AS MÁS LÍNGUAS VERBAIS E VIRTUAIS
Tem coisas e profissões que nunca deixam de existir, mesmo com o avanço das novas tecnologias da internet e agora com a inteligência artificial, uma arma poderosa de destruição quando a serviço do mal.
Dizem que a atividade mais antiga da humanidade é a prostituição, hoje modernizada pelos “programas sexuais”, aceitos com outros olhos pela falsa sociedade. Apesar do moderno, sempre vai existir um alfaiate, um sapateiro, um relojoeiro, um amolador de facas e tesouras num povoado ou numa cidade, pequena ou grande.
O mesmo acontece com as más línguas, aquelas que não param de fofocar e falar da vida alheia e esquecem da sua própria. Estão no cerne da natureza humana, desde os tempos primitivos e nas antigas civilizações. Tem gente que adora uma fofoca e ainda diz que sabe guardar segredo. “Pode falar amigo, ou amiga, que minha boca é um túmulo”.
Ainda prefiro as primeiras, as falas verbais, do que as virtuais, estas através de textos de português assassinado, hoje propagadas nas redes sociais que fazem aquele estrago danado nas vítimas em termos emocionais psicológicos e atingem um universo de milhares e até de milhões de navegadores. As virtuais são mais agressivas e mortais.
A falada verbalmente, ou a tradicional, tem a boa e a má, mais conhecida como fofoca, fica mais restrita a uma comunidade ou a um grupo mais fechado, a não ser quando alguém comete um crime grave que se alastra para outras redondezas.
Quem não comete o “pecado” de falar de alguém, seja elogio ou crítica negativa que levante a primeira pedra! Algumas línguas são ferinas e maledicentes, caluniosas e difamatórias, outras menos ofensivas e até hilárias.
No ambiente de trabalho, tanto uma como outra, as línguas são traiçoeiras e falsas por causa da competição. É um querendo passar a rasteira no outro por detrás. Pela frente são rasgos de elogios. Não faltam vítimas e vilões, se bem que ainda existem os éticos e sérios.
Numa rua, num bairro ou num vilarejo, lá está a língua a bradar. Coisa é quando um vizinho, morador próximo, ou um “amigo” compra um carro novo, um bem material caro e um objeto de valor!
Dizem logo que a pessoa está roubando, recebendo suborno, e aí bate aquele olho grande invejoso. Melhor procurar uma rezadeira (ainda existe) ou tomar um “banho de descarrego”, senão as coisas começam a dar para trás.
Por falar em más línguas, quem não se lembra ou conhece o famoso “Senadinho” (ainda funciona) que fica ali na Praça Barão do Rio Branco, em Vitória da Conquista? Dizem que toda cidade e até o meio rural tem seu “Senadinho” das fofocas.
Contam as más línguas que o grupo sabe da vida de todo mundo, quem deve, está falido, adquiriu veículo de luxo e não está pagando as prestações, quem traiu quem ou quem está prevaricando. Quando passo por ali, meu nome entra na lista. Pouco importo.
Quando as comadres e os compadres param numa calçada ou em algum banco de jardim, penso logo que estão falando de alguém. Falem mal, mas falem de mim – existe este bordão popular de quem aprecia ser lembrado de qualquer maneira. Pelo menos seu nome não fica esquecido.
As mais constrangedoras e aniquiladoras que detonam as almas dos seres humanos e arrasam reputações em termos moral, psicológico e social são as más línguas virtuais, escritas no mundo das redes sociais, ou as cibernéticas em forma de bullying (intimidação sistemática).
Estas línguas são como labaredas de altas queimaduras e seus donos geralmente usam máscaras ou perfis diferentes, mais difíceis de serem identificados. As verborreias caluniosas e difamatórias atingem um público de milhares e milhões de visualizações. A maioria dos internautas de plantão têm o prazer sádico de passar as injúrias para frente.
Oh, Senhor, livrai-nos das más línguas ferinas verbais e virtuais! Perdoai-vos porque não sabem o que falam. Nos proteja de todos os males que saem das bocas desses infelizes. Nos ilumine e iluminai as mentes rancorosas para que se voltem para o bem!
Não sou nenhum indicado para formular preces, daquelas de fechar o corpo contra facas e balas, mas faça sua oração, ao seu modo, todos os dias antes de se deitar. Quem sabe você não se livrará das más línguas afiadas como navalhas ou perfurantes como punhais que cortam dos dois lados! Amém, Senhor!











