:: 11/nov/2015 . 23:06
COMO ACREDITAR NO PAÍS DO FUTURO?
Numa situação onde o sistema já nasceu excludente, num emaranhado de peças enferrujadas, ser otimista neste país é até ser leviano. É como vender um alimento estragado e tentar convencer o comprador de que ele pode se tornar saudável com a introdução de substâncias químicas. É o caso brasileiro onde há muitos anos um monte de itens esperam na fila do país do futuro.
Palestrantes de autoajuda e estrangeiros maravilhados que aqui chegam tentam incutir em nós de que este é o Brasil do futuro. Os primeiros porque querem vender seu peixe passado na base do ânimo a qualquer custo. Os segundos porque ficam encantados com suas belezas, com a vida bagunçada que eles não têm e quase sempre desconhecem o interior do produto. Só uma revolução de verdade começando do zero nos levaria ao país do futuro.
Não estou falando daquela história de injetar competição capitalista a qualquer custo no indivíduo para ele vencer na vida, mesmo que não seja por meios lícitos. Estou me referindo ao país como um todo no sentido coletivo da palavra que requer planejamento e gestão de inclusão, justiça social, reparação e expurgação dos privilégios nababescos restritos a determinadas categorias que estão bem longe da pobre realidade brasileira.
Como acreditar num país do futuro que reluta endireitar os caminhos tortuosos que há anos só fazem aumentar as desigualdades sociais e crescer o ódio entre as classes? O povo aqui sempre foi vítima de calotes e mais calotes de um poder público negligente, arcaico e roedor famélico das entranhas de seus cidadãos.
Existe um sem número de coisas na vida do país que não adianta fazer remendos para galgarmos este futuro tão decantado pelos otimistas de plantão. Comecemos pelo esquema eleitoral montado que nada difere do antigo coronelismo. Nele se vota iludido de que é a saída, só que os resultados nunca aparecem. É um modelo totalmente antipatriota no lugar de ser uma cidadania respeitada e digna.
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