:: dez/2025
VEREADORES DEBATEM ORÇAMENTO
Em sessão ordinária na manhã desta quarta-feira (dia 17/12), os vereadores de Vitória da Conquista discutiram, em primeira votação, o orçamento anual do município para o exercício financeiro de 2026. A parlamentar da oposição, Marcia Viviane, criticou os cortes substanciais de recursos em quatro secretarias.
Antes das falas dos vereadores e das moções de aplausos, foi colocado em pauta a discussão de vários projetos de lei, como o Selo Motorista de APP Amigo do Autista e outras pessoas com deficiência, o Dia Municipal do Associativismo, Dia do Rosário da Virgem Maria, dentre outros assuntos.
Em sua fala, Adinilson Pereira lembrou da audiência pública sobre o Dia da Bíblia que logo mais, às 19 horas, foi realizado no auditório da Câmara de Vereadores, com a participação de diversos pastores da cidade.
Na ocasião, Pereira informou ao público em geral sobre os serviços de manutenção de ruas que estão sendo executados pela prefeitura nos bairros de Lagoa das Flores, no Periperi e Cabeceiras. Disse ter indicado ao Gabinete Civil do poder executivo a recomendação de obras de pavimentação nos distritos de José Gonçalves e São Sebastião, usando os recursos do empréstimo de 400 milhões de reais aprovados recentemente pela Casa.
O parlamentar Luis Carlos Dudé anunciou que das suas emendas impositivas estaria destinando quase 600 mil reais para serem investidos na cultura, em atividades festivas religiosas e para o setor da saúde. Ressaltou também que está trabalhando junto a deputados no sentido de que eles destinem verbas de suas emendas para a conclusão da reforma da Feirinha do Bairro Brasil.
A vereadora Marcia Viviane usou a tribuna para criticar os cortes no orçamento das secretarias de Saúde, Mobilidade Urbana, Serviços Públicos e Agricultura para o exercício de 2026, num valor superior a 180 milhões. Ela declarou que esses cortes da Prefeitura Municipal em pastas importantes são preocupantes.
NO PAÍS DAS DOAÇÕES
Não que seja contra a dar algo de material às pessoas mais carentes ou um prato de comida a quem está passando fome. Não é isso, mas essa “febre” de doações, onde o Brasil se tornou no país do dar, no sentido assistencialista, não significa inclusão social, ou ascensão de classe de quem vive na miséria.
Pode-se dar o nome de caridade ou solidariedade para com o próximo, atitude que, culturalmente, tem um toque de religiosidade. Existe aquele tipo de doação momentânea que ocorre em determinadas circunstâncias, como em casos de tragédias quando vítimas perdem seus bens e o de época, como final de ano, nas costumeiras campanhas de Natal.
Neste período se ouve muito o “faça uma pessoa feliz”, dando um brinquedo para uma criança, ou alguns itens alimentícios para a ceia da noite. Quem recebe sente aquela sensação de felicidade, só que passageira, porque depois o beneficiado vai continuar se sentindo um lixo excluído socialmente.
É como um sonho não realizado. O verdadeiro seria mesmo viver num país igualitário, com oportunidades para todos, onde não mais existissem essas filmagens de campanhas de doações. Não mais essa nossa gente sendo usada para muitos pousarem de bondosos e caridosos.
Me desculpem, mas existe muita filosofia barata no que diz respeito a ser feliz nesses bordões característicos das campanhas de doações. Nem todos, mas muitos dão alguma coisa para ficar bem na fita, ou na imagem, e outros como se fosse uma remissão dos seus “pecados” durante o ano.
Nossa sociedade é muito hipócrita e podre, do tipo que morde e depois assopra. Com seu egoísmo, de cultura burguesa-capitalista, ela mesmo é criadora da pobreza e da miséria e, consequentemente, da violência gerada pelo banditismo. A maioria acha que “bandido bom é bandido morto” e nem tem consciência que foi o próprio sistema que o apoia quem criou o “monstro”. São benfeitores e algozes ao mesmo tempo.
Dar um objeto ou uma cesta básica por ano não custa muito e serve para se dizer que se sente “feliz” em fazer o bem a alguém necessitado, marginalizado e excluído da sociedade. No entanto, rejeita qualquer política pública de distribuição de renda. A maioria não quer ver o pobre crescer e entrar como cidadão no mesmo ambiente que ele frequenta.
