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:: 9/abr/2026 . 23:00

AS FACES OCULTAS DA TERRA

A NASA, com seus bilhões de dólares, manda um foguete ao espaço com astronautas para ver a face oculta da lua e faz a viagem mais longa da sua história, enquanto aqui a terra pega fogo com foguetes militares, drones e mísseis carregados de bombas para aniquilar a vida de milhares e milhões de humanos.

A grande mídia faz um estardalhaço anunciando que o recorde é um marco na história da humanidade e que os próximos passos são realizar outras jornadas para pousar na lua. É um escárnio às vítimas das matanças genocidas, com tantos sofrimentos, lágrimas e dores.

Oh, o homem já não foi à lua, em 1969, ou tudo aquilo não passou de uma montagem mentirosa para cantar vitória sobre a União Soviética durante a guerra fria? Até hoje há quem conteste e não acredita. Com tantas mentiras, a verdade termina sendo ofuscada e colocada em dúvida.

Aliás, as mentiras, as atrocidades, as indiferenças, as loucuras psicopáticas e o sadismo dos criminosos genocidas e tiranos são algumas das faces ocultas tenebrosas da terra. Não é preciso ir à lua.

As trevas estão aqui entre nós, causadas pelos lunáticos da história. O imperialismo colonizador dominante, os massacres em massa de nações pobres, como na África, o holocausto dos palestinos, as “veias abertas da América Latina” (Eduardo Galeano), o nazifascismo, a eugenia e a seleção de raças por esterilização, processos iniciados pelos norte-americanos e copiados por Hitler, a escravidão dos negros, são as faces ocultas e tenebrosas do nosso planeta.

A fome talvez seja a pior de todas essas faces de aparências mitológicas monstruosas de causar medo e arrepios, mas estamos mais interessados na face oculta da lua. Desde os primórdios hominídeos dos distantes ancestrais (origem africana), há três ou cinco milhões de anos, dos mais próximo (2,5 milhões), convivemos com essas faces do bicho homem, de tempos em tempos.

A partir do homo sapiens, o habilis ou erectus, há mais de 300 mil anos, conforme fósseis encontrados no Marrocos, a humanidade passou a conviver, em maior intensidade, com essas faces cada vez mais cruéis, criadas por assassinos em suas naves voadoras e destruidoras das espécies humanas.

Passaram-se civilizações imperialistas com suas faces ocultas que só deixaram mortes, pestes, tiranias, terror, fome e misérias, mas uma das priores dos tempos “modernos” é o próprio Estados Unidos que causam pânico e horror. Sua face está entre as mais repugnantes da história, mas ela está definhando nas trevas do mal.

Os países mais pobres, como do continente africano, alguns asiáticos e os da América Latina, são as faces ocultas da terra que são exploradas pelas outras faces que se nutrem do sangue dos humanos que vivem na escuridão da linha do tempo. Suas naves são poderosas, e dos seus foguetes jorram fogo e fumaças, mas elas estão caiando e sendo derrubadas.

ESCOLHA O SEU PECADO

(Chico Ribeiro Neto)

Um funcionário público amigo, “ligeiramente gordo”, foi ao médico e constatou estar com pressão alta. O médico lhe recomendou deixar de fumar logo, e ele, sabiamente, saiu com esta:

“Doutor, eu não bebo, não jogo e não raparigo. Deixa eu ter só um pecadinho na vida, senão viro santo e a Igreja já está cheia deles”.

Ele, felizmente, continua gordo, vivo e fumando. Um pecado deixa-o vivo, porque não quer acabar santo. Algum diabinho no meio da vida para animar.

Desde pequeno que sempre achei os capetinhas mais interessantes. Nas histórias que lia, em quadrinhos, o capetinha dava saltos, espetava todo mundo, colocava pimenta no café dos outros, aprontava mesmo.

O anjinho sempre tem uma cara sem graça, principalmente aqueles de procissão, representados por crianças: as mãos eternamente postas e duas asas de papelão que sempre despencavam de um lado.

Lembro como foi terrível enfrentar a ameaça de que a gente podia pecar por pensamentos, palavras e obras. Na minha Primeira Comunhão foi aquele negócio de todo mundo se confessar num dia e comungar no outro. Não deu outra: de noite, na hora de dormir, era só fechar o olho que aparecia um muro branco com um enorme palavrão (PORRA) escrito de fora a fora. Felizmente, minha mãe Cleonice me disse que não seria preciso se confessar de novo, pois se tratava de um pecado leve, um venialzinho.

A propósito dos pecados veniais, vale lembrar Rachel de Queiroz em “100 Crônicas Escolhidas: “Continua pecando os seus pecadinhos veniais, já que para os pecados mortais já não tem ocasião nem energia”.

Um pecadinho aqui, outro lá, uma birra aqui, uma zanga lá; desejar que o sujeito que lhe deu uma fechada se enfie num poste logo ali adiante; que o comerciário que lhe tratou tão mal não venda mais nada até o Natal; que o taxista que lhe roubou na Rodoviária fure três pneus de uma vez; que o motorista que não parou no ponto receba uma suspensão ou até demissão; que o mecânico enrolão ganhe uma prisão.

Só assim dá pra enfrentar esse mundo: com vários pecadinhos, na exata medida da vida, essa costura de bem e mal que tem hora que a gente não sabe quem é qual.

(Crônica publicada no jornal A Tarde em 11/12/1991)

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

 

 

OS TRILHOS EM NOSSAS MEMÓRIAS

As linhas férreas por onde passavam os trens de passageiros podem estar abandonadas nos sertões das caatingas, mas nunca deixarão de existir porque ficaram em nossas memórias de menino e perduram até hoje. Não dá para entender como um país tão continental troca o trem pelas rodovias congestionadas de carretas movidas a diesel provocando terríveis impactos ambientais, sem falar nos altos custos para a nação! É o paradoxo se somando à insensatez dos nossos governantes que liquidaram todo um patrimônio valioso da nossa história, pago pelos contribuintes. Assim como os trilhos dentro do mato, flagrados pelas nossas lentes no sertão de Juazeiro, as estações ferroviárias, em sua grande maioria, foram destruídas pelo tempo. Como era gostoso e divertido viajar de trem e sentir o solavanco dos vagões cortando belas paisagens, de estação em estação, de cada cidade e distrito! Mais prazeroso ainda era quando anoitecia e o passageiro podia apreciar da janela o belo luar prateando as serras e os morros. Se tudo isso fosse preservado, teríamos hoje trens modernos, linhas renovadas, e as viagens seriam bem mais econômicas, sem falar que as rodovias seriam desafogadas e haveriam menos acidentes. As velhas gerações nunca vão tirar os trilhos de suas memórias. Eles vão continuar existindo.

VIAJANTE SOLITÁRIO

Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Certa vez,

Alguém me disse

Que sou viajante solitário:

Respondi abrindo meu relicário.

 

Cada um tem sua história,

Guardada em sua memória,

De derrotas, angústias e vitórias.

 

Nesse universo controverso,

Vou rabiscando meu verso,

Com tanta gente,

Arrastando sua dor,

Nas correntes do amor.

 

No silêncio do meu interior,

Sou caçada e caçador,

Sigo minha viagem,

Entre o medo e a coragem.

 

O senhor tempo

Quebra nossos ossos por dentro,

E se vai perdendo o movimento,

No arrojo do vento.

 

Ainda conservo

Minha mochila surrada,

Das caminhadas viscerais,

Algumas peças enferrujadas,

Lembranças das jornadas,

De desafios nos vendavais.

 

 

 





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