AOS POETAS DAS IMAGENS NO DIA COMEMORATIVO AO FOTÓGRAFO
Sei que foi no dia 8 de janeiro e a data passa, de forma injusta, praticamente despercebida. É a cultura brasileira da desmemorização dos valores artísticos, e o celular não é o maior culpado desse fenômeno do esquecimento. Certo que o novo aparelho “mágico” virtual automático contribuiu para esse menosprezo, mas esses profissionais das lentes continuam sendo os poetas das imagens.
Em qualquer evento, shows, aniversários, festas, passeios turísticos, casamentos, encontros familiares, nos bares e restaurantes, lá está cada um com o celular em mãos para fazer umas selfies e registrar os momentos, para postar, imediatamente, nas redes sociais. É uma mania generalizada. Diria até que é uma febre, só que depois deletam para dar espaço para outras.
Acontece que nos acontecimentos importantes (casamentos, formaturas e outros), lá está a presença do profissional porque tratam de fotografias com maior nitidez, foco e resolução. Não podemos deixar aqui também de mencionar sua atuação imprescindível na função do repórter jornalístico, ou o fotojornalismo, bem diferente do retratista.
Eles estão na linha de frente das guerras, das manifestações, dos protestos e movimentos sociais, para pegar os melhores ângulos e flagrantes que o amador do celular não consegue captar, tanto quanto o fotógrafo. É ele quem sabe o momento certo de clicar, fazer a abertura correta do diafragma, fixar a medida do ISSO e a sua velocidade, para que a deusa luz, natural do deus sol, ou a artificial dos humanos, projete a sua imagem para dentro da câmara escura.
Em nome dos grandes fotógrafos nacionais e universais, como Sebastião Salgado (humanismo e documentário), Evandro Teixeira (meu saudoso amigo das impactantes fotos da ditadura), Araquém Alcântara (natureza brasileira), Cláudia Andujar (Amazônia), Walter Firmo, de cores vibrantes, Henri Cartier-Bresson (fundador do fotojornalismo), Ansel Adams (paisagens), Paul Nicklen (vida selvagem), dentre outros, homenageio todos os fotógrafos conquistenses e baianos, como meu companheiro de lutas José Silva, Raimundo Laser, José Carlos D´Almeida, Cadete, com quem também trabalhei, Edna Nolasco e seu pai (saudosos) Neca Correia, Manoelito Melo e tantos outros.
Todos eles são nossos poetas das imagens, nas quais brotam textos das nossas cabeças, a depender da fotografia, especialmente quando são lindas paisagens da natureza ou expressões humanas. Como se diz no popular, existem fotos que falam por mil palavras. No jornalismo, por exemplo, não dá para publicar uma matéria sem fotos, como manifestações, tragédias, incêndios, guerras e tantos outros fatos.
Uma foto profissional é como se fosse uma poesia, e dela brota a inspiração para se fazer uma bela legenda, mesmo que o jornalista e o escritor não tenha trabalhado ao seu lado. Apesar da internet, e mesmo nela, a fotografia ainda é e sempre será essencial para traduzir as memórias e construir nossa história por meio do passado e do presente.
Lá estão nossos poetas nas manchetes dos jornais, nas revistas e nas ilustrações de obras dos escritores em geral. Fotografia é também história e é através dela que nos faz recordar e escrever sobre o passado. São como documentos em cartórios, desde o seu processo analógico até os nossos tempos do virtual. Meu abraço a todos os fotógrafos com suas poéticas fotografias.











