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:: 3/dez/2019 . 23:45

UM LUGAR SUJO E DESTRUÍDO QUE AINDA É CHAMADO DE PRAÇA

Bem em frente da Rodoviária de Jequié existe um espaço horrível em meio ao lixo, lama, capoeira, equipamentos enferrujados, um pequeno centro de informática completamente depredado e hoje utilizado por usuários de drogas, com um mau cheiro insuportável, que as pessoas que passam por ali ainda chamam de praça. Dizem que o nome dela é Santa Luzia, a protetora dos olhos.

Aquilo ali poderia ser chamado de a maior vergonha de Jequié, senhor prefeito Luiz Sérgio Suzarte Almeida, mais conhecido como “Sérgio da Gameleira”, do PSB, que tem o partido que não merece. Confesso que há muitos anos da minha vida, inclusive como jornalista, não tinha visto um lugar tão depredado e abandonado como aquele, que é um atentado à saúde pública pela quantidade de imundices, lixo por todo canto e mato que virou capoeira.

Estive em Jequié neste final de semana participando da Festa Literária e fiquei hospedado num hotel bem em frente da dita “praça” que está mais para entulho. Cheguei na sexta-feira em final de tarde e, como já estava atrasado para o evento, não observei o local. No outro dia, pela manhã, sai com minha máquina fotográfica para captar alguma imagem bonita e terminei me deparando com aquela cena de horror.

O estado da “praça”, meus amigos, é simplesmente deplorável, a começar por uma área de lama onde existiam uns equipamentos de ginástica. Mais à frente, um campo de futebol soçaite que se transformou numa capoeira que cobriu a pequena arquibancada, sem contar o lixo espalhado por todo lugar. Ao lado, uma pequena edificação destruída e umas barracas quebradas e sujas que já deveriam ter sido interditadas.

O local mais horroroso que vi e não consegui adentrar por causa do cheiro insuportável foi um pequeno prédio, com estilo de uma capela, onde já funcionou um centro de aprendizagem de informática para jovens, segundo disseram moradores que passavam por ali no momento.

Um funcionário do hotel também me informou que há, precisamente, 12 anos que a “praça” está naquele estado degradante. O único local que ainda funciona de forma precária é uma quadra de traves e telas enferrujadas. Como tantos outros lugares pela Bahia e pelo Brasil a fora, aquela obra que deveria servir a tanta gente, é mais um desperdício do dinheiro público dos impostos do nosso povo e ninguém toma uma providência.

Como um prefeito e prefeitos deixam uma praça chegar àquela situação tão vergonhosa! E ainda são eleitos e reeleitos! Seu “Sérgio da Gameleira”, a cidade de Jequié, a “Cidade Sol”, do poeta Waly Salomão e de tantas outras personalidades importantes, de tantas histórias, não merece um lugar tão feio e sujo! Está certo que vândalos saem por ai quebrando tudo, mas o poder público tem a maior parcela de culpa por não cuidar e zelar das obras feitas com o dinheiro da população.

A FORÇA DA RESISTÊNCIA CONTRA O RETROCESSO NA FESTA LITERÁRIA DE JEQUIÉ

Mesmo com algumas mesas de plateias vazias, como na de sábado, no final da tarde, em “Um dedo de prosa, poesia e lançamento de livros”, mediada pela professora da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb e coordenadora do Páginas Formando Leitores, Marvione Borges, onde contou com a participação de menos de dez pessoas, a palavra resistência contra a política de retrocesso do governo federal na área cultural foi a marca de força durante a IV Festa Literária Internacional do Sertão de Jequié (Felisquié).

O evento, cujo curador foi o escritor Domingos Ailton, autor do livro “Anésia Cuaçú”, foi aberto no dia 28 de novembro e encerrado em 1º de dezembro com mesa redonda “Devir e Ancestralidade em Poéticas Negras”, tendo como palestrante o escritor Jocevaldo Santiago e mediação da professora Karla Carvalho. No mesmo dia, pela manhã, foi ainda desenvolvido o tema “Leituras no Cárcere”, com a professora da Uneb, Kátia Barbosa. O jornalista, poeta e escritor jequieense Wilson Novaes foi o homenageado.

