NO TEMPO DAS QUESTÕES
Do grande Ariano Suassuna, retratando como era e se vivia no antigo sertão, terra isolada e sem lei.
Aqui reinava um Rei quando eu menino:
Vestia ouro e castanho no Gibão.
Pedra-da-sorte sobre o meu Destino
Pulsava junto ao meu seu coração.
Para mim, seu cantar era divino
Quando, ao som da viola e do baião
Cantava, com voz rouca, o Destino.
O riso, o sangue e as mortes do Sertão.
Também, coisas das antigas do fundo do baú, uma modinha do século XIX, cantada por João Flor em suas andanças na caatinga durante seus combates contra os cangaceiros. Era assim:
“Há quatro anos passados
Eu era alegre e feliz
Hoje me vejo sofrendo
Foi minha sorte quem quis.
Antes eu nunca te visse
Porque não te tinha amizade
Hoje me vejo sofrendo
No rigor desta saudade.
Antes eu nunca te visse
Porque não te tinha amor
Hoje me vejo sofrendo
No rigor da cruel dor
Quem por si se despreza
Merece ser castigado
Não me queixo da sorte
Vivo de ti separado”.
Também gostava de cantar:
“Morena, minha morena
Quem te ensinou a nadar?
Foi o tombo do navio
Foi o balanço do mar”
Vale lembrar que “Muié Rendeira” era de um cangaceiro por apelido “Cacheado”.
Extraído do livro “O Canto do Acauã”, de Marilourdes Ferraz











