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A FOTOGRAFIA EM FOCO NO SARAU COM CANTORIAS, POESIAS E CAUSOS

Uma imersão no mundo da fotografia pelo jornalista Jeremias Macário a partir da visão de seus quadros fotográficos durante suas andanças pelo sertão em seus tempos de repórter, com falas de José Silva, contando suas histórias como profissional.

São mais de 50 quadros fotográficos que fazem parte do acervo do Espaço Cultural A Estrada e que remetem, em sua maioria, às reportagens jornalísticas sobre as secas na região sudoeste, do período de 1991 a 2005. Nelas estão incluídas fotos da Serra do Periperi, capelas e pedintes na BR-116. São paisagens político-social que retratam o sofrimento do nosso povo.

Foi uma temática mais descontraída na noite do Sarau A Estrada, realizada no último sábado (dia 06/12/2025), no Espaço Cultural que leva o mesmo nome. Os quadros sobre paisagens secas do sertão, capelas e a vida sertaneja em suas labutadas pela sobrevivência foram revisitados no tempo, como registros históricos.

Os trabalhos foram abertos pelo membro da comissão Dal Farias, com informes sobre a reconstrução do novo espaço, prestação de contas do fundo do sarau por Cleu Flor, bem como a aprovação da ideia de realizarmos o primeiro Sarau na Estrada, na Praça Barão do Rio Branco, no início do próximo ano, com data ainda ser marcada.

O propósito é levar o Sarau até o povo nas ruas e aproveitarmos a ocasião para cobrar do poder executivo, através da Secretaria de Cultura, mais atenção para nossa cultura, principalmente quanto a abertura dos equipamentos culturais fechados há anos e a elaboração do Plano Municipal de Cultura, o qual deve se tornar lei dentro do plano orçamentário do município. Queremos mais recursos para o setor, não somente esse calendário de São João e Natal.

Com a participação de cerca de 30 pessoas entre artistas, professores, jovens estudantes, amigos e interessados pela cultura, a noite foi abrilhantada por Fabrício Prado na viola com suas cantorias, além da contação de causos de Jessier Quirino. Não faltaram as declamações de poemas autorais e a troca de ideias entre presentes num bate-papo descontraído e fraternal.

Podemos dizer que o evento, que completou 15 anos de existência e está entrando no seu décimo sexto período, foi mais uma realização memorável que varou a madrugada, acompanhado de um bom vinho e o tradicional prato da meia noite, com a degustação de petiscos e uma boa comida, tendo como personagens principais a cultura e a troca de conhecimento e saber.

Sobre a história da fotografia, que é um processo de química, imagem e luz, com seu conjunto de lentes, filtros e obturadores, inventada no século XIX, Jeremias Macário, antes de discorrer sobre seus trabalhos, fez uma breve introdução sobre essa temática.

A princípio, a imagem teve sua origem na antiga Grécia quando Aristóteles resolveu fazer uma caixa, nela colocando um pequeno orifício de luz para observar o eclipse solar. Cerca de dois mil anos depois, após uma série de pesquisas, o francês Joseph Niépce inventou a fotografia, ou a heliografia (escrita do sol) e evoluiu o processo, em 1827, com seu colega Luis  Daguerre que consolidou a fotografia, em 1853. Antes deles, porém, tivemos Johan Schulze, em 1725.

Em 1839 Daguerre produziu o daquerretipo, que é a máquina fotográfica atual, e criou a revelação, usando o sulfato de sódio e cristais de iôdo. Com a ajuda de outros estudiosos no assunto, em 1853 surgiu a profissão de fotógrafo, com máquinas analógicas.

No ano de 1888, George Eastman, construiu a primeira câmara com onze metros de cumprimento, reduzido o tamanho graças ao uso da química e da mecânica. No início era a analógica com a utilização de rolos de filmes de 36 poses. No final do século XX, a indústria fotográfica introduziu as digitais facilitando o trabalho dos profissionais da arte poética de eternizar os fatos e acontecimentos.

É bom frisar que antes da fotografia, até o século XIX, os jornais, para ilustrar suas reportagens, principalmente em épocas de guerras, enviavam seus correspondentes desenhistas e pintores para registrar as cenas de combates, paisagens e eventos da sociedade.

