(Chico Ribeiro Neto)

“Raid das Moças” tem esse nome porque é uma rifa com 100 nomes de mulheres, onde você escolhe um nome ou mais para concorrer ao prêmio. Lá no meio da cartela de papelão, protegido por um papel prateado e grampos, está o nome da mulher correspondente ao prêmio: Alba, Olga ou Zoraide? Quem será a dona do prêmio?

Antigamente, ou hoje também, rifava-se tudo. Tem uma feira no interior de Sergipe onde se se rifa porcos e bezerros, “e vai correr daqui a pouco, vamos lá, vamos lá”

Dizem que no Raid das Moças dava pra ver, antes de fechar a rifa, o nome da mulher do prêmio. Era só botar a rifa contra uma lâmpada bem forte. Contam também que se colocava o Raid das Moças num vapor, no fogão, e o selo que ocultava o nome se desprendia inteirinho. Depois, era só colar de novo.

Hoje, nem sei se ainda existe o Raid das Moças, mas tem uma rifa com 100 números (de 00 a 99), no mesmo formato, só que não tem o número do prêmio escondido no meio da cartela. “Corre” pela Loteria Federal às quartas e sábados e pelo jogo do bicho nos outros dias. Você assina 5 reais numa dezena pra ganhar 300 e o dono da rifa fatura 500, se completar a rifa. Muitas vezes, o cara não consegue fechar as 100 assinaturas e ninguém escolheu o número premiado. A grana arrecadada vai toda pro rifeiro.

O que mais tem hoje no Brasil é jogo. Para se ter uma ideia, somente no mundo das Bets, 72 empresas estão autorizadas, somando 156 marcas. E muitas Bets oferecem bônus de até 1 mil reais pro sujeito começar a jogar. Como diz um amigo: “É igual a dar a primeira pedra de crack ao sujeito que ficará logo viciado”.

  1. trabalhava na Redação do jornal A Tarde e era exímio gozador. Uma noite ele me disse: “Olha, o repórter S. fez uma cirurgia de hemorroidas. Vamos fazer um Raid das Moças rifando o objeto submetido à cirurgia?” Compramos o Raid das Moças e no ítem relativo ao prêmio colocamos: “um c… zero km”. “Homem tem umas brincadeiras sem graça”, mas essa quase termina em confusão.

O repórter S., dono do objeto ido a sorteio, soube da rifa e me interpelou num canto: “Olha aqui, soube que vocês estão fazendo o negócio de uma rifa aí comigo. Negócio seguinte: sou um homem casado, tenho dois filhos e não aceito esse tipo de brincadeira”. Fim de papo e fim de brincadeira.

A rifa, cuja assinatura tinha um valor simbólico (ninguém pagava nada, era só a gozação) estava quase completa, mas agora precisava ser destruída. Na hora de rasgá-la R. vira-se para mim: “Vamos, pelo menos, ver quem foi que ganhou?” “Você tá maluco!”, respondi e comecei logo a rasgar o Raid das Moças, joguei tudo na cesta de lixo, antes que alguém descobrisse o ganhador do “anel de couro” e fosse exigir o prêmio; e a minha cabeça também estava em jogo.

Um amigo do dono do prêmio chegou a comentar: “Vocês rifam o fiofó do cara e não querem que ele se aborreça! Aonde?!!!”

(Veja crônicas anteriores em leiamais.ba.gov.br)