Então, inconscientemente, neste país do se dar, expressa o desejo de que a pobreza jamais se acabe, senão não haverá mais aquele momento de “felicidade” no ato da doação e ganhar um lote no reino dos céus. Estou salvo por ter feito a minha parte – assim pensam muitos quando atendem ao apelo da doação.
Desde quando me entendo por gente, as “esmolas” só crescem e, junto com elas, aumenta cada vez mais a pobreza e a ignorância. Nossos governantes, nos últimos tempos, gastam muito mais com a política do dar, do que com a política da inclusão do ensinar pegar o peixe.
Instituições, organizações, entidades e corporações sempre estão nessa linha de frente das doações em datas festivas, principalmente em final de ano, para fazerem suas médias e até mesmo mascararem suas imagens de “caridosos”, quando, na verdade, são o tempo todo excludentes, discriminatórias e punitivas contra os próprios pobres. São ações e comportamentos paradoxais e contraditórios.
A ESQUERDA ESTÁ SENDO ENGOLIDA PELO VELHO DISCURSO DE SEMPRE
A manifestação em Vitória da Conquista, realizada no último domingo, na Feirinha do Bairro Brasil, contra a bandidagem dos deputados da Câmara foi uma total decepção, com pouco mais de 100 pessoas, sem contar os velhos discursos desafinados, xingamentos, intolerância e ódio. São aquelas mesmas pessoas o tempo todo falando de Bolsonaro com aqueles bordões batidos. “Falem mal de mim, mas falem”.
Esses protestos em Conquista estão ficando cada vez mais vazios, carecendo de uma maior organização e estrutura. Cadê as participações das militâncias dos principais partidos políticos de esquerda, a presença dos deputados estadual e federal, dos estudantes, dos movimentos sociais através de suas associações e sindicatos, dos professores e da massa em geral? Muitos preferem ficar fazendo suas elucubrações filosóficas e passando mensagens na internet.
O único pronunciamento equilibrado foi o do Dr, Ruy Medeiros que, indiretamente, mandou um recado para as esquerdas, muitos dos quais conluiados com as elites da extrema direita e fazendo acordos que só servem aos seus interesses particulares. São alianças com o diabo.
Ele focou na questão das mudanças de atitudes, no sentido de se colocar novamente o povo nas ruas, fazendo uma analogia aos tempos do samba, do pandeiro e do tamborim. Com isso, Medeiros quis chamar a atenção para a necessidade de se voltar a trabalhar as bases populares, e que não basta ficar passando mensagens e textos nas redes sociais.
Durante sua fala, Ruy Medeiros centrou fogo contra o Congresso Nacional onde seus membros prestam um desserviço nojento ao Brasil, com projetos que visam blindar a bandidagem em conluio com as organizações criminosas. Praticamente não se referiu ao Bolsonaro que está preso por liderar uma tentativa de golpe de Estado e disse desejar a volta do samba, do pandeiro e do tamborim.
Sem contar a pouca participação dos conquistenses no protesto contra o parlamento federal, numa cidade de cerca de 400 mil habitantes, os discursos dos mesmos continuam arcaicos e até desencontrados que, ao invés de somar, desagrega. São falas que a população está cansada de ouvir, sem considerar que se colocam no mesmo nível do outro lado da extrema.
O que mais se ouviu foi sobre a prisão do ex-presidente capitão, de que ele está recolhido numa sala confortável, do tipo suíte, com direito a “mordomias”, quando deveria estar numa cadeia comum. Ora, essas pessoas, por propósito de querer enganar os outros, ou desinformação mesmo, esquecem que se trata de uma prisão distinta pela sua condição como “autoridade”, e isso está na lei. Lula quando foi detido também recebeu o mesmo tratamento.
Com esses velhos discursos de uma militância que precisa mudar sua linguagem e suas atitudes, saindo da teoria para a prática, de modo a atrair as bases, as esquerdas estão sendo engolidas pela extrema direita. Precisamos restaurar a Aliança Nacional Libertadora (ALN), instalada no Rio de Janeiro, em 1935.
Com intolerância e ódio vamos nos nivelar ao outro lado, sem citar aquela gente dos longos textos filosóficos e marxistas que não surtem mais efeitos, principalmente entre o povo que não acredita mais na política e considera todos como “farinha do mesmo saco”. Enquanto se falava dos ladrões do Congresso, ouvi de um transeunte de que “Lula também é ladrão”.
