:: 21/jan/2026 . 21:05
TENHO MEDO DOS NOVOS MÉDICOS
O conhecimento e o saber profissional no Brasil só fazem cair. Depois da divulgação de uma pesquisa do Ministério da Educação (MEC) sobre as faculdades de medicina, confesso que meu medo desses novos médicos, de 23 a 25 anos, só aumenta. Antes de ir a uma consulta, o paciente deve indagar a idade do médico e em qual faculdade estudou, mas quem depende do SUS, fica sem opção.
Médico tem que ser dos 50 aos 60 anos para cima, mas é difícil encontrar. É aquele que lhe examina todo, passa mais tempo com você no consultório conversando sobre passado de seus hábitos, doenças hereditárias e outros detalhes da sua vida. Você sente mais firmeza e até passa mais segurança psicológica.
Hoje são cinco ou dez minutos no máximo, para entrar logo o próximo. O médico, ou a médica, não importa a especialidade, nem olha para sua cara e passa um monte de exames para alimentar a indústria dos laboratórios e dos farmacêuticos.
Poucos lembram dos médicos de família que, com poucos recursos tecnológicos que se tem atualmente com o avanço da ciência, detectava a doença da pessoa, receitava o medicamento e, como sempre, acertava na mosca. Do jeito que está, é fácil fazer o papel de charlatão.
Bem, vamos a alguns pontos dos últimos resultados divulgados pelo MEC e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, com dados atualizados de 2026 (referentes às avaliações do Enade 2023/24). Muitos já viram, mas sempre é bom memorizar.
A pesquisa indica um cenário preocupante, mas que não foi surpresa. Existe um destaque para a excelência de universidades públicas e a reprovação de mais de 30% dos cursos em avaliações de desempenho.
As faculdades particulares se tornaram mercadorias em prateleiras de supermercados. Com o dinheiro do governo federal, isto é, do contribuinte, através do FIES, os donos dessas unidades ficaram ricos e milionários. Antes se criticava as faculdades paraguaias e as bolivianas. Não há muita diferença aqui no Brasil.
Com conceito 5 (nota máxima) estão os cursos da USP, Unicamp, Unesp, UFMG, UESC, UESB, UDBA, UNIVASF e UFC. Na excelência das privadas se encontram as faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein, Unoeste, Famerp, Centro Universitário São Caetano e Unifagoc.
Dos cursos particulares, mais de 30% foram reprovadas e receberam notas de 1 a 2. Em situação crítica estão os cursos Afya (Santa Inês/BA, Vitória da Conquista/BA, Parnaíba/PI). Olhem aí, Conquista, a “Suíça Baiana” (idiotice) está no rol. Muitos formados nem fazem mais residências em hospitais como era obrigatório.
Em termos de vagas, o Brasil ultrapassou 50 mil, com 494 escolas médicas, das quais 80% são privadas. As instituições públicas da Bahia e do Nordeste consolidaram resultados de alto nível. São nessas que o governo federal deve investir pesado, para ampliar vagas e melhorar a formação.
O MEC garante que a fiscalização tem sido intensificada, mas não confio, porque no Brasil ainda prevalecem as interferências políticas. As corrupções epidêmicas e os subornos estão aí que nos comprovam isso.
Este quadro de decadência do ensino não se concentra apenas na área da medicina, mas em todas as esferas profissionais, como do Direito, do Jornalismo, da Engenharia, Arquitetura, da Enfermagem, da Administração, da Economia, da Pedagogia e tantos outros cursos.
Além da estrutura precária das escolas, com mais gravidade nas ciências exatas (muitas estão ligadas diretamente com vidas humanas), os jovens profissionais de hoje foram diplomados por professores originários de ensinos deficitários. É o tal do ciclo vicioso.
É uma cadeia que vai gerando mais e mais decadência, com um quadro de piora no conhecimento e no saber, sem perspectivas de melhora, se não houver um choque ou uma revolução de mudanças na educação. Essa queda profissional abrange todos os níveis, e a maioria dos jovens de hoje é inexperiente em suas atividades.
A medicina, por exemplo, uma profissão que lida com vidas humanas, se tornou hoje um mercantilismo, como se fosse uma máquina registradora de se fazer dinheiro. As crianças e os adolescentes sonham em ser médicos por vaidade dos pais e porque eles dizem que dá dinheiro. Acabou esse negócio de vocação de que se falava antigamente.
Qualquer cidade hoje de porte médio, mesmo sem condições, tem uma faculdade privada de medicina porque o deputado buliu lá com seus pauzinhos para conseguir uma autorização no Conselho do MEC e por achar que isso é sinal de progresso.
Por outro lado, o empresário sabe que vai ganhar muita grana com o financiamento de alunos das cotas pagas pelos contribuintes. A saúde do povo que se dane, que se lasque. Essa é a realidade nua e crua. O resto é blábláblá de ideologia barata.
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