Assim foi o Sarau numa noite iluminada pela fotografia e cheia de boas ideias entre estradeiros que há 15 anos mantém essa tradicional harmonia, na base da prosa e da conversa de pensamentos. O Sarau, além de ir às ruas, tem outros projetos quais sejam de incluir a comunidade em seus eventos e já abriu seu Espaço Cultura para a visitação de estudantes.

 

QUANDO GILBERTO FREYRE EXPULSOU LAMPIÃO E SEU BANDO DE PERNAMBUCO

SÓ A UNIÃO DE FORÇAS DOS ESTADOS NORDESTINOS, COM ARMAMENTOS MODERNOS E A PRISÃO DE COITEIROS MINARAM AS AÇÕES DO CANGAÇO. O SOCIÓLOGO GILBERTO FREYRE FOI UM DOS IDEÓLOGOS E ESTRATEGISTA, QUE CONTRIBUIU PARA ESTE ENFRAQUECIMENTO.

A partir de 1919, com a grande seca, e durante toda década 20, o cangaceirismo profissional entrou em franca expansão. Novos bandos surgiam praticamente quase todos os dias, e Pernambuco chegou a ser o maior celeiro do cangaço, principalmente vindos da região do Pajeú, tendo como foco Vila Bela, hoje Serra Talhada.

Além de desorganizadas e sem estrutura financeira, o armamento das forças das volantes era totalmente arcaico em relação às armas modernas usadas pelos cangaceiros. Havia um tipo de pistola tão obsoleta que servia de piada para os nordestinos quando diziam que “eram dois tiros e uma carreira”.

Antes havia o impedimento de uma força de um estado entrar no território do outro quando em perseguição aos bandos. Os governantes em geral estavam desestruturados, sem contar a corrupção de que se valiam os cangaceiros para subornar soldados e oficiais.

Naquela época (década de 20), os bandos mais perigosos, a maioria aliada a Lampião, eram os de Jararaca, os Patriotas, os Sipaúbas, os Sabinos, os Pereiras, os Pinheiros, Manuel Vitor, os Marianos, os Melões, Paizinho Baio, Tibúrcio Santos, Vinte e Dois, os Pedros, os Porcinos, Casa Velha, dentre tantos outros. Eles contavam com a cobertura dos coiteiros, tendo como maior centro a Serra D´Umã.

Os coiteiros eram um dos maiores Calcanhares de Aquiles dos governos, mas a ação repressora surtiu bons efeitos logo no início dos anos 20, mediante acordos realizados, primeiro entre os estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, em 1922. Depois vieram outros nos anos de 1926 e 35 em que se juntaram os governos de Alagoas, Sergipe e Bahia.

Vale ressaltar que em 1912 os estados mais atingidos pelo cangaço também se reuniram para combater o cangaceiro Antônio Silvino, mas foi no período de Lampião que as alianças surtiram melhores resultados.

Nesses acordos, além de uma repressão mais firme, os governadores decidiram outras medidas estratégicas, como construção de rodovias, controle sobre as canoas nos rios, distribuição de cem fuzis militares entre civis de confiança pelo Governo de Pernambuco, introdução da submetralhadora de 500 disparos por minuto, entre outras ações.

Nesse meio houve um fato interessante que conseguiu deter o ímpeto de Lampião e seus bandos. Em 1927, no Governo de Estácio Coimbra (Pernambuco), por recomendação do sociólogo Gilberto Freyre, seu secretário de Gabinete, foram estabelecidas novas diretrizes para repressão ao banditismo, e uma delas foi a prisão dos coiteiros. Muitos, inclusive chefes políticos e fazendeiros, foram sendo presos e recambiados para a capital, culminando com o maior deles que era o coronel Ângelo Lima, o Ângelo da Jia.

Sem o coiteiro, o cangaceiro não era nada. Em decorrência dessa eficácia, em agosto de 1928, Lampião com um grupo já reduzido de cabras, depois de ter sido repelido em Mossoró durante sua tentativa de invasão à cidade (50 homens contra 150 do prefeito), em março de 1927, abandona sua terra natal e se interna nos sertões da Bahia.

Antes disso, porém, um episódio político contribuiu em muito para o avanço do cangaço, que foi a passagem da Coluna Prestes pelos sertões nordestinos, logo no início de 1926, ano em que foi o marco do banditismo na região, especialmente em Pernambuco, conforme aponta o autor do livro “Guerreiros do Sol”, Frederico Pernambucano de Mello.