Ruy Medeiros fez duras críticas à Câmara Federal, ao Senado, às assembleias estaduais e às câmaras de vereadores, que se fecharam em si, com suas bancadas aliadas ao sistema capitalista do agronegócio, à turma da bala, do setor financeiro, do fanatismo evangélico e das quadrilhas organizadas das bandidagens.
As eleições estão se aproximando e essa esquerda precisa urgentemente mudar de postura, no discurso e nas atitudes. Temos que voltar às ruas através de suas mobilizações populares, com uma nova roupagem e linguagem, bem como, apresentar seus projetos, se é que existem, para que a população volte a acreditar num Brasil melhor, honesto, ético e unido.
Caso contrário, com esse discurso arcaico e mofo, distante do povo, as esquerdas serão engolidas por essa extrema direita conservadora de fanáticos, que nada têm de patriotas como alardeiam aos quatro ventos. Precisamos de lideranças que unam a nação e não de discursos que só desagregam.
Infelizmente, temos hoje um Brasil dividido, inclusive entre as instituições, caso do Supremo Tribunal Federal (STF). Para sermos realistas, existem políticos e personalidades da esquerda com desvios de condutas (o pau que se dá em Francisco, também se dá em Chico) onde a extrema se aproveita disso para ganhar mais espaço e ocupar o poder.
A REPRESSÃO DO ESTADO NOVO E A FILMAGEM DE BENJAMIM ABRAHÃO
A partir de 1930, quando Getúlio Vargas assume o poder através de um golpe, os cangaceiros passaram a não ter aquela vantagem a mais com as forças das volantes em termos de armamentos. Vieram as estradas com automóveis e ônibus, o sistema de transmissão de rádio e o Nordeste começou a se modernizar com a introdução de indústrias e meios de transporte de locomoção entre as cidades.
Essas mudanças não foram nada boas para o cangaço, mas, no início, o chefe Lampião e seus bandos conseguiram driblar esses novos tempos. No entanto, a forte repressão entre os estados, com qualificação das volantes, a introdução da submetralhadora e a ditadura imposta pelo Estado Novo, em 1937, enfraqueceram o banditismo. O Estado Novo foi um dos primeiros responsáveis pela “morte” de Lampião.
Três anos antes da sua morte, em 1938, Lampião não era mais o mesmo nos combates e vivia como se fosse um burguês cheio de ouro, da cabeça aos pés. Desde 1926/27, quando o Governo de Pernambuco mandou prender os coiteiros e ele fugiu, em 1928, para a Bahia, a revolução de 1930, os acordos interestados para reforçar as tropas, em 1926 e 1935, até a filmagem da sua vida no cangaço pelo sírio Benjamim Abrahão Calil Botto, em 1936, dizem os historiadores que Lampião sofreu várias mortes físicas.
Mesmo assim, em fins de 1929, em marcha vertiginosa, penetra nas cidades de Sergipe, sob a proteção do coiteiro Eronildes Carvalho, despachando para Pernambuco, Alagoas e Bahia seus grupos. Os movimentos revolucionários de 1930 e 32, que acarretaram desorganização na campanha repressora, facilitaram a ação do cangaço a praticar seus atos de violência. Em 1932, por exemplo, muitas tropas se deslocaram para São Paulo, deixando o Nordeste desguarnecido.
A fama tomou conta da cabeça de Lampião, que ficou deslumbrado com o poder. Antes era proibido o uso do álcool em seu bando. Depois entrou a cachaça, a genebra Gato, a “zinebra” sertaneja. Para seu estado-maior, o Old Tom Gin e, para ele, o White Horse. Abrahão, ex-secretário do “Padim Ciço”, de Juazeiro, convenceu que ele deixasse ser filmado com seu bando. O cinegrafista recolheu, entre março e outubro de 1936, um longo documentário sobre o dia a dia da vida do cangaço e isso irritou o governo federal.
Este documentário provocou a ira do Estado Novo (As fimagens foram recolhidas), mas antes disso, Getúlio Vargas e o seu Departamento de Imprensa e Propaganda, o chamado DIP, comandado por Lourival Flores, já vinham agindo com sua força repressora contra o cangaço e os movimentos dos beatos no Nordeste.
Sobre estas questões políticas, sociais e históricas, o escritor e estudioso no assunto, Frederico Pernambucano de Mello, autor de o “Guerreiros do Sol”, descreve que o combate na gruta do Angico (Sergipe) encarta-se no ciclo de ferro e fogo da repressão do Estado Novo a movimentos populares considerados arcaicos, que têm início não com o 10 de novembro de 1937, mas logo após o levante comunista de 1935, quando o aparelho repressor começa agir com base no regime implantado pela vigência da nova Constituição de 1934, a Polaca.
