TUDO TEM A SUA VEZ
Só os deuses em sua plenitude religiosa de cada um deles, venerados e adorados desde os primórdios das civilizações tribais, podem ser considerados imortais. Eles estão em nossas memórias originárias dos ancestrais. No mais, na vida terrena, religiosa ou profana, tudo tem sua vez de glória, fracasso e fim. O poeta cancioneiro disse certa vez que o amor é eterno enquanto existe.
O planeta e o ser humano vivem numa evolução constante de mudanças, de vez em vez, passo a passo. O presente logo se torna em passado para se construir o futuro do amanhã que fica velho e vem outro amanhecer. É a metamorfose ambulante, como pontuou para nós o poeta das profecias. O sofrer e o prazer, o choro e o sorriso, a derrota e a vitória, têm, cada um, a sua vez.
Tudo na vida tem sua vez de ser, como a criança que nasce, cresce e tem seu tempo de brincar, estudar e trabalhar. Depois amadurece e não é mais o mesmo de antes. Sua graça se volta à corrida pela sobrevivência. Seu pensar é se multiplicar na corrida do ter e do ser. Não é o Ano Novo que lhe renova. Pelo contrário, ele lhe convida para você se preparar para sua vez.
A velhice é como o pôr-do-sol anunciando a noite, não importa se em dia nublado, céu claro ou de nuvens carregadas com prenúncio de temporais e tempestades. Depois do mar revolto, vem a calmaria. Será que falo coisa sem coisa? Faz parte da nossa imaginação. O sonho pode se evaporar, ou ter sua vez de se realizar.
Essa vez de cada vez acontece nos planos material e espiritual. É a sua vez de pegar o cavalo selado, ou sua vez de encontrar um amor, que lá na frente pode se torna em separação, ódio e rancor. É sua vez de declamar sua poesia, de participar do jogo, de externar seu pensar, de entrar em cena e dela sair. É sua vez de respeitar o outro e ouvir o que ele tem a lhe dizer.
Veja o lixo e a flor. O primeiro já foi produto e bem de valor, ou alimento, que se torna em resto de entulhos jogados fora, que emporcalha a natureza, que se revolta e provoca tragédias de morte. O petróleo e outros metais se transformam em gases tóxicos que aquecem a terra. Mesmo assim, o lixo não deixa de ter sua importância quando é usado como adubo para fertilizar o solo.
A flor tem a sua vez de alegrar, criar momentos de felicidade, bombear seu coração de esperanças e fé, mas não tarda a murchar e a se tornar em lixo, que reciclado em sua vez, servirá de alimento para o renascer de uma outra flor. É o ciclo da vida.
Ela tem sua vez nos casamentos, como prova de paixão, nos aniversários, para decorar mesas em ceias festivas e em encontros de chefes poderosos. No Dia de Finados, lá está ela para homenagear os mortos, ou em ocasiões onde famosos ou grupos de etnias diferentes são vítimas de assassinatos trágicos. Depois de murchas são incineradas ou se acabam em lixo.
Existe aquele ditado que diz, sempre existe a primeira vez, como o primeiro namoro, o primeiro beijo e a primeira relação sexual, muitas das quais ficam inesquecíveis ou perturbadoras nas mentes, que também têm suas vezes de escolhas no mundo das ideologias.
Tudo tem sua vez, mas não fique aí esperando o acontecer. Faça a sua vez porque outro está de olho em sua vez para passar a rasteira. Você transa a vida toda com a cruel competição para depois ficar cansado e se ir, no momento da sua vez. O segredo é não pegar ou descer na estação errada. Preste bem atenção nos letreiros, nos avisos e nos comunicados.
Tudo tem a sua vez e essa é a máxima filosófica natural, desde a criação. A simplicidade é a mãe da virtude para o encontro da sua vez. A inspiração tem a sua vez de fazer nascer a poesia. Espere a maré baixar para fazer sua travessia. Não são apenas os fortes, os fracos também têm a sua vez, como um dia é da caça e o outro é do caçador. Quem faz o mal, aqui se paga. Não se apoquente e nem se vanglorie. Não seja prepotente porque tudo tem sua vez.