Lampião começou sua carreira por volta de 1919/20, ainda como cabra nas hostes surgidas dos Matildes e dos Porcinos, bem como em etapa seguinte no bando de Sinhô Pereira. Seu auge se deu em 1926, com suas andanças pelos estados da Paraíba, Ceará, Alagoas, Bahia e Pernambuco.

Em fevereiro de 1926, ele tocaia e mata seu velho inimigo José Nogueira, em Vila Bela (Serra Talhada). Em março entra em Barbalha (Ceará) à frente de 49 cabras se hospedando no Hotel Centenário onde pousou para fotos e deu entrevistas como se fosse governador do sertão. Em agosto ataca a fazenda Tapera, Floresta, matando treze pessoas de uma mesma família. Em setembro invade Cabrobó à frente de 150 bandoleiros, sob toque de cornetas e em formação militar. Em novembro, com 90 homens, enfrenta a batalha da Serra Grande (Vila Bela) contra 260 soldados. Em dezembro, na localidade de Juá, destrói a tiros 127 bois do fazendeiro Joaquim Jardim.

Nessa época, a fama de Lampião corria o país inteiro e ocupava espaços nobres nos jornais. A opinião pública criticava as forças policiais, enquanto o bandido alardeou invadir Rio Branco, hoje Arcoverde. Até o governador de Pernambuco, na época, Sérgio Loreto, ironizava que sendo o bandido reconhecido como governador do sertão, nada mais justo que sediasse seu comando em Rio Branco. O governador se queixava da colaboração prestada aos bandidos pelos sertanejos.

Como ocorreu em 1914, com a revolução de Juazeiro (guerra santa), nos anos de 1926/27, os sertões de Pernambuco, Paraíba e Ceará foram inundados de armas distribuídas pelo governo federal quando da organização de milícias (batalhões patrióticos), para combater a Coluna Prestes.

Grande parte dessas modernas armas, fuzis e mosquetões de fabricação europeia, caiu nas mãos dos bandidos, sobretudo de Lampião, quando esteve em Juazeiro, em 1926, convocado pelo deputado baiano Floro Bartolomeu da Costa e Padre Cícero, para se juntar ao exército contra Prestes. Cada cangaceiro ganhou um fuzil novo.

 

VEREADORES VOTAM EMPRÉSTIMO E DISCUTEM IPTU NOS DISTRITOS

Em primeira votação, a maioria dos vereadores da Câmara Municipal de Vitória da Conquista, em sessão desta sexta-feira (dia 05/12), aprovou o pedido de empréstimo de 400 milhões de reais feito pela prefeita Sheila Lemos e discutiu a questão de cobrança do IPTU nos distritos da zona rural.

Alguns parlamentares da oposição chegaram a questionar essa nova solicitação de empréstimo do poder executivo em decorrência do alto risco de endividamento do município, bem como porque o projeto não especifica claramente em quais obras serão investidos os recursos.

Prepostos do governo, entretanto, afirmaram que a maior parte será aplicada no asfaltamento de ruas em bairros carentes que ainda não foram beneficiados por esse serviço de melhoria. O pedido de empréstimo ainda será apreciado pela Casa em segunda votação.

A projeto de cobrança de IPTU nos distritos de Vitória da Conquista rendeu uma grande polêmica no legislativo, visto que a prefeita enviou uma emenda visando a isenção do imposto em 2026, mas que a cobrança passe a vigorar a partir de 2027.

A maioria dos vereadores, incluindo os da situação, se posicionaram contrários à cobrança do IPTU nos distritos. Alexandre Xandó destacou que os distritos sejam permanentemente isentos.

Os parlamentares, em suas falas, recomendaram que seja votado a isenção para o próximo ano de 2026. Quanto uma possível cobrança em 2027, a questão entrará em pauta posteriormente num diálogo com o executivo.

No geral, o legislativo demonstrou rejeição para que o IPTU seja incluído também aos moradores dos distritos. Andreson ressaltou que a cobrança é inoportuna e que os distritos precisam de melhorias. Luciano Gomes, vereadora Cris, Ricardo Babão, Dudé, entre outros defenderam que os distritos fiquem isentos de forma permanente.

ALBUM DE FAMÍLIA E FORMATURA

Com o celular, as fotos de comemorações de aniversários, festas entre amigos e famílias ou encontros vão diretas para as redes sociais, se bem que o fotógrafo profissional ainda existe para registrar momentos inesquecíveis, mas com menor demanda.