Desde 1935, a questão do cangaço ocupava a pauta de homens de estado em sintonia com os propósitos da repressão, como é o caso de José Martiniano de Alencar, presidente da província do Ceará, que propôs ao seu colega de Pernambuco, Manuel Paes de Andrade, que as tropas ignorassem a fronteira comum quando em perseguição aos bandidos.
Quanto aos movimentos populares, Frederico cita, como exemplo, o massacre do reduto de beatos do sítio Caldeirão, em 1936, na Serra do Araripe, no Ceará, tendo à frente o místico José Lourenço. Nessa época já se mantinha a imprensa na focinheira. Em 1938, o extermínio foi contra os beatos agrupados em torno do “santo” Severino Tavares, no sítio Pau-de-Colher, município de Casa Nova, na Bahia. Quatrocentos ingênuos foram sacrificados. Foi a última Canudos.
Duas ações contribuíram para a extinção do clima social e político favorável ao cangaço. Uma foi a relativização do valor da fronteira interestadual e a outra foi a quebra da inviolabilidade do latifúndio com o desmantelamento dos “coronéis” e dos coiteiros.
Tanto Lampião, como seu assassino João Bezerra da Silva, conforme relata Pernambucano de Mello, são produtos acabados desse laboratório cultural sertanejo que viveu por séculos em completo isolamento.
“No quebrar da barra do dia 28 de julho de 1938, atacado em quatro frentes por forças do estado de Alagoas, no comando do tenente João Bezerra, cai Lampião, juntamente com Maria Déa e mais nove cabras”. No meio se achava o fiel lugar-tenente Luis Pedro. Os soldados exultavam por ter atingido o “tigre dos sertões”.
No imediatismo da ação militar, tudo começou com a denúncia do vaqueiro Joca Bernardes, da fazenda Novo Gosto, à prisão, tortura e decorrente delação do também coiteiro Pedro de Cândido. Para os onze bandidos mortos, inclusive o chefe, perdeu-se apenas um soldado. O combate durou cerca de 15 minutos quando, em tempos passados, durava horas e até um dia ou uma noite.
Muitos fatores ajudaram nesse extermínio. Mello aponta a exiguidade de espaço da gruta, concentrando dezesseis toldos armados, num procedimento desaconselhável. O pouso de Lampião foi em coito de uma só saída, segundo relatos de cangaceiros sobreviventes. Corisco teria dito que Angico era uma “cova de defunto”. Além do mais, a grota fica próxima à cidade de Piranhas, sede, na época, de grande número de volantes.
No final de sua vida, Lampião (foi morto com 40 anos) já sofria de reumatismo, dores renais, mau-humos, fadigas no corpo, displicência e problemas no olho esquerdo e direito. As doenças começaram a minar a sua carcaça onde se alojava meia dúzia de balas antigas. Andava com um tubo de estricnina e um frasco metálico de gasolina, para se matar e queimar sua fortuna caso ficasse cego. “Não vou deixar nada para os macacos”.
E quem era João Bezerra? Nascido na mesma região de Lampião, em Afogados da Ingazeira (Pernambuco), primo de Antônio Silvino, com quem aprendeu a atirar, sua vida foi pautada por fatalidades, como sujeito e objeto do jogo político e social nordestino.
Por causa de umas surras que tomou do pai, fugiu para Recife e depois para Jaboatão onde trabalhou em pedreiras. Em suas andanças, conheceu uma tia e terminou, por recomendação do próprio pai, indo para Maceió (Alagoas) onde se alistou como voluntário no serviço militar, em 9 de março de 1922.
COM QUE ROUPA?
(Chico Ribeiro Neto)
Minha primeira calça comprida, que ganhei aos 11 anos, usei durante um mês sem deixar mamãe Cleonice pegar pra lavar. Calça comprida era uma grande conquista.
A farda do Ginásio São Bento, cáqui, era muito sem graça. Depois, o azul e branco do Colégio Central da Bahia eram mais livres e animados, principalmente pela presença das meninas. A primeira mulher que apareceu no São Bento foi uma professora de Francês. Belos joelhos. Foi no Central que comecei, em 1968, a lutar contra a ditadura militar que esmagava o Brasil.
