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:: 18/dez/2025 . 23:22

É NESSE DIA

(Chico Ribeiro Neto)

Esse dia é o dia em que camelos voarão sobre o Saara e elefantes nadarão no Porto da Barra.

Nesse dia as flores vão acordar mais cedo para mandar embora o medo.

Caramujos vão invadir as sinaleiras levando novas cores: branco, azul e violeta.

Nesse dia todo mundo vai amanhecer cantando uma cantiga daquelas de quando era pequeno.

Gaivotas levarão seus boletos para uma ilha deserta.

Nesse dia não tem compromisso, nada com isso, e todos vão dançar com a banda BaianaSystem Não tem dentista nem problemas à vista, tudo é conquista.

Velhos, crianças e adultos vão correndo dar um mergulho no mar.

Nesse dia não tem não nem talvez, não tem senão nem porém.

Sabiá vai cantar na janela e vou ganhar um beijo dela.

Plantas vão romper o asfalto e vai cair uma chuva fininha.

Nesse dia beberemos o vinho tinto que escorre da montanha,

Mangas (rosa e espada), melancias, cajás, umbus e cajus vão rolar nas ladeiras de Salvador.

Fartura de acarajé, abará e peixe frito em cada esquina.

Ouviremos uma música lá longe.

No final do dia, um pombo branco vai cagar na cabeça de Dom Pero Fernandes Sardinha, na estátua da Praça da Sé.

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

 

TEM DE TUDO NA FEIRINHA

As feiras nasceram com as primeiras tribos humanitárias de agricultores, classificados como sedentários, diferente dos caçadores e coletores que eram nômades. São tão antigas quanto a humanidade e surgiram da necessidade da troca de seus produtos entre as pequenas comunidades. Elas existem em qualquer parte do planeta, incluindo as grandes metrópoles, e sobrevivem ao mundo moderno das tecnologias, desde a criação dos armazéns, das lojas comerciais, dos supermercados e até dos mercados virtuais. Não existem cidades, vilas e distritos que não tenham a sua. Nas grandes são várias, como é o caso de Vitória da Conquista, mas sempre tem uma que entra nas graças de seus moradores. Em Salvador é a Feira de São Joaquim. Em Conquista é a Feirinha do Bairro Brasil, a mais famosa e graciosa, considerada patrimônio cultural da cidade. Aliás, toda feira é um palco livre da nossa expressão cultural, como a nossa histórica Feirinha onde se encontra de tudo, desde boxes de carnes, peixes, frutas, verduras, bebidas (cachaças), um caldo de cana com pastel (para quem aprecia o pastel), temperos, cereais em geral, a utensílios usados de casa, roupas, sapatos, ferragens, artesanatos, mesas, cadeiras, objetos de uso pessoal e um monte de bugigangas, superando os supermercados, com o diferencial que na feira o cliente pode pechinchar os preços. É gostoso passear na feira e fazer suas compras ao ar livre, sem estar empurrando carrinhos e pegando filas naquelas máquinas registradoras. Nos encontros com os amigos e conhecidos, até o papo na feira é mais prazeroso que o de um supermercado.  Na feira você não precisa ficar rodando entre prateleiras para encontrar um produto. As mercadorias ficam em bancas e até no chão. Além de ter de tudo, na feira existe muito mais calor humano e você pode até trocar um dedo de prosa com o vendedor, como se tornar freguês e selar uma amizade duradoura. Quando vou à feira, lembro dos meus tempos de moleque roceiro do interior onde fui até comerciante de farinha. A Feirinha do Bairro Brasil, por exemplo, tem algo de especial e é ali onde você se sente mais gente, mais humano e menos número e máquina. Trata-se de um ambiente mais social, bem mais popular, principalmente pela simplicidade da sua gente por onde circula. Nossas lentes flagraram esse colorido de imagens que não existe num supermercado.

CAVERNA VIRTUAL

Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Você é produto do meio,

Ilusão e devaneio,

Nessa caverna virtual,

De morcegos vampirescos,

Dentes dantescos,

Que sugam seu sangue,

Até a medula cerebral.

 

Desculpe companheiro,

Se meu verso não lhe agrada,

Pela lasca da pedrada.

Livre-se desse cativeiro,

Do influenciador superficial,

Seja mais racional

 

Fique aí em sua rede,

Com sua bicharada,

Como caça do caçador,

Nem sente mais fome e sede,

Alienígena social,

Do vazio virtual.

 

Ao invés de curtir na tela,

Veja a vista da sua janela,

Sua caverna virtual,

Cria taquicardia,

Morte lenta, passional,

Drogaria, psiquiatria,

Clique no amor presencial,

O resto é idolatria.

 

 





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