Quem não se lembra dos velhos álbuns de famílias, alguns encadernados em pastas de capas duras, com papel de seda brilhante para proteger as fotos, feitos por pessoas com maior poder aquisitivo! Os pobres guardavam os retratos tirados em feiras livres em seus baús e, com o tempo, elas ficavam amarrotadas. Aliás, ainda existem.

Quando chegavam alguns amigos ou parentes em sua casa, as mães e as avós reuniam todos numa mesa para comer um bolo com café e mostrar as fotografias. Os comentários eram os mais variados, especialmente sobre aquelas fotos de poses e vestimentas engraçadas daquela época. Todos caiam na gargalhada, mas era muito gostoso recordar o passado.

Lembro de uma foto que meu pai mandou um retratista tirar numa dessas feiras de povoado, ou numa missa na igrejinha, onde a perna da minha mãe saiu torta. Eram feições de matutos e lá estava eu bem miudinho. Essa relíquia se perdeu.

Os álbuns de famílias representavam a própria história daquele clã, principalmente entre as mais poderosas. O patriarca ou o coronel sempre saia na frente com uma bengala. As mulheres em posições secundárias, como submissas.

Mesmo com o avanço tecnológico, ainda existe o tradicional álbum de família nos casamentos, nos batizados, aniversários importantes de 70, 80 e 90 anos e nas formaturas escolares. Só que é esquecido lá no canto e poucos mostram para evitar serem vistos como chatos.

Não existe mais aquele entusiasmo de ficar passando folha por folha, fotografia por fotografia. Fiz um dos meus 70 anos, mas não me atrevo mostrar aos amigos e parentes, para não me chamarem de mala. Se alguém abre por educação, passa rapidamente as folhas para chegar logo ao final do calhamaço e mudar de assunto.

E aqueles antigos álbuns de formaturas e encontros de estudantes? Estes têm muitas histórias e coisas para se falar e contar. Rendem fofocas, piadas e bullying maldosos entre os colegas. Mesmo assim, a maioria desses álbuns se perdem no tempo como velharias.

– Olha a Alice, lembra dela, era toda metida a gostosona, que passava se rebolando nos corredores e não dava “bola” para ninguém, mas transava com o diretor!

– Esta aqui, na foto, é a Cleonice, que namorava com todo mundo. E aqui, a Suzana, gordinha, que todos a chamava de “bolinho”, e ela ficava furiosa! A Ana era toda séria, metida a riquinha que esnobava dos mais pobres!

Entre os rapazes, tinha o playboy, o espirituoso que gostava de colocar apelido em todo mundo. Este é o “André Galinha” tirado a galã, mas só tomava fora das moças. Só queria tirar um sarro!

– Ah, cara, a foto está velha, mas este é o Carlos, o cdf – cu de ferro-, todo arrumadinho que passava todo tempo estudando para tirar nota boa. Nem adiantava chamar ele para um “assustado”. Era o queridinho da professora.

– Diogo era o mais gaiato da turma e bom de bola, mas só tirava nota baixa. Ele dizia que quando crescesse queria ser caminhoneiro para rodar o mundo numa boleia de carro!

Aqui é o Ronaldo valentão, que procurava briga com todo mundo. Sempre foi revoltado com tudo. Diziam que o pai dele era violento e batia até na mãe. Um dia entrou numa sala com uma barra de ferro e quebrou várias carteiras. Os professores tinham medo dele.

Pois é, esses álbuns guardavam histórias, inclusive de muitos que abandonaram a escola e sumiram. Outros foram para outras paragens com seus pais, mas deixaram seus semblantes e marcas registrados.

Atualmente, com a ferramenta da internet, muitas fotos são usadas de forma indevida, difamando e caluniando pessoas através de imagens criminosas.  E agora com a tal inteligência artificial onde se pode falsificar fotos com falas que não são reais! Seja bem-vindo ao mundo das redes sociais onde nem tudo é verdade!

 

A SERRA E O TEMPO

O tema daria para se fazer um poema e ser musicado, uma crônica, um filme de ficção ou documentário, outro gênero literário e até mesmo uma tese de doutorado.  Claro que estou a me referir sobre a nossa popular Serra do Periperi, em Vitória da Conquista, que poderia ser chamada de Serra dos Mongoiós, Monachós, também conhecidos como Camacãs. A Serra e o Tempo, dela sobrou o vento no lamento zunido de seus antepassados espíritos.