Menino de farda não entrava no cinema. Mas aí era só tirar o escudo (preso por um clips no bolso da camisa) que o porteiro deixava entrar. Uma fiscalização “faz de conta”. O porteiro sabia que era um estudante, mas o dinheiro falava mais alto.
Tem gente que não usa roupa dos outros por dinheiro nenhum, principalmente se a roupa for de alguém que já morreu. Acham que a roupa traz um pouco da alma do antigo dono.
Lá em casa a roupa ia passando. Luiz, o mais velho dos quatro filhos de Waldemar e Cleonice, comprou uma camisa Volta ao Mundo, aquela de nylon que não precisava passar ferro. Essa camisa percorreu uma grande rota, pois de Luiz passou pra Zé Carlos, depois foi Cleomar e foi terminar em mim, já amarela no sovaco, mas inteira.
Meu pai só tinha crediário na Renner, na Avenida Sete de Setembro, onde eram compradas minhas calças compridas. “Tá grande, meu pai!” “Você tá crescendo ligeiro e sua mãe vai fazendo a bainha. Vai levar essa mesmo”.
Tem um famoso cantor brasileiro que tem pavor a roupa marrom e já expulsou do camarim um repórter que foi entrevistá-lo usando uma camisa dessa cor.
Primeiro encontro com a namorada. “Vou com que roupa?”. Noel Rosa cantou: “Com que roupa que eu vou/ Pro samba que você me convidou?”
Tinha um amigo adolescente que, quando ia pro cinema com a namorada, rasgava o bolso da calça e lá no escurinho perguntava se ela queria drops. “Então pegue aqui”, mostrava o bolso, e ela acabava pegando em outro drops.
(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)
O ANEL VIÁRIO E A ROTA DO LIXO
Meu amigo “Zé Maria”, do Movimenta Conquista, a duplicação da BR-116 é para inglês ver. Deveríamos concentrar nossas forças para a construção de viadutos e passarelas no Anel Viário em torno da cidade. Esses pontos (zonas sul, oeste, leste e norte) se tornaram em passagens da morte. Quando fizeram o Anel, há cerca de 30 anos, prometeram fazer estas obras e até agora nada, só armengues, e agora umas sinaleiras da prefeitura que não solucionam o problema. São apenas paliativos. Na boca do sertão, quem sai de Conquista para Anagé e Brumado, no sapé da Serra do Periperi, entre o Bairro Senhorinha Cairo e Henriqueta Prates, nossas lentes flagraram o tormento dessa travessia para motoristas e pedestres. É só confusão e, vez por outra, acontecem acidentes. Cadê os nossos políticos que, cinicamente, abrem a boca para dizer que estão trabalhando pelo povo. Conquista é uma cidade grande em termos de habitantes, mas pequena em sua infraestrutura.
Nesse trevo louco, sem viaduto e passarela, observei também que aquele local pode ser chamado de rota do lixo, a começar pela “Sucata Esperança”, que nada tem de esperança, mas de perturbação aos moradores da vizinhança. Além da zoeira das máquinas, o dia todo ela solta fuligem e poeiras tóxicas no ar poluindo as casas próximas. É um verdadeiro atentado à saúde pública. Cadê o poder executivo, o Ministério Público, a OAB e a própria Câmara de Vereadores que não tomam providências para relocalizar esse entulho para outro ponto distante da cidade. Além da sucata, ainda temos duas unidades de reciclagem do lixo, menos grave, mas que fazem parte da rota do lixo de Vitória da Conquista. Ainda tem gente idiota burguesa que chama aqui de “Suíça Baiana”. Essas pessoas não passam de alienadas que não conhecem as periferias da cidade, a maioria vivendo nas encostas da Serra do Periperi. Bem que essa rota do lixo poderia se transformar em mais um ponto turístico, já que aqui existem poucos para se visitar.
AS SECAS E OS BANDOS
Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Vejo pelas estradas e veredas
Levas de esfarrapados famintos,
Ao sol das labaredas,
Bandos enfeitados de cartucheiras,
Nas lágrimas secas das secas,
Balas varam quintais,
Coronéis derrubam cercas.
Êta Nordeste de guerreiros!
Infestado de bandoleiros!
Lá vem Antônio Silvino,
Ventania de um furacão,
No aço reluzente do cangaço,
Depois os bandos de Lampião,
Pelas secas dos Pereiras e Quelés,
Vinte e Dois, os Patriotas e Sabinos,
Jararaca, os Marianos e Porcinos,
Fechando lojas e até cabarés.
Nesta terra sofrida sem lei,
O bandido é o dono e rei.
