Albán González – jornalista

Diariamente observo o fechamento de pontos comerciais em Vitória da Conquista, no mesmo ritmo que surgem as placas de “aluga-se” ou “vende-se”,por força de uma crise econômica que vem sufocando o país. O futebol, por ser um fator de entretenimento, deixou de fazer parte do orçamento doméstico de muitas famílias, como se pode constatar pelos estádios vazios, ou pela iniciativa de alguns clubes do Rio de Janeiro que buscam praças esportivas no Norte e Nordeste e no Distrito Federal, onde ainda existem fanáticos torcedores dos times cariocas.

Há um outro aspecto a ser considerado no cenário futebolístico. Ainda não chegamos na metade do ano e centenas de clubes chamados de profissionais já encerraram suas atividades, porque não estão relacionados entre os 80 privilegiados (alguns, nem tanto) que vão disputar até dezembro as quatro séries do Campeonato Brasileiro, promovido pela CBF. Nesse contexto é que o Esporte Clube Primeiros Passos de Vitória da Conquista se enquadra.

Ameaçado de cair para a segunda divisão do Campeonato Baiano, eliminado prematuramente da Copa do Nordeste e deixando fugir em casa a oportunidade de continuar participando da Copa do Brasil, o Conquista está dispensando ou emprestando (Todinho e Marion foram cedidos até o final do ano, respectivamente, ao Taboão da Serra, de São Paulo, e Salgueiro, de Pernambuco) os seus atletas.

A diretoria do clube tem esperança de que a FBF promova um torneio caça-níquel reunindo os filiados que não foram incluídos nas séries A, B e D do Brasileirão, assumindo as despesas de passagens e hospedagem. Os dirigentes do Conquista apelam para o “amor à terra” do presidente da Federação, Ednaldo Rodrigues, que aqui nasceu, jogou de 1970 a 1978 em times amadores locais e foi presidente da Liga Conquistense de l979 a 1984.

“Cartola” por profissão, Rodrigues saltou de sua cidade natal para a FBF, a fim de assumir o departamento que cuida das ligas interioranas, cargo que o levou em 15 de janeiro de 2001 à presidência da entidade e de onde será difícil afastá-lo, pois conta com um eleitorado fiel, formado por centenas de “cartolinhas”,arregimentados em todo o interior baiano. O carro-chefe de sua administração é o Campeonato do Interior, considerado como o maior evento esportivo do mundo em número de participantes.

Fidelidade foi a marca de Rodrigues com relação aos presidentes que nos últimos anos passaram pela CBF e foram afastados por corrupção. Por duas vezes viajou ao exterior como chefe de seleções brasileiras, e, recentemente, foi um dos delegados do Brasil no congresso que elegeu o atual presidente da FIFA.

Meu caro Ederlane Amorim, você, que tem se dedicado a levar adiante o projeto de renovação do futebol de sua terra, nascido de um grupo de desportistas, em 21 de janeiro de 2005, está na hora de apelar para o espírito conquistense do presidente da Federação. No coração rubro-negro – a hegemonia do Vitória no futebol baiano nos últimos 15 anos é incontestável – de Rodrigues deve haver um espaço reservado para as cores verde e branca.

TOCHA OLÍMPICA – Um dos símbolos dos Jogos Rio 2016 percorreu ontem, à tarde, avenidas (Régis Pacheco, Integração, Rosa Cruz, Olívia Flores, Bartolomeu de Gusmão e Juracy Magalhães) de Vitória da Conquista. A tocha olímpica foi conduzida, segundo os organizadores da festa, por 71 personalidades da cidade, entre elas o funcionário municipal Antônio Jesuíno da Silva, de 67 anos, administrador do Estádio Edvaldo Flores. Piolho, como é mais conhecido, foi um dos artilheiros do Campeonato Baiano de 74, ganho pelo Bahia.

Além de Piolho, não tenho ciência de que algum outro esportista da cidade carregou a tocha. Na última mesa redonda sobre futebol, às segundas-feiras na ESPN Brasil, o veterano e conceituado jornalista José Trajano criticou a ausência de campeões olímpicos e dos familiares daqueles que já faleceram na condução da tocha em território brasileiro. Trajano se referiu a jornalistas da Globo, sem citar nomes.