A Serra tem muitas lendas e histórias para serem contadas. São poesias do tempo, matas que pertenceram aos índios, expulsos e exterminados de suas terras virgens pelos colonizadores. Corredeiras de águas que alimentavam o rio Verruga e matava a sede de seus primeiros nativos.

Há mais de 100 anos, em 1817, quando aqui chegou (Arraial da Conquista) o príncipe alemão Maximiliano Wied-Newied, ele ficou encantado com a exuberância da sua floresta, ainda praticamente virgem. Se retornasse depois ao túnel do tempo, ficaria horrorizado e decepcionado pela ação predadora do homem.

Dela sobrou uma pequena área do Poço Escuro, mesmo assim carente de preservação e urbanização. Por mais de 100 anos depredaram a Serra, derrubaram suas árvores, retiraram terra, pedras e areia, aterraram suas nascentes e, ao longo desse período, seus habitantes invadiram suas encostas. Maldita exploração imobiliária! O capital tem o dom do extermínio.

No final dos anos 90 ela foi cortada de ponta a ponta para construir o asfaltamento do Anel Viário, como mostram as imagens de comboios de carretas flagradas pelas nossas lentes. Lembro que se criou uma grande polêmica na época com opiniões contrárias dos ambientalistas e defensores da preservação da Serra, a esta altura totalmente desfigurada, verdadeira terra arrasada. A discussão custou a demissão do secretário municipal do Meio Ambiente que contestou pontos do projeto.

Toda sua encosta hoje, praticamente de ruas de chão, sem saneamento básico, está tomada pela pobreza periférica que mais sofre com as fortes chuvas. As partes altas e baixas da cidade também são atingidas por lamas, pedras e todos tipos de detritos que descem da Serra pela falta de uma vegetação mais densa como naqueles tempos da visita do príncipe.

 

TORMENTOS DA ALMA

Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

O ser, do ser Criador,

Servo do tempo infinito,

Matéria e espírito de dor,

Tormentos da alma:

Luta entre o existir do viver,

Mesmo sem sentido no crer.

 

Neste embate entre vida e morte,

Transitam a angústia e a felicidade,

Nas frestas do vencer do mais forte,

Mistérios da Suprema divindade:

Com linhas tortas universais,

Conflitos humanos animais.

 

Para os tormentos viscerais:

Religiões, amuletos das muletas,

Versões morais e imorais,

Somos almas atormentadas,

Até mesmo santos canibais,

Com suas cores multifacetadas.

CADA VEZ MAIS FICA DIFÍCIL IR AO CENTRO DE CONQUISTA DE CARRO

A ganancia arrecadatória de impostos, multas e taxas da prefeita Sheila Lemos não tem limites, chegando a passar por cima das leis, com medidas inconstitucionais. Como se não bastasse o IPTU, com a escorcha de aumentos superiores a 50%, agora volta suas baterias para a chamada Zona Azul que está mais para Vermelha.

Se já ir ao centro de Vitória da Conquista de carro já era um tormento, agora ainda pior com o reajuste nos preços de 50% nas vagas por hora, sem falar na complicada mudança de pagamento por aplicativo no carregamento de créditos. É visível a incompetência da empresa responsável pelo sistema, com poucos funcionários para atender a demanda dos funcionários. A insatisfação é geral.

Existe uma mania compulsiva nos tempos atuais dos avanços tecnológicos via internet de se mudar o simples, que está dando certo, para o complicado, para infernizar ainda mais a vida das pessoas que já têm uma rotina de correria.

Outra coisa é delegar a uma empresa o poder de aplicar multas de trânsito a quem estacionar de forma “irregular” e criar uma dívida ativa na prefeitura para casos de “infrações” das normas impostas. Como “irregular”, se o estacionamento do veículo naquele espaço é permitido?

Mais burocracia, mais aumento nos preços e mais dificuldade para estacionar um carro no centro da cidade. Essas mudanças malucas só favorecem aos donos de estacionamentos privados que já cobram um preço exorbitantes por hora e atuam sem nenhuma regulamentação do poder executivo.