Nas secas não existem feiras,
“Padim Ciço” derruba governador,
Pajeú, Cariri e Piancó das bagaceiras,
Há anos que não se colhe uma flor,
Neste agreste de tanta desgraça e dor.
As secas com seus bandos,
Os bandos com seus santos,
Com rezas de corpos fechados,
Os beatos com seus pobres rebanhos,
Cada cabra com seus comandos,
E nordestinos expulsos de seus cantos.
Chusmas de maltrapilhos,
Estirados pelo árido chão,
E os debilitados sobreviventes,
Em campos de concentração.
Meus versos não têm graça,
Oh, Senhor Deus dos desamparados,
Cadê sua divina Graça:
Deixar seus filhos morrem,
Nas florestas do ciclo da borracha?
Os bandos têm seus coiteiros,
Os chefes políticos, o poder,
E as secas parem os cangaceiros.
A Coluna Prestes passa,
No meio dessa confusão,
Querendo justiça social,
Mas o reacionário capital,
Metralha sua Revolução.
A marcha é arrastada difícil,
Dos levantes em busca de comida,
Sacrificam até suas crianças,
Para sustentar suas andanças,
No labirinto entre morte e vida.
As secas são implacáveis,
Como nas antigas guerras romanas,
Acossadas pelos bandos desumanos.
É arder no caldeirão do inferno,
De almas na espera
Das chuvas de inverno.
O último bando foi de Corisco,
As secas continuam por séculos,
E eu por aqui fico,
Sem mais nenhum rabisco.
O CONGRESSO NACIONAL DEVERIA SER CASSADO PELO POVO BRASILEIRO
Vergonha é pouca coisa com o que está acontecendo de escandaloso no Congresso Nacional, com pautas aprovadas nas caladas das madrugadas que protegem interesses próprios deles mesmos e livra da cadeia criminosos que tentaram dar um Golpe de Estado e instalar uma ditadura militar no país. A cassação do deputado Glauber Braga é injusta e não passa de um revide da oposição com relação a Eduardo Bolsonaro e a Carla Azambelli. São fatos totalmente diferentes.
Seus membros agora estão ensaiando uma anistia para os golpistas e querem o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Na verdade, esse Congresso de 513 deputados e 81 senadores, o pior de toda história do Brasil, deveria mesmo era sofrer um processo de impeachment por parte do povo brasileiro por falta de decoro parlamentar, mas todos sabem que isso não é possível, além de ser uma iniciativa surreal. As imagens bizarras dizem tudo.
UM SILÊNCIO PERTURBADOR
Nação dividida, ódios repartidos, nazifascismo e instituições corrompidas. Povo desvalido, fanáticos de Bíblia nas mãos, alienação, jovens perdidos sem cartazes nas mãos e pobres na tocaia de uma doação. Emboscadas da violência, sangue no asfalto dos assaltos e multidões sem guias. O futebol é o nosso deus da ocasião. O agro é o nosso salvador, ou devastador. O silêncio é perturbador.
Nem eu mesmo sei o porquê desse jogo de palavras relativas ao nosso cenário de horror. Talvez esteja me sentindo perdido quando vejo cenas vergonhosas, impactantes e chocantes em nosso país, quando o Brasil não merecia passar por tão vergonhosa estupidez, gestada das barrigas desses poderosos, mas a questão é secular.
Fomos ao longo desses séculos de mais de 500 anos acumulando desmandos, corrupções, promessas não cumpridas, princípios dissolvidos pela ganância do poder, ao ponto de o brasileiro não acreditar e confiar mais em ninguém. Ele se tornou um insensível e perdeu a dignidade de se indignar com os absurdos.
Sempre falamos de fundo do poço, mas nesse poço sempre existe mais fundo, como é o caso do nosso Congresso Nacional que só faz piorar. Bandidagem é pouca coisa para descrever essa tropa, ou bando, que hoje, por incrível que pareça, governa o nosso país, não como um legislativo decente, mas como cabras de cangaceiros tresloucados.
Para o bem da nossa democracia, esse Congresso Nacional de desvairados, de projetos fascistas e retrógradas, poderia muito bem ser dissolvido, pelo menos por uma temporada, ao tempo em que todos fossem enviados para uma clínica psiquiátrica de desintoxicação de substâncias químicas corrosivas ao organismo social.
