OS “FORASTEIROS” E A CONTRIBUIÇÃO PARA O CRESCIMENTO DE CONQUISTA
Não sei o porquê, talvez porque sempre gostei de assistir filmes do gênero, mas a palavra “forasteiro” me faz lembrar dos tempos do faroeste bang-bang norte-americano quando colonos começaram a desbravar o Oeste.
Quando chegava algum estranho num vilarejo sem lei, todos saiam nas portas e abriam as janelas para acompanhar seus passos até a entrada do salon, na delegacia ou no bar de meia porta dividida em duas bandas. Cada um fazia suas conjecturas sobre quem era e a sua origem. Muitas vezes era um pistoleiro ou justiceiro caça bandidos.
Foi só uma viagem ao túnel do tempo para falarmos sobre a grande contribuição que os chamados “forasteiros” deram para o desenvolvimento de Vitória da Conquista nos campos econômico, social e cultural. Não foram bandoleiros, mas gente do conhecimento e do saber.
Quando aqui cheguei, em 1991, para chefiar a Sucursal do Jornal A Tarde, com o passar dos anos, fui visto por muitos com certa indiferença, como um “forasteiro” que se metia e tudo e apontava críticas que “maculavam” a imagem da cidade. Como jornalista, só fazia o meu trabalho, com seriedade e ética.
Com todo respeito às grandes personalidades conquistenses que deixaram seus nomes marcados nesta terra pelos seus serviços prestados e até se tornaram conhecidos mundialmente, os “forasteiros”, ou aqueles que vieram de fora, merecem ser reconhecidos e também homenageados.
Primeiro gostaria de citar os filhos deste chão que construíram suas histórias e colaboraram para o desenvolvimento dessa sociedade, como Fernando Spínola, a professora Heleusa Câmara, Henriqueta Prates, Laudicéia Gusmão, o prefeito, deputado e governador Edvaldo Flores, o filólogo professor José de Sá Nunes, o grande poeta Laudionor Brasil, José Pedral Sampaio, Herzem Gusmão, o famoso cineasta Glauber Rocha e tantos outros que se foram.
No entanto, não podemos esquecer dos considerados “forasteiros”, no bom sentido, que também colocaram a mão na massa e com suas habilidades e inteligência se tornaram “imortais”, como o educador Abdias Menezes, vindo lá de Conde, na divisa entre Bahia e Sergipe, Olívia Flores (Aracatu ou Ituberá), Luiz Régis Pacheco Pereira (Salvador), vereador, prefeito (1942/45) e governador da Bahia, Camilo de Jesus Lima, escritor, jornalista e poeta, nascido em Caetité, professor Everardo Públio de Castro (Caetité), Euclides Abelardo de Souza Dantas (Salvador), primeiro jornalista em Conquista, padre Luiz Soares Palmeira (Rio de Janeiro, Alagoas e Caetité) que aqui montou o melhor colégio do estado, o poeta Heratóstenes Menezes, nascido no arraial Lage do Gavião, hoje Aracatu, o professor cientista Ubirajara Brito (Tremedal), o ex-deputado Elquison Soares (Anagé) e muitos outros que compõem uma extensa lista de notáveis.
Talvez tenha dado maior espaço aos “forasteiros”, mas nada intencional, mesmo porque todos sabem que existem muitos outros conquistenses natos que figuram na lista dos filhos ilustres que ajudaram Conquista ser o que é hoje, a terceira maior cidade da Bahia.
Lamentável que muitos, como sempre nos diz o professor Durval Menezes, foram apagados da nossa memória, principalmente pelas novas gerações. Eles deixaram de ser estudados e pesquisados e até riscados como nomes de ruas.
Além de empresários, intelectuais, escritores, educadores, temos uma enorme gama de artistas plásticos, músicos e construtores, como o mestre de obras, Luiz Alexandrino de Melo, que levantou diversos casarões que fazem parte do patrimônio arquitetônico conquistense. Temos ainda José Medeiros que, por encomenda de Edvaldo Flores, esculpiu a Venus grega, meninos e golfinhos que ficavam no Jardim das Borboletas (Praça Tancredo Neves).
Não poderia deixar de registrar aqui os Miguelenses que aqui formaram uma colônia e, com seus tinos para os negócios, ergueram o comércio de Vitória da Conquista. Portanto, devemos muito aos “forasteiros” que nesta terra montaram suas “tendas” e se tornaram filhos adotivos de Conquista.