Vai se chegar a um ponto onde ir de carro ao centro de Conquista se tornará inviável. Quando se vai ao centro resolver um problema ou problemas, principalmente a uma agência bancária, repartição pública ou a uma reunião, uma hora não é suficiente. Como fica quem ultrapassa esse tempo? Essa questão não ficou esclarecida.

A tal Zona Azul, ou Vermelha, de Vitória da Conquista, sempre foi um problema dos governantes a partir do crescimento vertiginoso populacional de Conquista, e nunca se encontrou uma solução que agradasse a todos. Houve tempo em que ela ficou parada sem nenhuma administração, sem contar que são poucas as vagas para deficientes e idosos.

A situação só tende a piorar por falta de uma infraestrutura adequada de mobilidade urbana. A melhor saída seria ir ao centro sem carro para se livrar dessa horrível dor de cabeça estressante, mas não existem alternativas de meio de transportes coletivos. Só existem ônibus e são insuficientes para atender a demanda.

Ao invés de projetos mais humanos, de melhoria de qualidade de vida para as pessoas, as cidades ficam cada vez mais desumanas, especialmente nos centros, com o entupimento de carros emitindo gases tóxicos poluidores no ar.

O centro administrativo e financeiro de Conquista já está por demais saturado. Aa grandes cidades, melhor urbanizadas e politicamente planejadas, desobstruíram esses espaços, deslocando órgãos públicos e privados para outros locais.

Conquista insiste em manter suas repartições, prefeituras e secretarias no centro, congestionando os espaços e tornando a vida dos usuários mais difícil. Por que não criar um centro administrativo em outro local, como, por exemplo, no antigo aeroporto?

Conquista está se tornando numa cidade caótica para se circular, com mais carros e motocicletas, todos se dirigindo para o centro, ainda o único ponto das decisões. Melhor seria estacionar o carro fora da Zona Azul e ir andando, mas ninguém quer fazer isso. Por outro lado, até na periferia do centro não existem vagas para tantos veículos.

As medidas absurdas para resolver os problemas da Zona Azul são apenas paliativas. A questão é macro e exige planejamentos estruturais para desafogar por completo o centro da cidade, de poucos calçadões e mais ruas com o trânsito caótico.

 

 

CÂMARA VOTA PLANO PLURIANUAL

Em sessão realizada ontem (dia 03/12), a Câmara Municipal de Vereadores de Vitória da Conquista votou o projeto que institui o plano Plurianual de 2026 a 2029.  Foi ainda aprovada a proposta que dá nome de Joãozinho da Carreta à ciclovia da Avenida Paraná e outra que homenageia o professor Raymundo Viana, com nome de rua no Bairro de Candeias.

Na ocasião, foi informado que se encontra em redação final o projeto que presta homenagem à historiadora Isnara Pereira Ivo, que dará nome a uma área verde do Inocoop. Foi votado também o projeto que cria a Semana do Cooperativismo no calendário municipal, bem como a Semana da Saúde Mental nas escolas municipais.

ZONA AZUL

Durante a sessão, vários parlamentares aproveitaram suas falas para criticar as mudanças propostas pelo poder executivo para a Zona Azul, como o vereador Diogo Azevedo, elogiando a presidência da Câmara que está preocupada com o problema. Segundo ele, a Zona Azul é uma desmoralização e um desrespeito à população. Azevedo também comentou sobre o crescente número de acidentes de trânsito que vem ocorrendo em Conquista e criticou a buraqueira em toda cidade.

O vereador Alexandre Xandó levantou a questão do programa Minha Casa, Minha Vida, dizendo que muitas famílias em Conquista não estão podendo se inscrever porque estão com o Cade-Único irregular, e a Secretaria de Desenvolvimento Social não tem regularizado o processo através de visitas que devem ser feitas junto aos usuários.  Por falta de regularização, muitas pessoas estão, inclusive, perdendo os benefícios ao Bolsa Família a que têm direito – destacou. Recomendou que os prejudicados recorram à Defensoria Pública.

A vereadora Gabriela Garrido fez menção às ocorrências de crimes de violência contra as mulheres, citando vários casos bárbaros ocorridos recentemente na Bahia e no Brasil. Disse que esse tema deve ser levado à discussão nas escolas públicas, para que as crianças e os jovens estudantes tomem consciência sobre essa questão da agressão contra a mulher.

 

A MALANDRAGEM E A BUROCRACIA

– Calma, meu amigo, não adianta ficar nervoso, minha função aqui é carimbar, sou apenas um carimbeiro de papéis. Só recebo ordens lá de cima.

