:: 6/jun/2025 . 0:27
SEM RETORNO E SEM CAPACIDADE
Não sou cientista e nem um expert em mudanças climáticas ou aquecimento global, mas basta olhar o passado de séculos de estragos praticados pelo ser humano contra o meio ambiente e o avanço continuado de destruição, para se concluir que não existe mais retorno e capacidade para se reverter os fenômenos imprevisíveis de tragédias e catástrofes provocados pela natureza.
Tenho ouvido e lido comentários de que estamos quase entrando no ciclo de não mais retorno e de não mais capacidade para reverter a situação e tornar o planeta em condições de qualidades habitáveis, reduzindo ou detendo o aumento da temperatura que nos últimos anos tem batido recordes com calor que ultrapassa os 50 graus em várias partes da terra.
Não me venham com essa de pessimista ou profeta macabro da morte. Em minha modesta visão, estamos em pleno aquecimento global e não existe mais capacidade de recuperação aos níveis toleráveis e aceitáveis de uma vida harmônica entre natureza e a humanidade.
Pelo rombo que já foi feito contra a natureza durante esses milhares de séculos, desde o homem neandertal até os tempos atuais, seria necessário um esforço conjunto e hercúleo de todas as nações para diminuir drasticamente com a emissão de gases tóxicos no ar, com o volume monstruoso de lixo e outros tipos de sujeiras que são jogados em nosso planeta.
É verdade que existem ações de grupos, entidades e instituições aqui e acolá de preservação e renovação das nossas florestas, retirada de lixo do mar e do solo, projetos de reciclagem e tantas outras iniciativas, na tentativa de deter os desastres e renovar o meio ambiente, mas ainda é muito pouco diante do alto índice de agressões do passado e do presente.
Por exemplo, no momento em que se está retirando uma tonelada de lixo do mar, outras milhões de toneladas estão sendo despejadas nas águas e na terra, mesmo porque o consumo só faz aumentar. A ordem das economias mundiais de qualquer país é consumir e consumir cada vez mais visando elevar o seu PIB – o tal Produto Interno Bruto.
Nesse cenário de horror em que vivemos, de juízo final ou apocalipse (usem a expressão que quiserem), é só usar a lógica da matemática para se concluir que a conta nunca bate, sempre existe uma dívida no vermelho, que só aumenta.
É com esse raciocínio histórico do passado e do presente que sempre digo que não é preciso ser cientista para enxergar que não existe mais retorno e que o homem não tem mais capacidade de reverter a situação, a não ser que o planeta parasse por pelo menos um ano, e isso é utópico.
O nosso cancioneiro profeta, poeta, músico, cantor e compositor baiano Raul Seixas falou do dia em que a terra parou. Poderia ser no ano em que a terra parou. Quem sabe não houvesse aí a tão desejada reversão do aquecimento global e todos seriam felizes para sempre, principalmente as novas gerações! Para estas, estamos deixando um legado de inferno.
“RAID DAS MOÇAS” QUASE TERMINA EM CONFUSÃO
(Chico Ribeiro Neto)
“Raid das Moças” tem esse nome porque é uma rifa com 100 nomes de mulheres, onde você escolhe um nome ou mais para concorrer ao prêmio. Lá no meio da cartela de papelão, protegido por um papel prateado e grampos, está o nome da mulher correspondente ao prêmio: Alba, Olga ou Zoraide? Quem será a dona do prêmio?
Antigamente, ou hoje também, rifava-se tudo. Tem uma feira no interior de Sergipe onde se se rifa porcos e bezerros, “e vai correr daqui a pouco, vamos lá, vamos lá”
Dizem que no Raid das Moças dava pra ver, antes de fechar a rifa, o nome da mulher do prêmio. Era só botar a rifa contra uma lâmpada bem forte. Contam também que se colocava o Raid das Moças num vapor, no fogão, e o selo que ocultava o nome se desprendia inteirinho. Depois, era só colar de novo.
Hoje, nem sei se ainda existe o Raid das Moças, mas tem uma rifa com 100 números (de 00 a 99), no mesmo formato, só que não tem o número do prêmio escondido no meio da cartela. “Corre” pela Loteria Federal às quartas e sábados e pelo jogo do bicho nos outros dias. Você assina 5 reais numa dezena pra ganhar 300 e o dono da rifa fatura 500, se completar a rifa. Muitas vezes, o cara não consegue fechar as 100 assinaturas e ninguém escolheu o número premiado. A grana arrecadada vai toda pro rifeiro.
O que mais tem hoje no Brasil é jogo. Para se ter uma ideia, somente no mundo das Bets, 72 empresas estão autorizadas, somando 156 marcas. E muitas Bets oferecem bônus de até 1 mil reais pro sujeito começar a jogar. Como diz um amigo: “É igual a dar a primeira pedra de crack ao sujeito que ficará logo viciado”.
- trabalhava na Redação do jornal A Tarde e era exímio gozador. Uma noite ele me disse: “Olha, o repórter S. fez uma cirurgia de hemorroidas. Vamos fazer um Raid das Moças rifando o objeto submetido à cirurgia?” Compramos o Raid das Moças e no ítem relativo ao prêmio colocamos: “um c… zero km”. “Homem tem umas brincadeiras sem graça”, mas essa quase termina em confusão.
O repórter S., dono do objeto ido a sorteio, soube da rifa e me interpelou num canto: “Olha aqui, soube que vocês estão fazendo o negócio de uma rifa aí comigo. Negócio seguinte: sou um homem casado, tenho dois filhos e não aceito esse tipo de brincadeira”. Fim de papo e fim de brincadeira.
A rifa, cuja assinatura tinha um valor simbólico (ninguém pagava nada, era só a gozação) estava quase completa, mas agora precisava ser destruída. Na hora de rasgá-la R. vira-se para mim: “Vamos, pelo menos, ver quem foi que ganhou?” “Você tá maluco!”, respondi e comecei logo a rasgar o Raid das Moças, joguei tudo na cesta de lixo, antes que alguém descobrisse o ganhador do “anel de couro” e fosse exigir o prêmio; e a minha cabeça também estava em jogo.
Um amigo do dono do prêmio chegou a comentar: “Vocês rifam o fiofó do cara e não querem que ele se aborreça! Aonde?!!!”
(Veja crônicas anteriores em leiamais.ba.gov.br)
- 1










