:: 8/jan/2026 . 23:55
O HERBÁRIO DA SERRA
Para quem mora dentro da cidade numa selva de pedra, no corre-corre do dia a dia, entrar numa floresta é sentir uma sensação de paz, frescor e quietude na alma. Só em ouvir o canto dos pássaros e o farfalhar das folhas, parece que nos transportamos para um paraíso. Os problemas voam e nos sentimos mais leves. Depois de mais de 20 anos fui, nesta semana, ao Herbário (ainda pequeno) da Serra do Periperi e, imediatamente, bateu a lembrança de Walter, o criador daquele local mágico, que dedicou quase toda sua vida, com amor e dedicação, a cuidar das plantas, num descampado onde existia ao lado um camping, um espaço de acampamentos para os amantes da natureza. Hoje o Herbário fica dentro da mata de cipó, uma extensão até o Poço Escuro, inclusive com uma trilha de acesso. Foram momentos de prazer e encantamento, flagrados pelas lentes da nossa máquina. Fui recepcionado por Lázaro que cultiva mudas que são distribuídas aos interessados em plantar uma árvore em sua calçada ou no quintal. Walter nos deixou há uns quatro anos, mas lá ficou sua viva presença através de seus pertences e anotações. Fui testemunha como ele amava aquele local e muito contribuiu para sua preservação. Merece toda nossa homenagem. Por sua vez, fiquei triste ao ver o avanço das habitações do Bairro Guarani até o topo da Serra, por muitos anos castigada com a retirada de terra, areia, pedra e outros materiais pelo setor da construção civil. Para o porte de Vitória da Conquista, é um Herbário que precisa ser ampliado com mais espécies para atender a demanda. Se houvesse mais investimentos por parte do poder executivo, o local poderia até ser transformado num ponto turístico, com trilhas e outros equipamentos atrativos aos visitantes.
CANÇÃO DO SABER
Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Esta canção que laço,
Tem raízes fincadas na terra;
É do menino de pés descalço,
Nascente de água cristalina,
Que desce daquela serra,
Como uma graça divina.
Quando se está triste,
A alma cálida padece,
Parece que nada existe;
Dá vontade de chorar:
Oh, Senhor, meu pai Oxalá!
O vento zune lá fora,
Como canção de ninar,
Nem sei mais fazer a hora,
Desse doer se acabar,
Mas, como disse Vandré,
“É só saber querer,
Para poder chegar”.
Esta é a canção do saber,
A canção do sofrer, do amar,
De quem lutou e foi calado,
Pelo facínora do ditador,
Quando sua viola solou,
Que gente unida é pra ganhar.
Esta é a canção do saber,
Saber viver e saber morrer.
- 1