Quem não já se sentiu nesta situação numa repartição pública que exigia e ainda exige uma série de documentos pessoais para você obter uma escritura, uma licença qualquer, um alvará, um requerimento ou uma autorização de compra e venda de um móvel ou imóvel?

Às vezes, você fazia e faz tudo certo, na base do passo a passo, com uma pasta de papéis debaixo do braço, mas, quando chegava na sala do chefe da repartição, ele dizia e diz com seu ar de superioridade, que estava e está faltando o carimbo lá debaixo.

O nome disso, que ganhou popularidade, se chama de burocracia, isto é, um monte de papelada para sacramentar um documento e até se habilitar a um concurso público, ou a um edital.

– Participa, cara, vai lá! É tudo simples, não existe burocracia! Só em falar essa expressão me dá tremedeira. Deve ser trauma incurável. Não há psicólogo que resolva.

Tenho a impressão que a burocracia encontrou um terreno mais fértil e ganhou mais notoriedade no Brasil por causa da crescente malandragem das pessoas em querer se dar bem em tudo, da maneira mais fácil, usando todos os tipos de falsificações e tramoias.

Para simplificar mais a vida das pessoas e mudar essa mentalidade de se desconfiar de tudo, foi criado, no último governo da ditadura, do general João Figueiredo, o Ministério da Desburocratização, cujo chefe da pasta era Hélio Beltrão (entrevistei várias vezes) que ficava até sem graça ao falar do assunto, mas transmitia um ar de competência. Ele tentava nos convencer que todo brasileiro era honesto, mas não colava mesmo.

Acho que os generais inventaram esse ministério para fazer alguma média política ou porque o Beltrão ficou sobrando nas listas de indicações. Já imaginou um Ministério da Desburocratização, sem burocracia?

O mais engraçado é que, naquela época da ditadura, era burocrático e difícil entrevistar o ministro da Desburocratização. Ele se apresentava com vários papéis, neles escritos seus inúmeros projetos e medidas para desburocratizar o país. Ele se expressava com aquele jeitão de D, Quixote, prometendo acabar com os moinhos de ventos.

São coisas do passado, mas essa cruel burocracia persiste até hoje como maior entrave na vida dos brasileiros, mesmo com os avanços da tecnologia da internet. Siga o passo a passo e, quando se está quase no final, tudo trava.

E os editais culturais? São cheios de leis, itens, cláusulas, artigos, parágrafos, incisos e outras exigências que deixa qualquer artista doido, à beira de arrancar os cabelos. A única saída é contratar um profissional de projetos.

– É para deixar tudo bem amarrado e protegido para que não haja fraudes por parte dos mais “espertos” mal-intencionados. São exigências dos tribunais de contas – argumentam os técnicos projetistas dos governos.

Quanto mais burocracia, mais profissionalização das malandragens, caso dos golpistas da internet que sempre conseguem descobrir uma fórmula para quebrar segredos e proteções, naquela base da esperteza do jeitinho brasileiro.

Para quem não sabe, o termo burocracia nasceu na França, no século XVIII, numa junção das palavras “bureau” – escritório, mesa – com o grego “kratos”, de poder, autoridade e governo. No conceito do sociólogo Max Weber, a palavra tinha o sentido de eficiência organizacional do Estado moderno.

Na verdade, o termo foi cunhado pelo francês Jean-Claude Maria Vincent já com a crítica popular pejorativa de lentidão e excessos de procedimentos nas repartições públicas.

No Brasil, a burocracia ganhou sobrevida no Governo de Getúlio Vargas, principalmente a partir de 1936, com uma série de reformas na busca da profissionalização dos serviços públicos, visando privilegiar a meritocracia.

Não é hilário? Na minha concepção, burocracia é um atraso e uma maneira de emperrar ações, projetos e travar o desenvolvimento do país. Confesso que tenho horror e me dá urticária esta palavra de “bureau” com “kratos”, que quer dizer burocracia.

Prefiro enfrentar um touro na arena. Burocracia é como um engarrafamento num trânsito caótico num dia de cão, ou de um calor de 50 graus, sem ar condicionado no carro. Sou mais os tempos do fio do bigode, mas a malandragem está solta, meu camarada!

