:: 3/mar/2015 . 23:31
MEMÓRIA PERDIDA
Dentro do matagal entre lixos e entulhos, próximo ao Anel Viário, na saída de quem segue em direção a Anagé, Brumado e outras cidades do sertão do sudoeste, ainda está lá a carcaça de cimento em forma de pirâmide onde seria erguido o Memorial em homenagem ao cineasta conquistense Glauber Pedro de Andrade Rocha.
A iniciativa de ali ser o futuro Templo Glauber Rocha, uma espécie de museu de resgate das obras do cineasta e provocador cultural foi do então prefeito Murilo Mármore no final de seu mandato, em 1992, só que não houve recursos, apoio de seus sucessores e outros órgãos para tornar o projeto realizável.
Na época, a mãe de Glauber, dona Lúcia, reuniu esforços e, com muito sacrifício, conseguiu montar o sonhado memorial no Rio de Janeiro, num espaço pertencente a um órgão federal, no bairro de Botafogo. Com a falta de recursos para manter o local, no ano passado as obras do cineasta foram distribuídas entre outras instituições.
Não temos aqui em Conquista quase nada que lembre o ilustre filho da terra a não ser a casa onde ele nasceu, na rua Dois de Julho, antiga rua da Várzea. Lembro muito bem de ter recebido amigos de Salvador e de outras cidades que demonstraram o desejo de conhecer a Casa Glauber Rocha, imaginando que lá era um ponto turístico-cultural, tipo museu, que guardava a memória do cineasta, como Casa Jorge Amado, em Salvador, Afrânio Peixoto, em Lençóis e tantos outros lugares que preservam seu passado e sua história.
Esta ingratidão, típica de Vitória da Conquista, não é somente com relação a Glauber Rocha, mas se estende a outras personalidades da literatura, da poesia, da música e das artes em geral que aqui prestaram seus serviços, divulgaram suas obras e o nome da terra. São tantos que nem vou citar nomes. Glauber é mais uma memória perdida entre tantas outras do passado.
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