De autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Vagueia no recôndito

Da minha alma

Uma desilusão sofrida,

Sem mais aquele sopro,

Do viver encanto

Do vento fresco humano,

Que fazia o nosso canto

Contra o fútil profano.

 

A gente carregava o manto,

Da cultura e do saber,

Era lindo de se ver:

As ideias em confronto.

 

Os sonhos como vultos,

Somem entre os incultos,

Que mataram o conhecer,

E não mais se acredita

No clarear do alvorecer.

 

A massa insossa alienada,

Passa em louca disparada,

Consome porcarias no lixo,

Nas entranhas do consumismo,

E fica toda fedorenta empolada,

Pelo percevejo do capitalismo.

 

Minha alma está seca cinzenta,

Nesta cacimba, sedenta,

Como um estorricado chão,

Que definha na desilusão.

 

A juventude do não pensar,

Sem mais atitude e metas,

Guiada por falsos profetas,

Caminha nesse escuro,

Em meio ao besteirol,

E meu único alento,

É apreciar um pôr-do-sol.