JOGOS DE GUERRA
(Chico Ribeiro Neto)
Meus soldadinhos de chumbo da estante não querem invadir outras áreas da casa. Com grande disposição e amor à Pátria, limitam-se a proteger meus livros de possíveis invasores. Nesse mundo sempre tem gente querendo queimar livros.
Na nossa brincadeira de guerrô, na turma da Rua Gabriel Soares (Ladeira dos Aflitos), em Salvador, o cara tava “preso” com 3 tapinhas na cabeça e a “prisão” era o poste mais próximo, iluminado pela lua, já que alguns treinavam nas lâmpadas a pontaria dos badogues.
No jogo de Batalha Naval não me lembro de ter invadido nenhum país.
Adorei o “trezoitão” de pão que o padeiro da Padaria Minerva, do meu pai Waldemar, fez para mim quando eu tinha 6 anos. Com cartucheira e tudo, o revólver de pão foi devorado por mim e amigos da Rua 2 de Julho, em Ipiaú (BA). Não sobrou uma bala sequer.
No São João os bolsos da frente da calça cheios de bomba e os bolsos de trás cheios de amendoim cozido.
A gente tirava a pólvora de 4 bombas, fazia o montinho no chão, uma pedrinha por cima, pisava com um calcanhar, batia continência e batia um calcanhar no outro PUM!!!
O grande ato de heroísmo era segurar um traque nos dentes e acender o pavio.
Acordo com um bonito barulho. Meus brinquedos fazem uma passeata até a sala. Meu trator de dar corda vai na frente. Não querem ser agredidos e querem continuar produzindo beleza.
Pedro, meu neto, aos 7 anos tinha um exército de miúdos soldadinhos verde de plástico. A tropa toda cabia num saco plástico. Um dia fui visitá-lo e, na saída, ele me presenteou com um soldadinho.
“Mas esse soldado não tem fuzil!”, exclamei.
“Mas, vô, esse é o cara das comunicações. Veja os equipamentos nas costas .











