nem mais cego em tiroteio;

Escravo cabresto da sua lei,

Nem levar tapa na cara.

 

Moço, nós somos é nordestino!

Pernambucano, paraibano, baiano,

Potiguar, sergipano e alagoano:

Filhos do guerreiro Tapuia;

Das “ pracatas”, gibão e jibeira,

De embornal e subselentes;

Fazedor de casa, cancela e porteira,

Comendo rapadura e água na cuia,

Na construção e no canavial sulino.

 

É, seu moço, nordestino tinindo!

Marcado a ferro, como boiada;

Cascalho vermelho de estrada;

Manobra de coronel sacana;

Cabra de embolada, repente e toada,

Que viveu no breu do ensino;

Sefardita, moçárabe-marroquino,

Caboclo índio-mulato bem-vindo.

 

Somos do torrão nordestino!

Da adaga do sol brandindo;

Não mais carne moída de patrão,

Nem tralha velha de porão,

Bicho de pé e barriga d´água,

Nem alma penada que vaga.

 

Se preciso, arma em punho!

Gente guerra a guerrear,

Em empreitada de destino:

Assim é o nordestino tinindo,

Com foice, machado e facão:

Chapéu de couro na cabeça:

Nos garranchos, vaqueiro valente,

Mesmo que ao inferno desça,

Pra realizar seu sonho sonhado,

De nunca mais ser rascunho.