“Viva o Povo Brasileiro” é uma das obras-primas do jornalista e escritor baiano de Itaparica, João Ubaldo Ribeiro, que fala das nossas origens ancestrais, mistura do índio com o português, o negro, o turco sírio-libanês e do nosso caboclo. Esse caldeirão de ingredientes, para muitos indigesto, gerou a nossa cultura miscigenada. Em homenagem ao grande escritor, foi erguido na Praça da Luz, na Pituba, uma estátua onde ele apresenta a premiada obra. Até aí tudo bem, mas o inusitado é o personagem do idoso morador anônimo de rua que praticamente passa todo dia ao seu lado, como um vigia ou escutador das imortais palavras do escritor de tantos livros, artigos e crônicas em jornais e revistas. No flagrante da sua máquina fotográfica, o jornalista Jeremias Macário ouviu dele (o morador) que se sentia bem acompanhado do homenageado por tão bem ter retratado na literatura o povo brasileiro. Coincidência ou não, João Ubaldo em seus trabalhos literários e em seus comentários sempre escreveu sobre essa tão profunda desigualdade social e clamou por justiça e direitos humanos para todos. A impressão é que o idoso ali se aportou em segurança, na fé e na esperança de dias melhores. Em seu silêncio, parecia refletir sobre seu passado e presente, não sabendo ao certo o seu futuro. Só de uma coisa ele tinha certeza de que se sentia bem acompanhado do escritor.