VIOLAÇÕES DE DIREITOS NA MÍDIA
Alguém já disse certa vez que a mídia brasileira não se acha como quarto poder, mas como se fosse o próprio todo poderoso Deus. De tanta arrogância e prepotência, ela passa o tempo todo olhando pra seu próprio umbigo e cobrando liberdade de expressão, mas deixa de respeitar as liberdades individuais dos cidadãos, sem falar que, muitas vezes, ao invés de informar deforma, por incompetência, omissão ou tendência.
No seu terceiro volume sobre Violações de Direitos na Mídia Brasileira, a Organização Não Governamental Comunicação e Direitos constatou que num período de 30 dias, 28 programas de estilo “policialesco” de rádio e TV promoveram 4.500 violações de direitos. O estudo envolveu 10 capitais, incluindo Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro.
Mais ainda que neste período os programas cometeram 15.761 infrações a leis brasileiras e multilaterais; e desrespeitaram 1.962 vezes normas autorregulatórias, como o Código de Ética dos Jornalistas, do qual pouco se fala nos dias atuais. A pesquisa foi feita ainda em Belém, Belo Horizonte, Brasília, Campo Grande, Curitiba, Fortaleza e Recife.
Sempre digo que o direito à liberdade de imprensa acaba quando não se tem ética e responsabilidade. O maior pecado do jornalista ou radialista é achar que ele sempre está com a verdade e termina agredindo o seu público.
No caso particular de Vitória da Conquista, que não conta com programas regionais “policialescos”, não posso fazer uma analise precisa sobre as violações de direitos, mas não tem sido diferente em seus noticiários, muitos dos quais desfocados, incompletos, insossos e desprovidos de um bom jornalismo.
O que mais vemos aqui nas emissoras e nos blogs, que substituíram os jornais impressos com a chegada da internet, é notícia mal apurada por falta de competência do “repórter” e, pior ainda, do editor que publica a matéria sem antes orientar e corrigir o seu “profissional”.
O que quero dizer é que o editor ou o chefe de reportagem, se é que ainda existem estas figuras nas redações, não devem divulgar um fato sem os dados completos, cheio de interrogações, como o caso mais recente da moça que foi barbaramente espancada por um rapaz e depois veio a falecer no hospital. Como este, existem muitos outros iguais nos noticiários locais que não vou enumerá-los aqui. A lista é enorme.
Infelizmente, a qualidade do jornalismo de Vitória da Conquista piorou nos últimos anos, mesmo com a criação da Escola de Comunicação em Jornalismo a partir do final dos anos 90.
Entendo que a maior culpa (o ensino também é deficitário e capenga) está na direção das empresas que não sabem conduzir profissionalmente seus repórteres e terminam oferecendo um péssimo produto ao seu público.
As falhas são tão gritantes, aberrantes e clamorosas que até os leigos percebem e criticam as matérias aqui elaboradas. A maioria das notícias locais não resiste a um pente fino de um bom laboratório de jornalismo.











