:: 6/jun/2018 . 23:40
SETE MESES SEM FUTEBOL EM CONQUISTA
Carlos Albán González -jornalista
Vitória da Conquista, terceira cidade baiana, onde a maioria de sua população, de mais de 380 mil habitantes, tem poucas opções de lazer, vai ficar o resto do ano sem o seu futebol, prematuramente eliminado das competições que vinha disputando até o mês passado. Os uniformes alviverde do Esporte Clube Primeiro Passo Vitória da Conquista e o alviceleste do Conquista Futebol Clube já devem estar nos armários, protegidos com naftalina.
O ECPP Vitória da Conquista divulgou nota em sua página na internet agradecendo o apoio em 2018 dos seus sócios e torcedores, pelo “comparecimento em nossos jogos, passando uma energia que nos motiva a continuar o nosso trabalho, buscando representar a nossa cidade da melhor maneira possível”. Prometendo maior dedicação em 2019 o clube estende os agradecimentos aos 19 patrocinadores e aos meios de comunicação.
Nenhuma referência é feita sobre a quebra de contrato e os direitos trabalhistas do elenco de profissionais (jogadores e comissão técnica). Por fim, o comunicado revela que os planos para os próximos sete meses é de trabalhar com as divisões de base, visando a Copa São Paulo de Futebol Júnior, em janeiro.
O balanço financeiro do ano de cinco meses do Conquista ainda não chegou ao conhecimento dos torcedores. Numa consulta aos borderôs da CBF e da FBF constatei que somente nos seus dois primeiros jogos em 2018, contra Vitória e Jequié, pelo Campeonato Baiano, foi registrado um lucro de R$ 57.377,27, correspondente a um público pagante de 4.581pessoas. Já na terceira partida diante do Juazeirense o torcedor começou a se afastar do Estádio Lomanto Júnior.
Nos quatro últimos jogos – um deles, contra a Jacuipense, foi programado pelo presidente da FBF, o conquistense Ednaldo Rodrigues, para a noite de Quarta-Feira de Cinzas. Pelo torneio baiano o déficit foi de R$ 15.496,10.
No dia 30 de janeiro o Conquista deixou de ganhar R$ 1 milhão, prêmio dado pela CBF aos clubes que passaram para a segunda fase da Copa do Brasil. Diante de 1.399 torcedores o representante baiano empatou sem gols com o Boa Esporte, resultado que, pelo regulamento da competição, favoreceu a equipe mineira, deixando ainda com os baianos um prejuízo de R$ 10.994,14.
Antes de terminar o semestre o Vitória da Conquista ainda tinha um compromisso, talvez o mais importante da temporada: o Campeonato Brasileiro da série D. A CBF forneceu passagens aéreas, hospedagem e alimentação para 25 pessoas nos jogos em Campina Grande (Paraíba), Itabaiana (Sergipe) e Boca da Mata (Alagoas). Com apenas 6 pontos ganhos em seis partidas o ECPP não passou da primeira etapa, perdendo a oportunidade de subir um degrau mais alto no futebol brasileiro.
Chamou a minha atenção o fato de que o Conquista realizou suas três partidas no “Lomantão”, com pouca divulgação, em três noites frias de segundas-feiras, para um platéia de 1.350 pagantes, que deixou nas bilheterias a quantia de R$ 11.225,00. Ao mandante restou um prejuízo de R$ 23.459,15.
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