:: 9/set/2025 . 22:42
QUANDO SE MORRE…
É raro, mas vez por outra acontecem xingamentos e vexames em velórios e enterros quando se morre. Predominam o silêncio e a voz baixa, do cochicho no “pé de orelha”. Cada um faz rasgos de elogios ao falecido, mesmo que ele não tenha sido gente boa em vida. Tem os que vão de óculos escuros, inclusive à noite, para passar a impressão de pesar e sentimento de que até chorou.
– Este peste cafajeste morreu tarde! Olha aí esse bando de amantes bandidas, vagabundas e putas chorando em seu caixão! Nunca prestou, só vivia nos botecos e não se importava para os filhos. Me deixou à mingua. Vale a vingança afiada até na morte.
Este é o brado de uma senhora dona de casa que “rodou a baiana” e descarregou sua mágoa no ato da despedida finita do marido irresponsável. São coisas que acontecem mais nas classes baixas. Entre os ricaços, tudo é hipocrisia e os podres não aparecem, são levados para debaixo do chão.
Existe também aquela hilária cena do bêbado que entra no velório e faz o maior escarcéu contra o defunto? Mas também tem os parceiros das cachaças que abraçam o caixão e revelam segredos do “arco da velha” que todo mundo fica passado de vergonha. Uma decepção para os parentes, “amigos” e familiares. Aí, meu camarada, as fofocas se espalham pelas redondezas.
Tem aquele agiota ou credor que aparece com uma bolsa do lado e vai logo na maior cara de pau cobrando a dívida do morto. Abre os papéis de recibos e promissórias (ainda existem?) e mostra para o cônjuge e filhos. Coisa de louco no mundo do capital onde o dinheiro é o deus supremo!
Quando o sujeito é tão miserável e perverso, como os “coronéis” da antiga, rejeitado por todos, os filhos ou a esposa contratavam e ainda contratam as carpinteiras para chorar a noite inteira pela alma do facínora que “bateu as botas”. Elas ficam secas por dentro de tanto derramar suas lágrimas, mas ganham uns trocados para comprar um pedaço de pão.
Pelas brenhas do sertão nordestino já teve caso de se deixar o caixão do defunto na estrada antes de se chegar ao cemitério porque o indivíduo não prestava e tinha muitos inimigos. Na estrada para o cemitério, os caras dão uma parada e sentam no caixão para tomar umas pingas pelo defunto.
-“Vamos deixar esse “cabra” aqui mesmo na encruzilhada, compadre. Ele não mercê nossa consideração. Quem quiser que leve até o final do seu caminho. Esse indivíduo avarento sempre foi uma mão de vaca e ranzinza.
No cangaço, os chefes cangaceiros costumavam matar soldados “macacos” e desafetos e ordenar que os corpos não fossem enterrados. Ai de quem ousasse fazer o contrário! Na ditadura esquartejavam e desapareciam com os corpos dos presos políticos.
Tem o velório e a morte do pobre, do rico, do bandido, do poderoso político, do chefe de Estado e das celebridades famosas no mundo das artes que são diferentes uns dos outros, uma prova de que as desigualdades sociais não existem somente durante a vida.
As desigualdades profundas estão escancaradas até nos nos cemitérios das covas rasas de uma só cruz enterrada na terra e dos túmulos cimentados. Lembra o poeta João Cabral de Melo Neto, com seu poema “Morte e Vida Severina”. Ele conta a história do retirante e possui um trecho sobre o funeral de um lavrador, onde descreve uma “Cova grande/ Para teu defunto parco”.
Cemitério de rico é cheio de obras de artes de pedras preciosas, de mármores, granitos e decorações. As chamadas “carneiras” são grandes e sofisticadas com gavetas para abrigar toda família. Tem locais que se transformam em visitação turística.
Quem tem interesse em conhecer um cemitério de desvalidos e excluídos da sociedade? Pobre quando morre é mais um número que se vai. Em alguns locais o mato toma conta e se tornam pastagens de animais.