Porque não um pedido de impeachment de todo Congresso Nacional que só tem nos feito mal? Todos eles ficariam inelegíveis por oito ou 12 anos, inclusive seus descentes. Com o tempo seriam esquecidos e nisso o nosso povo brasileiro é craque porque é desmemoriado.
Não a uma ditadura, mas teríamos de encontrar uma fórmula de exercitar nossa liberdade, contanto que esse Congresso, coiteiro de bandidos e malfeitores, fosse banido, registrado apenas nas páginas da história para que nunca mais se repetisse.
É este o Congresso que queremos, dividido em bancadas de interesses onde eles mandam e a população obedece como escrava? Pelos nossos pecados e omissões, bem que merecemos esse espetáculo de horrores. Todos nós somos cumplices.
Estamos colhendo o que plantamos, mas os governantes de um modo geral são os maiores culpados por termos hoje em nossos quintais essas plantas venenosas e carnívoras.
Nossa gente sempre foi conduzida como boiadas submissas e escravas da ignorância. Essas cuias de esmolas nunca criaram cidadãos conscientes politicamente de suas escolas que fizeram. É o alto preço que estamos pagando e não adianta ficar aqui fazendo elucubrações filosóficas, sociológicas, marxistas ou citando altos intelectuais para explicar o inexplicável. Tudo é muito simples de entender, basta ter o equivalente ao primário escolar de antigamente.
Para se galgar ao poder, o caminho sempre foi fazer alianças com o diabo belzebu das elites burguesas, conservadoras, extremistas e fundamentalistas do “evangelho”. Essa mistura indigesta com os chifrudos dos infernos terminou gerando monstros do banditismo.
DIA MUNICIPAL DO SANFONEIRO
Mais do que justa a discussão em torno da instituição do Dia Municipal do Sanfoneiro e Sanfoneira (1º de junho), em Vitória da Conquista, como forma de resgatar a história da nossa cultura nordestina e valorizar o nosso São João, tão descaracterizado nos últimos anos.
Esse tema foi uma das pautas discutida ontem (dia 10/12) na sessão da Câmara de Vereadores, além de outros projetos, como a alteração do artigo 1º da lei número 2.485, de 9 de junho de 2021, que cria e inclui no calendário oficial de eventos do município a Semana Municipal do Cooperativismo, bem como a Semana Municipal de Saúde Mental nas Escolas.
A vereadora Lara, durante a sessão, apresentou um vídeo sobre investimentos públicos do Estado da Bahia como líder no Brasil. A parlamentar, no entanto, rebateu dizendo que a Bahia é líder em violência, em impunidade, na violência contra a mulher, é líder de pessoas vivendo do Bolsa Família e líder em pior qualidade de vida no Nordeste. Acrescentou que para isso o governador Jerônimo vem quebrando o estado com empréstimos de 26 bilhões de reais.
O parlamentar Andreson parabenizou o produtor cultural Vadinho Barreto e lembrou da audiência pública do dia 12 próximo (sexta-feira), a partir das 19 horas. Na ocasião, lembrou da vigília de artistas na porta da Casa Glauber Rocha e exigiu a reforma e abertura do imóvel. Repudiou o ato vergonhoso que ocorreu no Congresso Nacional contra o deputado federal Glauber Braga do PSOL, que está na mira de uma cassação injusta.
Andreson também falou sobre o comércio varejista, desejando boas vendas. “Pelo menos a prefeita prorrogou as medidas que seriam aplicadas nas cobranças da Zona Azul. O comércio precisa é ser fortalecido porque gera renda e empregos”.
Cris Rocha destacou, em sua fala, o Bairro Lagoa das Flores, ao informar que será beneficiado com o projeto de revitalização da quadra poliesportiva, contando com apoio do deputado estadual Jean Fabrício. “Nossa intenção é transformar a quadra num espaço esportivo de qualidade, e o deputado colocou recursos do seu mandato para a concretização desse projeto que irá beneficiar os moradores”.
NAS PANCADAS DA METEOROLOGIA
De uns tempos para cá ando com receio de acompanhar a moça do noticiário dos serviços de meteorologia e outras previsões do tempo no Google e veículos de comunicação. Antes não passavam de avisos sobre chuvas e sol em alguns pontos dos estados brasileiros, sem muitos transtornos. Hoje, a meteorologia já entra dando pancadas que nos fazem levantar do sofá.
Estava aqui pensando com meus botões: Seria melhor desligar a televisão quando o apresentador anuncia que agora vamos assistir as previsões do tempo. Não adianta. Agora aparece no Zap: Alerta de tempestade. Prenuncio de raios, trovões e ventos de até 100 quilômetros por hora. Ficamos logo com o psicológico abalado e tenso.
