:: 7/jan/2026 . 23:39
DIA DO LEITOR QUE ESTÁ ESCASSO
Não é preciso citar o grande historiador inglês Eric John Ernest Hobsbawm, Maquiavel, Schopenhauer, Freud, filósofos da antiga Grécia ou da França, para explicar a invasão dos Estados Unidos à Venezuela e a as tripolias do Trump, que encarnou Hitler ou Stalin.
Simplesmente, os absurdos da história são absurdos e estão sempre se repetindo. Não precisamos complicar a linguagem, porque atualmente só é acessível a poucos por falta de leitura. Como diz o “Chicó”, do “Auto da Compadecida”, “só sei que foi assim”. De exibições, bastam os horrores que estamos assistindo estarrecidos.
O que, na verdade, hoje me traz aqui é o Dia do Leitor, “comemorado” ontem (dia 07/01) que até já havia esquecido pela raridade de se encontrar leitores ou leitoras de livros de papel, principalmente no Brasil onde muitas livrarias tiveram que fechar suas portas justamente por falta deles e delas.
Deveria mudar para Dia do Leitor de Telas, de curtos textos nas redes sociais, com um monte de erros de português e sem conteúdo, sem falar que uma grande parte é fake news; contém mentiras; é infundada; truncada; e não se pode confiar nas informações, por falta de estudos e pesquisas.
Quando chegou a internet, no começo dos anos 2000, há 26 anos, afirmaram os mais “especialistas” no assunto que o e-book, ou seja, o livro on-line, iria substituir o de papel. Até agora nada disso aconteceu. Na minha modesta visão, avaliei comigo mesmo que se o indivíduo não tem o hábito da leitura dos grandes mestres da literatura impressa, também não iria ler o e-book.
Dia do Leitor poderia mesmo ser comemorado nos anos 50, 60 e até os 70 do século passado, particularmente no Brasil, quando os jovens daquela geração andavam com um livro debaixo do braço e discutiam em bares e encontros os grandes autores. Trocavam e emprestavam seus exemplares.
Hoje é celular na mão dentro dos ônibus, nas recepções das clínicas de espera como pacientes, nas praças, repartições e até dirigindo, cometendo infrações de trânsito. Quando vou a um consultório ou a uma agência bancária tratar de um problema, levo meu livro e ninguém nem nota. Se alguém ver, deve me achar de maluco, extraterreno ou um velo caduco.
Além da raridade de leitor, uma coisa está ligada a outra, temos também, infelizmente, a escassez de grandes autores em todos os gêneros da literatura, gente que se debruça em pesquisas por anos para contar histórias; escrever sobre ciências sociais; filosofia; cultura popular; tradições e civilizações dos povos; dentre assuntos, com bases sólidas, e não através de boatos e falatórios.
Quando falamos de leitor, temos também que tecer comentários sobre os novos escritores dos tempos “modernos”, mesmo porque uma coisa está relacionada a outra. Por incrível que pareça, e é até contraditório, observamos que está existindo mais publicações e menos leitores.
Acontece, porém, que a grande maioria dos lançamentos tem baixa qualidade e muitos se enveredam no mundo dos escritores por pura vaidade, achando que de uma hora para outra vai se tornar famoso ou famosa, como Machado de Assis, Graciliano Ramos, Jorge Amado, José Lins do Rego, Raquel de Queiroz, Clarice Lispector e muitos estrangeiros e estrangeiras.
Como ocorre na música, de letras curtas, muitas com apenas uma estrofe, os livros atuais, em sua maioria, não passam de 200 páginas, especialmente se for de poesia, conto, crônica ou até romance. Acho que isso seja resultado da preguiça de se ler. Se for de mais de 400 páginas, o leitor (nem todos) nem olha, foge como o como o cão corre da cruz.
Outra coisa é que Dia do Leitor soa a machismo. Para acompanhar as mudanças e não ser visto como politicamente incorreto, teria que ser Dia do Leitor, da Leitora, do LGBTQIAPN+ e por aí vai. Mesmo assim, o quadro de leitores não se alteraria.
Portanto, não complique, descomplique para que, pelo menos, todos possam entender os bárbaros acontecimentos de invasões, matanças, genocídios, arbitrariedades, tiranias e a lei do mais forte neste planeta selvagem. Leia mais e não fique refém do mundo virtual para não se tornar num imbecil, como dizia o filósofo italiano Umberto Eco. Olha eu cometendo o mesmo erro de citações! Vamos ser mais claros, objetivos, diretos e grossos, no bom sentido!
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