Coisa é quando parte um famoso ou famosa. Lá vêm os depoimentos cheios de chavões, adjetivos e superlativos, de inconfundível na sua maneira de ser, de coração bondoso, generosíssimo, de só vivia de bem com a vida, só sorrisos e alegria, insubstituível e por aí vão os falatórios de sempre.
A pessoa de projeção parece perfeita e santa, sem defeitos e ruindades quando morre. Vai todo mundo para o céu e nem passa pelo purgatório. Nada de inferno. Uns vão festejar no além, contar causos e piadas, fazer cantorias e rodas de conversas. Outros intelectuais, escritores e poetas vão discursar, travar debates acadêmicos, escrever e poetar.
No Brasil existe o costume ou a cultura de somente se prestar homenagem à pessoa depois de morta. Enquanto viva, é um simples esquecido, mesmo que só pratique o bem e seja um lutador das boas causas. Quando se morre lá vem gente querendo levantar estátuas, fazer homenagens com moções de aplausos e títulos. Aparecem mais mentiras que verdades quando se morre…
CÂMARA DISCUTE EDUCAÇÃO
Na pauta da sessão desta quarta-feira (dia 10/09/2025) da Câmara Municipal de Vereadores de Vitória da Conquista estarão em discussão processos enviados pelo poder executivo, como o Prêmio Educação Conquista, mudanças no Estatuto e Plano de Carreira do Magistério, bem como a criação da Secretaria Municipal de Segurança Pública e Defesa Social.
Da parte do legislativo, os parlamentares vão debater diversos assuntos, tais como penalidades para quem usar bonecas reborn para obter benefícios previdenciários, dentre outros programas públicos, o Programa “Ruas do Lazer”, o incentivo à prática de atividades físicas com o “Conquista em Movimento” e o Programa de Empreendedorismo Sustentável de Conquista.
Na ocasião, a Câmara também vai apreciar a concessão de títulos de cidadão conquistense. Os trabalhos devem ser abertos por volta das nove horas da manhã pelo presidente da Mesa Diretora, Ivan Cordeiro. Espera-se que os conquistenses participem em maior quantidade de número das sessões do legislativo municipal porque são de matérias do interesse de toda comunidade.
O SARAU NA ESTRADA
O Sarau A Estrada vai literalmente colocar o pé na estrada e realizar seu primeiro evento no dia 3 de outubro próximo, na Praça Barão do Rio Branco, às 16h30min, para reivindicar do poder público que a cultura seja ouvida e tratada como deve ser, como arte de expressão legítima do nosso povo. Vamos dizer que cultura também é vida, como o ar que respiramos.
Essa decisão de sairmos do nosso ambiente e irmos ao encontro do povo, como disse Milton Nascimento, “ o artista tem que ir a onde o povo está”, foi tomada na nossa reunião extraordinária do último sábado, seis de setembro, com um discurso alinhado de que queremos uma política cultural para Vitória da Conquista.
Do encontro participaram a professora Deisy, do Movimenta Cultura Conquista, do professor e artista Herberson Sonkha, jornalista e historiador Fábio Serna, estudiosa do tropeirismo Maris Stella, professor Itamar Aguiar, Dernival, professora Vandilza Silva Gonçalves, professora e poetisa Viviane Gama, da presidente da Comissão do Sarau, Cleu Flor, poeta Dal Farias e do jornalista e escritor Jeremias Macário.
O Sarau na Estrada é, portanto, um movimento integrado e que convida todos artistas, abrangendo todas linguagens, intelectuais, estudantes, professores, trabalhadores, jovens e, principalmente, toda sociedade a se fazerem presentes neste ato, unindo forças no sentido de que a cultura seja revitalizada em nossa cidade.
“Temos Fome de Cultura”, assim clama o Movimenta Cultura Conquista que já apresentou, no início do ano, um documento ao poder executivo, incluindo a Secretaria de Cultura, com quatro mil assinaturas, contendo todas as reivindicações do setor.