Esses sinais soam como aquelas sirenes de guerra de que dos céus vão cair bombas. Todos para os abrigos, mas não temos essas proteções no Brasil, a não ser se enfiar debaixo da cama.
Além da violência humana, agora temos que lidar com a fúria da natureza, criada pelo próprio homem. É paradoxal, mas somos autores da nossa autodestruição. Deu nisso, sermos considerados como espécies “racionais”. Será que a culpa está no Criador?
Agora com o aquecimento global, que a humanidade ainda não caiu a ficha que nele estamos vivendo, todos os dias só ouvimos e lemos comunicados de tempestades, ciclones e tornados com ventos de 100, 200 e até 300 quilômetros por hora, sem contar as previsões de deslizamentos de terras e queda de granizos.
O serviço de meteorologia se tornou um terror em nossas vidas, principalmente nas cidades de aglomerados que se derretem como sonrisal, tanto nas pequenas como nas grandes estruturas. Ciclones e tornados no sul e centro-oeste, que logo estarão atravessando o Nordeste.
Tudo isso tem suas causas e sabemos disso, mas fazemos de conta que está tudo normal nas mudanças climáticas, as quais os negativistas dizem serem falácias. Enquanto isso, são desastres por todos os cantos do planeta.
O clima ficou doido e imprevisível, meu amigo, e as estações se misturaram umas com as outras. A primavera e o verão esfriam repentinamente e tudo se torna inverno que, por sua vez, inventa se esquentar e bate aquele calor. Não existe mais aquela passagem de bastão entre uma estação e outro. O outono ficou para trás e entram invernos tardios, uns curtos e outros longos.
A umidade do ar está cada vez mais baixa, o tempo nublado vira rapidamente, e vice-versa. Com essa confusão, o nosso organismo vira uma bagunça e haja doenças respiratórias e mais vírus no ar que até a medicina não consegue decifrar e diagnosticar.
Catástrofes, tragédias, enchentes, terremotos, inundações em cidades e campos, mortes e desalojamentos se tornaram normais. Se vivo fosse, meu pai diria que é o fim do mundo, que se transformou num formigueiro de gente.
Os filmes de ficção não são mais extremos de suspenses para atrair audiências de bilheterias. Não são mais exageros dos cineastas. São realidades que já vivemos no dia a dia. As nações pobres e mais vulneráveis eram as mais atingidas, mas está chegando a vez dos ricos, os mentores desse aquecimento global ou solar.
Sobre a COP30, de Belém, no Pará, (mais uma conferência fracassada), nem se comenta mais sobre o assunto. Depois do turismo e das gastanças consumistas, cada um foi para sua casa produzir mais lixo. É final de ano e vamos cair na luxúria das bebidas, comidas, festas, bacanais e jogar mais gases tóxicos no ar.
É, meu camarada, a impressão que tenho é que os noticiários sobre as previsões meteorológicas estão competindo meio a meio com os de violência de bandidos, corrupções, as ações de golpistas na internet, acidentes com mortes no trânsito, sem falar das bandidagens no Congresso Nacional, nos legislativos estaduais e nas câmaras municipais. Por falar em Congresso, vergonha é pouca coisa. Pelo bem da nossa democracia, essa Casa bem que merecia ser dissolvida. Ela é uma ameaça.
O mal é que quase todo mundo só gosta de ouvir e ler coisas boas e prefere esquecer as ruins, mas, quer queira ou não, as más notícias estão aí em nossas vidas, no nosso cotidiano, nos rondando e rosnando como leões famintos para nos consumir.
Enquanto não acontece com a gente, tudo é uma maravilha e a vida é bela. Os lamentos e choros dos sofrimentos dos outros não nos tocam tão fortes em nossos corações como antigamente. É vida que segue, como se diz por aí. No entanto, quando ocorre com um de nós, o “buraco é mais embaixo”, a dor é bem maior e duradoura. Ás vezes, são marcas que nunca curam.
Parece que comecei pela avenida da meteorologia e entrei em outras ruas, travessas e becos, mas elas estão todas ligadas, uma na outra. São quarteirões do mesmo espaço existencial. Com esse tempo confuso de mudanças repentinas e inesperadas, lá se foi o meu ponto estratégico, mas faz parte da vida.























