Poema de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário.

A gente não quer

Viver nesse fio da navalha,

Que tenhamos Estados paralelos,

O povo carregando cangalha,

Nos capitais algozes como martelos.

 

A gente quer

Cada jovem com sua flor,

A marchar pelo ser do saber,

Aprendendo a lição do amor,

Que o tempo nos ensine a viver.

 

A gente não quer

Ver mais tanta injustiça social,

O fogo nas florestas em chamas,

O errado se tornando normal,

A ganância destruindo os biomas.

 

A gente quer

Que a vida supere a morte,

Que a mentira se renda à verdade,

O conhecimento seja nosso norte,

E todos tenham dignidade.

 

A gente não quer

Esse fanatismo religioso,

Tantas ideologias radicais,

O discurso intolerante odioso,

Esses facínoras de armas mortais.

 

A gente quer

Uma humanidade mais humana,

Só louvar o nosso universo,

Uma sociedade não espartana,

Que o sistema não seja perverso.

 

A gente não quer

Esse genocídio palestino,

As bombas dos imperialistas,

Ter mais retirante nordestino,

Oprimir os ideais socialistas.

A gente quer

Mais canção, arte e poesia,

Que o sonho se torne realidade,

O pôr-do-sol seja nossa homilia,

Sem essa fogueira da vaidade.

 

A gente não quer

Que exista mais a dor da fome,

Que não roubem nossa estima,

Sem diferenças entre mulher e homem,

Não mais a Rosa de Hiroshima.

 

A gente quer

Sentir o perfume da primavera,

Que o legal não seja imoral,

Uma amizade aberta sincera,

Onde a emoção seja racional.