Ocorre que esse documento, elaborado com muita luta e sacrifício pelos seus membros e outros colaboradores, simplesmente foi engavetado e não teve resposta, o que significa que a administração preferiu não abrir o diálogo com os artistas. Em resumo, até hoje, tivemos o silêncio como resposta. O Movimenta promove a valorização de diferentes culturas e combate o preconceito.
Qual a importância da Cultura? É uma indagação aberta pelo Movimenta, respondendo, em seguida, que amplia horizontes, estimula a criatividade das pessoas, promove o aprendizado, gera empregos e impulsiona setores como o turismo, entretenimento e o artesanato.
Dessa forma, todos integrados num mesmo propósito, vamos à Praça Barão do Rio Branco, no dia 3 de outubro, apresentar, entre outras reivindicações, a reforma e a abertura dos equipamentos culturais Teatro Carlos Jheovah, Cine Madrigal e Casa Glauber Rocha que há anos se encontram fechados.
Queremos que essas portas sejam abertas já, para que os artistas em geral tenham espaços livres para realizarem seus ensaios, seus projetos e apresentarem seus espetáculos ao público. Queremos a revitalização da nossa cultura.
Essa é uma reivindicação mais urgente, mas temos outras que irão fortalecer a nossa cultura, como a criação do Plano Municipal de Cultura com sua Fundação Cultural ou uma empresa para administrar as atividades do setor, como o audiovisual, o cinema, o teatro, a literatura, a dança, a música, dentre outras.
Também queremos a preservação e conservação do patrimônio arquitetônico da cidade, que o Conselho Municipal de Cultura seja respeitado e tenha voz, que seja criada a Casa dos Conselhos, realização de festivais de música, artes plásticas e feiras literárias.
A nossa pauta é um direito, não somente dos artistas, mas de toda comunidade, tanto que pedimos ainda a criação de núcleos culturais nos bairros, de modo que nossas tradições sejam mantidas e cultivadas, sendo de fundamental importância o apoio aos nossos jovens talentos.
É bom que fique claro para todos segmentos da sociedade que as nossas reivindicações são suprapartidárias. Queremos tão somente que se abram os investimentos e os recursos para que seja implantada uma política cultural séria e sólida em Vitória da Conquista. O nosso clamor é pela revitalização da nossa cultura.
INDEPENDÊNCIA COM SANGUE
Nas escolas primárias aprendemos que a Independência do Brasil se deu com o Grito do Ipiranga, de D. Pedro I, de “Independência ou Morte”. O ato em si foi utilizado para criação de deboches e piadas. No entanto, como em todos os países do mundo, a independência aconteceu com lutas e derramamento de sangue.
A ideia de independência começou lá pelo século XVIII com os movimentos revolucionários, com os levantes e as rebeliões e se consumou no século XIX, em 1822, mas ainda encareceu de batalhas sangrentas na Bahia, no Piauí, Maranhão e Grã-Pará, para expulsar de vez os portugueses do território, em 1823.
Até mesmo antes do Grito do Ipiranga, tudo já vinha sendo tramado através de cartas, documentos e planejamentos, tendo como um dos cabeças o patriarca da Independência, José Bonifácio de Andrada.
Nesta data, como em Vitória da Conquista, todas as cidades celebram o Sete de Setembro com a participação do povo, mas, infelizmente, tem servido de palco para os políticos se projetarem e pedirem votos, mesmo que seja de forma indireta.
Em Conquista, fizeram parte das comemorações, as polícias militares e civil, o Corpo de Bombeiros, as escolas públicas e privadas com suas tradicionais fanfarras, os movimentos de mulheres, de negros, índios e a turma dos excluídos com suas reivindicações.
Por falar nisso, quase toda população brasileira ainda é excluída de seus direitos constitucionais, como à saúde e à educação, principalmente. A nossa democracia ainda é relativa, tanto que a nossa liberdade e a nossa soberania sempre vivem ameaçadas no âmbito interno e externo. O processo de independência continua dentro de cada um.
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PRAÇA BARÃO DO RIO BRANCO 








