:: 7/abr/2026 . 22:50
RICO NÃO ENTRA EM FILA
POBRE ENTRA EM QUALQUER FILA, MESMO SEM SABER DO QUE SE TRATA. PEGOU GOSTO PELA COISA.
Ainda falam por aí que todos somos iguais, mesmo diante de tantas desigualdades e injustiças sociais. Isso não passa de um devaneio ou uma piada de mau gosto. Numa discussão acalorada onde o endinheirado sempre leva a melhor, costuma-se abrir a boca para soltar este clichê desgastado e arranhado, como faixa de vinil velho.
Você, por acaso, já viu algum rico engravatado no paletó, um político ou uma autoridade do poder numa fila de banco, nos SUS para pegar uma senha de atendimento médico, no SAC para tirar uma carteira de identidade, habilitação, resolver uma pendência burocrática, numa fila no Fórum para tirar o título eleitoral ou numa repartição pública com um monte de documentos na mão?
É, camaradas, definitivamente, rico não entra em fila e todas são chamadas de indianas. É um atrás do outro – às vezes embola o meio de campo e lá vem o segurança estúpido fazer o “freio de arrumação” – com os compadres e a comadres alardeando fofocas e falando da vida dos outros.
É só ficar de orelha em pé que se escuta coisas do arco da velha e muito besteirol também. Tem senhora que faz um tapete de crochê na fila, que rende crônica, poesia, reportagem jornalística de montão e até dá música. Fila é uma fonte de inspiração, se bem que de estresse e doenças físicas para muitos, sobretudo idosos.
Pobre tem uma paciência de Jó, pouco reclama, não questiona se só tem um atendente e nem protesta quanto a demora de chegar à sua vez. O celular na mão é o passa tempo, tanto que nem ouve quando sua senha é chamada. Fila tornou-se prazer, lazer e divertimento de pobre. É como um domingo no parque!
Em lotéricas, por exemplo, só se vê caras de pobres discutindo o custo de vida, com a mão cheia de boletos e faturas para pagar. Ah, não pode faltar uma cartela de jogos para arriscar na “fezinha”! Afinal de contas, a esperança é a última que morre! Nas padarias e confeitarias, quem está lá na fila do pão? É, meus amigos, definitivamente, rico não entra em fila.
Percebeu como numa fila tem figuras estranhas! Uns calados remoendo seus problemas por dentro. Outros tagarelas dizendo besteiras e tem o vendedor de comidas e bugigangas paraguaias, os pedintes e não pode faltar o pregador com a Bíblia na mão ensinando ser resignado e xingando o diabo.
Às vezes surge uma confusão de bate-boca daquele tipo de “baixar o barraco”. Ah, tem muitos lamentos e contação de vida. Fila no Brasil deveria ser tombada como patrimônio cultural nacional, não importando se material, ou imaterial.
Experimenta formar uma fila de treita ou “pegadinha” numa praça, numa esquina, rua ou avenida qualquer! Em pouco tempo tem um mundaréu de gente, pensando ser fila de emprego, ou então para receber alguma doação do governo.
Sempre fico intrigado e encafifado quando entro nessas filas, principalmente para renovar identidade ou o documento eleitoral! Olho para todos os cantos e só vejo trabalhador e pessoas de baixo poder aquisitivo. É um sofrimento danado e ainda tem os “furas filas”. Nesse país, é o pobre passando a rasteira no pobre.
Será que existem funcionários específicos só para atender as regalias dos ricos e poderosos? Para fazer a biometria, por exemplo, a maquininha é levada em sua casa, ao escritório ou em seu gabinete confortável luxuoso? Sei que eles têm funcionários para isso, mas em algumas circunstâncias existe a necessidade da presença pessoal.
Desde quando me entendo por gente, quando fui tirar minha primeira identidade, no Instituto Pedro Melo, em Salvador, e tive que acordar madrugada para andar a pé mais de 15 quilômetros, perdi a conta de quantas filas fui obrigado a entrar e só vi gente pobre necessitada.
E você, que ainda vive pegando fila, já viu algum figurão, madama com cachorrinho no colo, ou mesmo um idoso da alta sociedade? Já viu algum importante político, uma celebridade, um famoso (a) numa fila? Acho que nem vereador do interior mais pequeno entra em fila.
Não existe empresário ou político numa fila de banco para resolver algum problema de empréstimo, prova de vida ou cartão de crédito. O rico tem horário especial, depois ou antes do expediente, tomando um cafezinho na mesa do gerente, numa boa!
Com a tecnologia da internet, sabemos que praticamente todas as coisas podem ser solucionadas através dos aplicativos, no modo virtual, mas ainda existem exceções. E antes da internet, quando tudo tinha que ser feito de forma presencial?
Desde as antigas civilizações as filas foram criadas para pobres. Os súditos faziam filas para beijar a mão do rei, mas a nobreza não entrava nessa porque tinha livre acesso aos palácios e às graças dos imperadores e rainhas.
TEMPOS DIFÍCEIS PARA JORNALISTAS NA COMEMORAÇÃO DO SETE DE ABRIL
Lembro quando comecei a dar os primeiros passos na profissão como revisor, no início de 1973, ano da minha graduação como bacharel em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (Ufba). Eram tempos difíceis em pleno cerco da ditadura civil-militar, anos de chumbo contra a liberdade de expressão quando os homens da farda faziam o papel de cão de guarda para censurar os veículos de comunicação, especialmente o jornal impresso.
Em Vitória da Conquista, quando vim assumir a chefia da Sucursal do Jornal A Tarde, em 1991, era o único jornalista diplomado e hoje sou o decano dos jornalistas. Estou completando 53 anos de profissão, com muito orgulho, mas tenho minhas críticas. Aliás, acima de tudo, jornalista tem que ser um crítico.
