:: 29/jan/2026 . 23:22
O SISTEMA É BRUTO E CRUEL
Quando falo do sistema, não estou me referindo no sentido macro dos três poderes (executivo, legislativo e judiciário) e o capitalismo selvagem oligárquico que ditam suas regras e terminam descarregando todo seu peso nos mais desfavorecidos, se bem que toda sociedade brasileira pena.
Estou me reportando à nossa aldeia, no caso mais específico à Secretaria de Finanças da Prefeitura de Vitória da Conquista onde mais parece uma torre de babel, pois cada um fala uma língua diferente e se ouve o absurdo dos absurdos.
Depois de negociar minha dívida ativa e pagar as parcelas em dia, fui ontem (dia 30/01) à Secretaria (três vezes) solicitar uma certidão negativa e, após um dia exaustivo, não consegui êxito porque cada funcionário tinha sua interpretação a respeito do meu caso.
Na primeira tentativa, a atendente disse que não podia me liberar alegando que o pagamento que fiz do alvará 2025, na terça-feira (dia 27/01), na lotérica, não havia caído no sistema (olha ele aí nos atormentando e torturando!), mesmo mostrando o comprovante quitado. “A Caixa Econômica tem três dias para nos enviar a quitação” – disse a funcionária.
Argumentei se não poderia dar baixa no sistema através do comprovante, mas nada feito. Apelei para a gerência que fica ao lado e um rapaz conversou com algum superior que teve a compreensão de atender ao meu pedido.
Senti aquele alívio e a esperança de que meu problema seria resolvido. Puro engano, meu camarada! O sistema acusou que eu tinha três parcelas do ISS em aberto. Aleguei que havia parcelado para o dia 10 de fevereiro, mas não estava com as papeladas.
Na árdua tarefa de solucionar a questão sai do centro e fui buscar os boletos em casa. Minha peregrinação tinha começado às 9h.30min e quando retornei pela segunda vez já era quase 13 horas. Mesmo arguindo que a data de vencimento era dez de fevereiro, o cruel do sistema não liberou minha certidão. Mais uma tremenda frustração. Insisti que o vencimento estava ali destacado para o dia 10 de fevereiro próximo. O jovem só me mostrava o maldito do sistema.
O mesmo funcionário (um estagiário) recomendou que eu retornasse mais tarde, isto pela terceira vez, e me reportasse com uma tal de Igor. Era por volta das 15 horas. Para meu espanto, ele se baseou na data do vencimento original e não na atualizada do 10/02/2026. Não adiantou em nada o meu argumento de que ainda não havia vencido. Não entendi, ou meu QI deve ser muito baixo.
O técnico obedece ao sistema, meu amigo, e este, cruelmente, negou minha certidão. “Não adianta tentar porque ele trava na hora que eu fizer a solicitação” – afirmou o moço. O ponteiro marcava 16 horas e o cansaço já dominava meu corpo e minha mente.
– Mas, olha aqui, a data diz que eu tenho até o dia 10 de fevereiro para pagar. Não teve conversa, o servidor se baseou no vencimento original de 12 de janeiro de 2026. Meu contador não acreditou no que lhe relatei.
Não é para entender. O sistema não tem lógica porque foi elaborado e é manejado por seres burocratas tecnólogos desumanos. Sai da Secretaria de Finanças no final da tarde, estafado, desolado e me sentindo um lixo como contribuinte. O sistema é bruto e cruel, não para os ricos e os grandes sonegadores de impostos.
DESILUSÃO
De autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Vagueia no recôndito
Da minha alma
Uma desilusão sofrida,
Sem mais aquele sopro,
Do viver encanto
Do vento fresco humano,
Que fazia o nosso canto
Contra o fútil profano.
A gente carregava o manto,
Da cultura e do saber,
Era lindo de se ver:
As ideias em confronto.
Os sonhos como vultos,
Somem entre os incultos,
Que mataram o conhecer,
E não mais se acredita
No clarear do alvorecer.
A massa insossa alienada,
Passa em louca disparada,
Consome porcarias no lixo,
Nas entranhas do consumismo,
E fica toda fedorenta empolada,
Pelo percevejo do capitalismo.
Minha alma está seca cinzenta,
Nesta cacimba, sedenta,
Como um estorricado chão,
Que definha na desilusão.
A juventude do não pensar,
Sem mais atitude e metas,
Guiada por falsos profetas,
Caminha nesse escuro,
Em meio ao besteirol,
E meu único alento,
É apreciar um pôr-do-sol.
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