Estou de saco cheio, enfastiado e enojado de falar desse Congresso Nacional! Por acaso, existe alguma vacina a ser aplicada no eleitor na hora de votar para eleger um colegiado sério e honesto de representantes do povo? Deixa pra lá, hoje estou mais interessado no papo reto entre as vacinas no Brasil.

Observou que vacina é do gênero feminino e a maioria das doenças também? Talvez esteja aí a explicação dos negativistas contra elas pelos misóginos preconceituosos! Em tempos mais recentes, a que sofreu mais rejeição foi a Covid-19, que ceifou a vida de mais de 700 mil brasileiros.

Por isso, quando se fala em vacina, lembramos logo dela. Foi aquela confusão e polêmica danada, ao ponto de se criar brigas e inimigos. Por ser chinesa dos olhos fechados, a discriminação foi ainda maior. Foi um tal de bota fora e até de se propagar que a pessoa que a tomasse iria virar jacaré ou pegar HIV, que nunca teve a sua vacina.

Um amigo meu bateu umas besteiras em meu cansado ouvido de escutar tantas asneiras. Afirmou que o brasileiro é um corpo ambulante de vacinas, daí os infartos em escala crescente. ”Cuidado, não tome vacina porque você pode sofrer uma parada cardíaca”!

Fiz de conta que não ouvi e mudei de conversa sobre a questão do aquecimento global. Aí, ele também respondeu que é uma falácia. Comentei sobre a terra. Respondeu que era plana. Assim fica difícil entabular uma prosa nos dias atuais. Melhor tapar a boca com esparadrapo.

Quanto as vacinas, dizem que existem 18 delas no Brasil para proteger famílias e seus filhos. Imaginou elas se cruzando na corrente sanguínea, na caça ao vírus malígno, que é macho, para eliminá-lo! Todas têm o DNA de estrangeiras, com exceção da mais caçula da dengue, nascida agora no Instituto Butantã, em São Paulo.

Por falar em vacinas, quando era menino na roça, nunca ouvi falar delas, mas tive aquelas doenças mais comuns em crianças, tratadas com simpatias e receitas caseiras. Recordo mais do sarampo, da catapora, das tais “tosse convusca” ou convulsa (coqueluche) e da “papeira” (caxumba).

Com relação a tosse, quando estava atacado, meus pais jogavam baldes d´água em mim. Parava no susto. Ah, enquanto se estava com sarampo e catapora, não se podia tomar banho, sem contar os resguardos das rezadeiras.

Quem tinha a papeira não podia passar debaixo de cerca, senão a “bicha” descia para baixo até o saco, que ficava grande. Quando passava alguém com aquele saco enorme balançando nas calças, cochichavam que foi porque teve papeira e passou por debaixo da cerca. Ah, seu moço, passei a ter um pavor de cerca”

Bem, voltando ao assunto, essas feministas juntas devem fazer um barulho da peste quando começam a papear. E aí, quem é você, como se chama? Pergunta a vacina do sarampo. Sou a poliomielite e venho da primeira campanha, em 1961. Minha missão é combater a paralisia infantil. Está bem, vá em frente e derruba o cabra.

A do sarampo, muito tagarela, também cruzou com a da rubéola, da caxumba, da febre amarela, com a tríplice viral, a BCG, a tetraviral varicela, a HPV, a do tétano, da raiva, das hepatites “A” e “B”, influenza trivalente (essa deve ser cangaceira), a H1N1 e a da DTPa. Existe até sopa de letras. São as empodeiradas!

Como todas falavam ao mesmo tempo, tem vez que é aquela zoeira perturbadora que até o coração precisa dar aquele basta e mandar que todas procurem circular. “Parem de tanta conversa barata! Até parecem um bando de desocupadas que ficam fofocando da vida alheia”!

– Olha lá, aquela velhinha que vem se arrastando! Apontou uma delas. A trivalente se encarregou logo de informar que se tratava da exterminadora da perigosa varíola, desenvolvida, em 1961/62, pelo Instituto Oswaldo Cruz.

Conta a história que a primeira a aparecer contra a doença varíola foi lá pelos anos de 1804. Cem anos depois, o cientista brasileiro Oswaldo Cruz foi responsável por implementar ela em larga escala no país e quase foi morto por uma tropa enfurecida de ignorantes negativistas – destrinchou a trivalente.

E quem era esse Oswaldo Cruz? Santa ignorância! Era diretor Geral da Saúde Pública e instituiu a vacinação obrigatório, em 1904.  Ah, isso deu um fuzuê daqueles! Gerou até uma rebelião popular, chamada de “Revolta da Vacina”, no Rio de Janeiro.

-Ninguém queria chegar perto dela. Muita gente fugiu, mas centenas tiveram que tomar na tora. Ameaçaram o homem de morte, mas ele não recuou e ainda introduziu as vacinas contra a febre amarela e a peste bubônica. Foi o cara!

– Coitadinha dela! De tanto apanhar, anda meio rejeitada pelos cantos, cabeça baixa, sem muita prosa! Falou a catapora, que mais parece nome de cabra do cangaço nordestino. Com seu “punhal,  afiado” saiu  para cuidar da sua obrigação.

A caxumba e a rubéola foram saindo de fininho, à moda francesa, pois se aproximava a raiva para dar aquele esporro. “Vão trabalhar, cabroeira de preguiçosas! Não vê que a carcaça brasileira está cheia de doenças e precisa de uma ajuda de vocês feministas!