Apesar de toda mordaça, os jornalistas eram mais combativos e participativos. Tudo faziam para driblar a opressão dos generais. Os sindicatos, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e as associações brasileiras de jornalismo (ABIs) eram mais fortes e unidas.
Naquela época, nem se falava de “fake news”, que passaram a brotar com a chegada da internet e, consequentemente, das redes sociais, o chamado jornalismo virtual. Grande parte da atividade foi banalizada e a maioria perdeu a responsabilidade maior de informar.
Nada contra a evolução tecnológica onde a notícia é mais veloz que uma bala e pode ser mortal se for infundada. Passados mais de 50 anos, onde cada um se acha jornalista (não precisa ser diplomado), o neoliberalismo de mercado estreitou os espaços da profissão.
Poucos que optaram pela área e passaram a frequentar as escolas seguiram a carreira. Caiu o nível de formação e aumentou o noticiário de matérias infundadas, mal apuradas pela falta de uma maior investigação.
Em Conquista, cheguei a assumir a diretoria regional do Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba) e fui vice-presidente da entidade. Continuo escrevendo porque é o alimento da minha alma e, se tivesse que recomeçar, seria novamente jornalista.
DIA DO JORNALISTA
Nesse 7 de abril, Dia do Jornalista (terça-feira), infelizmente, pouco se tem a comemorar. Mesmo no período duro do regime militar, existia mais união e celebração com aqueles memoráveis encontros, dos quais muito ajudei a realizar. É dia de reflexão e luta por mais espaço e reconhecimento do diploma, bem como contra a violência aos profissionais, da qual fui vítima.
O Dia do Jornalista e pouco lembrado pela própria classe (casa de ferreiro, espeto de pau). A data foi criada pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e foi estabelecido por alguns motivos, como numa reunião de coletiva de imprensa.
Um deles é que no dia 7 de abril de 1908, foi criada a própria ABI. Idealizada pelo jornalista Gustavo Lacerda, a associação situa-se no Rio de Janeiro, e é um centro de ação que tem como objetivo assegurar os direitos à classe.
Também no dia 16 de fevereiro foi comemorado o “Dia do Repórter”, que está ligado a um episódio da nossa história do Brasil. A data foi designada em homenagem ao jornalista e médico Giovanni Battista Líbero Badaró, morto no dia 22 de novembro de 1830.
Ele participou de diversas lutas a favor da Independência do Brasil. Era proprietário do jornal “Observador Constitucional” e um dos principais motivadores da liberdade de imprensa, hoje tão vilipendiada.
Badaró teve uma morte misteriosa, mas, segundo a história, inimigos políticos atentaram contra a sua vida. O falecimento dele causou descontentamento à população e culminou na abdicação do trono de Dom Pedro I, justamente no 7 de abril de 1831.
Só para reportar a história, a primeira faculdade de Jornalismo foi criada em 1912, na Universidade de Columbia, em Nova York, nos Estados Unidos. A faculdade foi fundada por meio da doação de dinheiro do jornalista Joseph Pulitzer, que ajudou a tornar a imprensa conhecida como o quarto poder e que dá nome ao principal prêmio concedido a jornalistas premiados.
No Brasil, a primeira escola de jornalismo foi criada em 1947. Atualmente, a instituição chama-se Faculdade Gásper Liberó e localiza-se no prédio da antiga Gazeta, na Avenida Paulista.
TEORIA E PRÁTICA
Quando adentrei na redação era um dos poucos graduados pela Faculdade de Jornalismo da Ufba. Existiam os antigos jornalistas provisionados no Ministério do Trabalho. Na década de 70, o diploma passou a ser exigido e isso criou uma animosidade entre os chamados velhos e novos.
Dizia-se que jornalismo era uma vocação, uma forma de dom que se aprendia no dia a dia da notícia, o que não deixava de ser uma verdade, mas a formação teórica com a prática fortalece mais a profissão e dar mais credibilidade.
A briga gerou uma disputa de ações na justiça para derrubar a obrigatoriedade do diploma, isso, se não me engano, entre as décadas de 80 e 90. A ação caiu nas mãos do Supremo Tribuna Federal, em 2009. Recordo que um dos ministros, contrário ao diploma, fez uma leviana comparação entre a culinária e o jornalismo, dizendo que a pessoa para cozinhar não precisava ter diploma. Aquilo foi de uma insanidade sem tamanho.
As faculdades continuaram emitindo os atestados profissionais, como a própria Facom, da Ufba, a Uesb que começou seu curso em 1998 (fui um dos incentivadores e ajudei na sua estruturação) e tantas outras particulares. Mesmo com a não obrigatoriedade do diploma, vejo que as empresas dão mais preferência aos formados, valorizando a formação escolar e o conhecimento.
Para marcar a data, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), os sindicatos dos jornalistas do Brasil e profissionais da área costumam fazer reflexões importantes sobre a carreira, o mercado de trabalho, os salários e o futuro da profissão.
O curso de Jornalismo é ministrado nas principais universidades do país durante quatro anos ou oito períodos. Os estudantes têm aulas teóricas, como teoria da comunicação, história da imprensa, ética e legislação, história da arte, práticas, como telejornalismo, jornalismo impresso e webjornalismo.
O jornalista é o profissional que tem o papel de informar os fatos à sociedade, um contador de histórias, com responsabilidade perante a opinião pública.
Ele pode atuar em meios de comunicação, como rádio, TV, jornal, revista e internet. Também é comum que jornalistas trabalhem como assessores de comunicação e imprensa e, mais recentemente, em mídias digitais, tais como redes sociais e blogs.
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