QUEIMADAS NA CAATINGA
Foto do jornalista João Martins![]()
A foto do meu amigo e companheiro jornalista, João Martins, me lembra muito quando atuava como chefe da Sucursal do Jornal A Tarde de Vitória da Conquista e elaborávamos muitas matérias denunciativas sobre a derrubada de árvores da caatinga para serem queimadas em fornos e se transformarem em carvão. A grande maioria das queimadas era irregular, como o transporte do carvão para as siderúrgicas mineiras. Ele pela revista “Integração”, e eu com meu amigo fotógrafo José Silva pelo o A Tarde estampávamos reportagens denunciando os destruidores do nosso milenar bioma, chamando a atenção de que a caatinga ia virar um deserto. De certa forma isso ocorreu em várias partes do nosso sertão. Em nossas andanças, cortando estradas por esse semi-árido cruzávamos com caminhões rumo a Minas Gerais, principalmente. Nos postos de combustíveis lá eles estavam carregados de carvão. Como era muito perigoso para a nossa profissão, tinhamos que ter muito cuidado para flagrar os fornos no meio da caatinga e o transporte, quase sempre clandestinos. Os fornos sempre usavam mão-de-0bra, que muito lembrava o sistema escravagista diante das condições dos trabalhadores, inclusive crianças de rostos esfumaçados e doentes dos pulmões. Conversei com meu amigo João sobre o assunto e, para meu alívio, disse-me que esse quadro praticamente não mais existe devido a intensa vigilância e fiscalização do Inema. É uma boa notícia, mas os estragos ficaram na paisagem da nossa natureza, difíceis de serem recuperados quando se trata da caatinga, sempre seca. Os municípios que mais queimavam carvão eram Sebastião das Laranjeiras, Palmas de Monte Alto, Caculé, Igaporã, Riacho de Santana, dentre outros.











