Versos de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Se vivo fosse, o que Raul diria?

Que ninguém quer mais alugar o Brasil,

A Amazônia vai virar uma pastagem,

Sem índios, só garimpos e pilhagem,

Na onda assassina vil dessa psicopatia.

 

O que mesmo Raul diria?

Sou a mesma mosca a lhe atanazar,

Em sua sopa venosa da loucura,

Estúpida que pede a volta da ditadura.

 

O que mesmo Raul diria?

Ainda sou a metamorfose ambulante,

Que cospe na cara do facínora farsante,

Negador da ciência e da letal pandemia.

 

O que mesmo Raul diria?

Que soltaram todos os capones,

Deletaram provas e os telefones,

No país do samba e da hipocrisia.

 

O que mesmo Raul diria?

Essa via é trevas da Idade Média,

Com milhões nas filas da fome,

De gente sem nome a penar todo dia.

 

O que mesmo Raul diria?

Ele ainda falaria de amor e dor,

Tocaria outra canção alternativa,

Para esta sociedade alienada primitiva.

 

O que mesmo Raul diria?

Que tenho medo, muito medo,

Das pedras que rolam a chorar,

Nas gigantes ondas revoltas do mar.

 

O que mesmo Raul diria?

Que se continua aceitando a mentira,

De que Deus é quem quer assim,

E que assim seja seu castigo e ira.

 

O que mesmo Raul diria?

Que o nosso Brasil regrediu,

Como há dois mil anos atrás,

Quando a terra era quase vazia.

 

O que mesmo Raul diria?

Que você vive como gado em manada,

Com a morte escancarada no sofá,

Aceitando o cloro pra seu vírus curar.

 

O que mesmo Raul diria?

Que não tente errar outra vez,

Na tentação do pecado capital,

Na estação do mal todo mês.

 

O que mesmo Raul diria?

Alibabá tem milhões de ladrões,

Pra fazer sucesso tem que a bunda rebolar,

E fingir que é o enviado de Javé e Alá.

 

O que mesmo Raul diria?

Hei anos vinte e vinte e um de horror!

Muito fanatismo evangélico e militar,

Lixo, violência e estação sem cor.

 

O que mesmo Raul diria?

Com esse diabo nem lero levar,

Que ele só quer do ser humano,

Levar para o sacrifício do altar.