Lembro quando comecei a dar os primeiros passos na profissão como revisor, no início de 1973, ano da minha graduação como bacharel em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (Ufba). Eram tempos difíceis em pleno cerco da ditadura civil-militar, anos de chumbo contra a liberdade de expressão quando os homens da farda faziam o papel de cão de guarda para censurar os veículos de comunicação, especialmente o jornal impresso.

Em Vitória da Conquista, quando vim assumir a chefia da Sucursal do Jornal A Tarde, em 1991, era o único jornalista diplomado e hoje sou o decano dos jornalistas. Estou completando 53 anos de profissão, com muito orgulho, mas tenho minhas críticas. Aliás, acima de tudo, jornalista tem que ser um crítico.

Apesar de toda mordaça, os jornalistas eram mais combativos e participativos. Tudo faziam para driblar a opressão dos generais. Os sindicatos, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e as associações brasileiras de jornalismo (ABIs) eram mais fortes e unidas.

Naquela época, nem se falava de “fake news”, que passaram a brotar com a chegada da internet e, consequentemente, das redes sociais, o chamado jornalismo virtual. Grande parte da atividade foi banalizada e a maioria perdeu a responsabilidade maior de informar.

Nada contra a evolução tecnológica onde a notícia é mais veloz que uma bala e pode ser mortal se for infundada. Passados mais de 50 anos, onde cada um se acha jornalista (não precisa ser diplomado), o neoliberalismo de mercado estreitou os espaços da profissão.

Poucos que optaram pela área e passaram a frequentar as escolas seguiram a carreira. Caiu o nível de formação e aumentou o noticiário de matérias infundadas, mal apuradas pela falta de uma maior investigação.

Em Conquista, cheguei a assumir a diretoria regional do Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba) e fui vice-presidente da entidade. Continuo escrevendo porque é o alimento da minha alma e, se tivesse que recomeçar, seria novamente jornalista.

DIA DO JORNALISTA

Nesse 7 de abril, Dia do Jornalista (terça-feira), infelizmente, pouco se tem a comemorar. Mesmo no período duro do regime militar, existia mais união e celebração com aqueles memoráveis encontros, dos quais muito ajudei a realizar. É dia de reflexão e luta por mais espaço e reconhecimento do diploma, bem como contra a violência aos profissionais, da qual fui vítima.

O Dia do Jornalista e pouco lembrado pela própria classe (casa de ferreiro, espeto de pau). A data foi criada pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e foi estabelecido por alguns motivos, como numa reunião de coletiva de imprensa.

Um deles é que no dia 7 de abril de 1908, foi criada a própria ABI. Idealizada pelo jornalista Gustavo Lacerda, a associação situa-se no Rio de Janeiro, e é um centro de ação que tem como objetivo assegurar os direitos à classe.

Também no dia 16 de fevereiro foi comemorado o “Dia do Repórter”, que está ligado a um episódio da nossa história do Brasil. A data foi designada em homenagem ao jornalista e médico Giovanni Battista Líbero Badaró, morto no dia 22 de novembro de 1830.

Ele participou de diversas lutas a favor da Independência do Brasil. Era proprietário do jornal “Observador Constitucional” e um dos principais motivadores da liberdade de imprensa, hoje tão vilipendiada.

Badaró teve uma morte misteriosa, mas, segundo a história, inimigos políticos atentaram contra a sua vida. O falecimento dele causou descontentamento à população e culminou na abdicação do trono de Dom Pedro I, justamente no 7 de abril de 1831.   

Só para reportar a história, a primeira faculdade de Jornalismo foi criada em 1912, na Universidade de Columbia, em Nova York, nos Estados Unidos. A faculdade foi fundada por meio da doação de dinheiro do jornalista Joseph Pulitzer, que ajudou a tornar a imprensa conhecida como o quarto poder e que dá nome ao principal prêmio concedido a jornalistas premiados.

No Brasil, a primeira escola de jornalismo foi criada em 1947. Atualmente, a instituição chama-se Faculdade Gásper Liberó e localiza-se no prédio da antiga Gazeta, na Avenida Paulista.

TEORIA E PRÁTICA

Quando adentrei na redação era um dos poucos graduados pela Faculdade de Jornalismo da Ufba. Existiam os antigos jornalistas provisionados no Ministério do Trabalho. Na década de 70, o diploma passou a ser exigido e isso criou uma animosidade entre os chamados velhos e novos.

Dizia-se que jornalismo era uma vocação, uma forma de dom que se aprendia no dia a dia da notícia, o que não deixava de ser uma verdade, mas a formação teórica com a prática fortalece mais a profissão e dar mais credibilidade.

A briga gerou uma disputa de ações na justiça para derrubar a obrigatoriedade do diploma, isso, se não me engano, entre as décadas de 80 e 90. A ação caiu nas mãos do Supremo Tribuna Federal, em 2009. Recordo que um dos ministros, contrário ao diploma, fez uma leviana comparação entre a culinária e o jornalismo, dizendo que a pessoa para cozinhar não precisava ter diploma. Aquilo foi de uma insanidade sem tamanho.

As faculdades continuaram emitindo os atestados profissionais, como a própria Facom, da Ufba, a Uesb que começou seu curso em 1998 (fui um dos incentivadores e ajudei na sua estruturação) e tantas outras particulares. Mesmo com a não obrigatoriedade do diploma, vejo que as empresas dão mais preferência aos formados, valorizando a formação escolar e o conhecimento.

Para marcar a data, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), os sindicatos dos jornalistas do Brasil e profissionais da área costumam fazer reflexões importantes sobre a carreira, o mercado de trabalho, os salários e o futuro da profissão.

O curso de Jornalismo é ministrado nas principais universidades do país durante quatro anos ou oito períodos. Os estudantes têm aulas teóricas, como teoria da comunicação, história da imprensa, ética e legislação, história da arte, práticas, como telejornalismo, jornalismo impresso e webjornalismo.  

O jornalista é o profissional que tem o papel de informar os fatos à sociedade, um contador de histórias, com responsabilidade perante a opinião pública.

Ele pode atuar em meios de comunicação, como rádio, TV, jornal, revista e internet. Também é comum que jornalistas trabalhem como assessores de comunicação e imprensa e, mais recentemente, em mídias digitais, tais como redes sociais e blogs.