Escritores regionais e poucos recursos

Os escritores regionais que se deslocaram até Jequié para apresentação de suas obras e a venda das mesmas ficaram frustrados com a pouca procura, já que só tiveram a cobertura da hospedagem e alimentação, tendo que arcar com o transporte e não tiveram um cachê para cobrir os custos. O organizador Ailton justificou que teve recursos limitados da Secretaria de Educação do Estado e da Uesb, por isso não teve condições de contemplar os artistas regionais.

Neste momento atual, quando o problema é grave em se tratando de recursos para financiar a cultura, que virou inimiga do Estado, os escritores regionais são a parte mais sacrificada da história pela falta de maior visibilidade e porque não dispõem de recursos para bancar suas despesas e participar dessas feiras literárias. Por estes motivos, muitos, que gostariam de estar presentes, terminam por desistir de viajar e ficando de fora.

Esses novos talentos regionais da arte literária precisam de mais espaço e serem melhor tratados pelos curadores, mesmo diante da escassez de recursos. Tenho observado que estes eventos, ainda realizados por algumas cidades do Brasil e da Bahia, têm sido muito elitizados e fechados para autores famosos e mais conhecidos. Os curadores precisam dar mais espaço para os regionais, mesmo diante das dificuldades de se conseguir apoio de patrocinadores do setor público, tendo em vista que o empresário praticamente não ajuda a cultura neste país.

Outro problema é o esvaziamento do público local. Em Jequié, por exemplo, os participantes são, na maioria, parentes (pai, mãe, avós, tios) ou amigos mais próximos dos palestrante e escritores convidado. Quando termina aquela mesa, todos pegam suas pastas e bolsas e vão embora, ficando apenas os organizadores e alguns minguados interessados para quem é de fora da cidade.

Vazios nos debates

Alguns debates ficaram vazios na Festa de Jequié, o que demonstra a falta de interesse pela cultura, que pede socorro em estado terminal, numa clara contradição quando se fala em resistência contra o retrocesso no país. Ainda tem gente que critica quando uma mesa de discussão foca na questão da resistência, como foi a formada na sexta-feira, 29 de novembro, em “Um Dedo de Prosa, Poesia e Lançamento de Livros”.

Participaram desta mesa, mediada pela professora Ana Fagundes Marcelo, os escritores Carvalho Neto, com o livro “Plástico Bolha”, Marcio Nery, com a obra “O Assassino dos Números”, Luís Rogério Cosme, escritor de “Democracia Golpeada”, Dirlei Bonfim, poeta, compositor e professor, com “Alquimia das Palavras”, Sandro Suçuarana, poeta de “Diferencial da Favela – dos contos as poesias de quebrada”, poeta e escritor Antônio Ribeiro e o jornalista, escritor e poeta Jeremias Macário, com seus livros “Terra Rasgada”, “A Imprensa e o Coronelismo”, “Uma Conquista Cassada” e seu último “Andanças”.

A Festa Literária de Jequié também contou com a presença do músico, poeta e compositor Walter Lajes, na companhia de Macário, que não teve a oportunidade de apresentar suas cantorias musicais por falta de espaço apropriado. O evento teve uma grande variedade de temas, como “Leitura na América Latina”, com a historiadora Maria Teresa Toríbio, “Leitura e Mídias Sociais”, com vários palestrantes, “Literatura de Autoria Feminina”, com a professora Adriana Abreu, dentre outros.

Walter Lajes (direita), Domingos Ailton e a família Cuaçús Fotos de Jeremias Macário

No sábado, dia 30, pela manhã, houve o encontro da família dos “Cuaçus”, tendo como maior representante Vírginia Fernandes, com a mesa de comentários do escritor Domingos Ailton, mediada pela jornalista e cineasta Carolini Assis, que falou sobre literatura e cinema. Ela está à frente da produção cinematográfica do livro “Anésia Cuaçú”.

Ainda no sábado houve uma mesa redonda sobre “Irmã Dulce, a santa dos pobres”, tendo como palestrantes Graciliano Rocha, escritor e jornalista, frei João Paulo, representante das obras de Irmã Dulce. A mesa foi mediada pelo escritor Domingos Ailton e ainda teve o lançamento do livro “Irmã Dulce, a Santa dos Pobres”, de Graciliano Rocha. Aconteceu também Um Dedo de Prosa e Lançamento de Livros, com Valdeck Almeida de Jesus, com “Garoto de Programa: 5000 tons de sexo”, Rosana Viana Jovelino, com “Patuá”. O debate, que contou com a presença de cerca de dez pessoas na plateia, foi mediado pela professora Marvione Borges.

 

 





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