TUDO TEM SUA VEZ
Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Deixe a inspiração fluir,
Para nascer a poesia,
Espere a maré baixar,
Para fazer a travessia.
Tem a vez do nascer e crescer,
Do aprender e do saber,
Trabalhar e do curtir,
Do ganhar e do perder,
O tempo da velhice:
Foi o sábio que assim disse.
Tudo tem sua vez,
Do início e do fim,
Do não e do sim;
Tem a tristeza e a alegria,
A vida tem prazo de garantia.
Não fique aí com cara de tacho,
Esperando o acontecer,
Na base do eu acho,
Que tudo vai melhorar,
Sem a labuta enfrentar.
Tudo tem sua vez,
O primeiro beijo,
A primeira transa sexual,
E é você quem faz
Ser divina sensacional;
Tem a vez do amar,
E também a do odiar.
Tudo tem sua vez,
A do sofrer e a do prazer,
Depois do pôr-do-sol,
Vem o alvorecer.
Tem o choro e o sorriso,
Cada um com sua vez,
Como no sinal do aviso.
A flor perfuma o ar,
Tem sua hora de murchar,
O produto do consumir,
Se torna lixo do poluir.
Só os deuses são imortais,
Tudo tem sua vez,
A esperança da mudança,
O plantar e o colher;
As sementes que caem no chão
São espíritos dos ancestrais,
No sentimento e na razão.
É o ciclo da vida,
Se há entrada, existe saída,
Na corrida do ter e do ser,
Tudo tem sua vez,
Do primeiro cavalo selado,
Não pegue a estação errada,
Para não entrar numa furada.
Tudo tem sua vez,
O mar revolto e a calmaria,
O acidente na rodovia,
Um dia é da caça,
O outro é do caçador,
Não existe vencer sem dor.











