TEM CABIDE NO MOTEL?
(Chico Ribeiro Neto)
Todo mundo tem uma história engraçada de motel que viveu ou ouviu contar.
Antes dos motéis surgirem em Salvador, frequentava-se muito os hotéis da Travessa Bom Gosto da Calçada (nome sugestivo) que antes recebiam os passageiros dos trens da Viação Férrea Federal Leste Brasileiro. Recebiam, agora, os passageiros do amor.
Fui a um desses hotéis um dia, à tarde. Antes de chegar no quarto, passamos por uma mulher batendo vitamina no liquidificador, menino fazendo dever e uma senhora passando roupa. O quarto era lá no fundo do corredor.
Conheço um casal que, quando foi a um motel pela primeira vez, ela levou uma sacola. “O que é isso?, perguntou o namorado quando entraram no quarto, e ela respondeu:
“Você acha que eu vou deitar em lençol de motel, que eu vou botar minha cabeça em travesseiro de motel e que eu vou me enxugar com toalha de motel?” Ela levou não só lençol, fronhas, toalhas e sabonete, mas também dois travesseiros.
Uma vez, a revista “Playboy” fez uma matéria com garçons de motel. Havia histórias hilárias, como essa: sexta-feira à noite era uma grande fila de espera de carros na parte interna do motel e os garçons atendiam nos veículos os casais que estavam á espera do amor. Mais de uma hora depois o garçom foi avisar ao primeiro da fila que o apartamento 9 estava disponível, e o motorista respondeu: “Agora não precisa mais. Obrigado.” Fez a volta e foi embora.
E tem a de Roberto Carlos. Um colega jornalista arranjou uma namorada e foram pro motel. Ainda estavam nas preliminares quando o som na cabeceira do quarto tocou “Detalhes”, com Roberto Carlos. Ela não aguentou: “Eu não posso, buá-buá, ouvir essa música, buá-buá, porque lembro logo, buá, do meu noivo. A gente acabou o noivado tem menos de um mês, buá-buá, não consigo mais fazer amor, buá, quero ir embora, buáááá. Dito e feito, nada pra ninguém.
Aconselhei ele que, sempre que fosse a um motel, perguntasse na portaria: “Aí toca Roberto Carlos? Se tocar, eu não entro”.
Havia um velho repórter em Salvador que perguntou a um fotógrafo boêmio se ele conhecia algum hotel de encontro no centro da cidade. Ele deu o endereço do hotelzinho de um amigo e recomendou: “Peça o quarto 7, que é o único que tem janela”.
Uma semana depois o fotógrafo encontra o dono do hotel na rua e pergunta:
“Mandei um amigo lá outro dia, você viu?”
“Porra, que velho chato da porra!”
“Por que? O que foi que aconteceu?”
“O velho vem transar e fez o maior escarcéu porque não tinha cabide no guarda-roupa. Ligou pra portaria e só sossegou quando levaram um cabide.”
Dias depois, encontro o velho repórter e pergunto pela história:
“Foi isso mesmo?”
“Foi, sim senhor. Eu ia pendurar minha calça aonde?”
(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)