A BOLA ESTÁ QUADRADA

Resolvi escrever um pouco sobre futebol brasileiro porque é a modalidade que mais aprecio, ou apreciava, e por ter sido jogador na época de jovem. Por pouco não me profissionalizei. Ainda continuo tricolor das Laranjeiras, mais comedido, cabreiro e desconfiado.

Saudades daqueles tempos quando se via lances e dribles desconcertantes nos campos, que entortavam defesas adversárias, como Garrincha, Pelé, Didi, Tostão, Reinaldo, Jairzinho, Rivelino, Ronaldo, Dirceu, Ronaldinho Gaúcho, o bruxo, Romário e tantos outros que podiam ser chamados de craques.

Dava gosto de se ir a um estádio para assistir um verdadeiro espetáculo. Eram todos juntos com camisas de cores diferentes.  Nos últimos anos, só pernas de paus, porradas, rasteiras e chutes onde a bola vai parar no meio das torcidas. Os gols são de cabeça naqueles ajuntamentos brutais de agarra-agarras e empurrões nos escanteios e faltas fora da pequena área.

Por falar em bola, nos últimos dias a vejo quadrada como os negativistas da terra plana. Pode ser ilusão de ótica ou problema de vista. Para mim, não é mais redonda como antes que rolava serena nos gramados, sem ser maltratada. Ela até agradecia o trato carinhoso.

Perdi a conta do tempo sem mais aquele craque brasileiro que era ovacionado quando pegava na bola e até decidia partidas perdidas e virava o placar. A equipe confiava nele e jogava com amor à camisa que vestia. Demorava anos no clube do coração.

Hoje são todos medianos que usam mais a força física, simulam faltas e rolam nos campos, no cai-cai. Lembram do Neymar, o último moicano com seu futebol empolgante, mas preferiu as farras e agora está com as pernas podres.

No futebol de hoje, ganha mais campeonatos quem tem mais dinheiro. Forma o melhor elenco quem possui mais grana no caixa, e o técnico sempre sobressai como o melhor. Assim é fácil ser treinador. As únicas coisas que ainda continuam são as roubalheiras dos cartolas. Perdeu-se a graça, mas os torcedores vão às raias da loucura. Ficam hipnotizados! São suas válvulas de escape para descarregar suas raivas.

Muitos clubes foram vendidos para empresários e empresas do exterior. Acabou-se a brasilidade, o sentido de pertencimento. Quando um menino da base se destaca um pouco dos outros, é logo vendido para Europa e aqui ficamos com os “vira-latas”.

Nos últimos anos, todos os grandes times estão enxertados com gringos da América do Sul e até de outros países. A maioria, de jogadores de seleções estrangeiras. Os técnicos são de fora, inclusive o italiano da seleção brasileira.

Nas entrevistas de jogadores e treinadores, só se houve o espanhol e até o inglês, sem contar os portugueses de língua embolada. Lá se foi o nosso futebol alegria, mas o torcedor é bicho fanático. A maioria ainda abre a boca para dizer que seu time é sua vida.

Como bárbaros, matam uns aos outros em brigas fraticidas de garrafas e cacetes, como primitivos da Idade da Pedra.  É o vazio humano, desumano, prova da alienação nacional. Estádios lotados de histéricos gritos e alaridos, mais de gente pobre, que troca um ingresso por uma dívida, ou um alimento para a família.

A mídia esportiva, principalmente a Rede Globo, que monopoliza todos os campeonatos, vende um quadro falso de um futebol original, mas decadente. Ela se gloria que nos últimos anos os campeões das Libertadores ficaram no Brasil.

O torcedor fica eufórico e cego. Essa mídia não explica que tudo isso começou quando os times passaram a comprar mais e mais jogadores caros de fora. Vale quem tem mais “dindim”, mais bufunfa para investir.

Para comprovar isso, basta observar a última final entre o Flamengo e o Palmeiras. Que jogo feio da peste! De cada lado, cheio de gringos que dá um time. Nenhum atleta notável brasileiro. Gol de cabeça de bola cruzada pelo alto. No mais, foi chute pra lá e chute pra cá, sem contar as pernadas e pancadas, sem mais respeito ao colega.

Cadê o meu futebol da bola redonda, cheio de poesia e plasticidade que atraia multidões? Cadê a nossa seleção de craques com aquele gingado brasileiro que encantava o mundo? O gato comeu, meu amigo! Os deuses do futebol nos abandonaram.

 

 





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