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:: 31/dez/2025 . 20:47

ÁRVORE FRONDOSA

Em 2026 continue sendo como uma árvore frondosa que, além de oferecer sombra contra o sol escaldante, produz frutos para alimentar as pessoas. Muitas vezes, nem todos são sadios por causa das pragas. É só saber separar os bons dos ruins, mas o que importa mesmo é dar frutos do bem. Sejamos, então como uma árvore frondosa, principalmente neste mundo tão conturbado e difícil de se viver. Vamos cuidar da nossa árvore.   Nela, as aves fazem seus ninhos  e se abrigam, inclusive de possíveis predadores. Que neste 2026 sejamos árvores frondosas, para acolher a todos estradeiros e rancheiros da vida.

A FOLINHA DE ARRANCAR O DIA

(Chico Ribeiro Neto)

Começo a pensar no calendário da infância, quando mamãe Cleonice, logo de manhã cedo, arrancava todo dia o dia anterior, na folhinha do Sagrado Coração de Jesus, vendida pela Editora Vozes. A folhinha, que existe desde 1940, traz o calendário anual que é encaixado na parte inferior da estampa.

Mais tarde, passei a gostar de ler aquelas pequenas folhas soltas onde, não sei como, cabia tanta coisa escrita na frente e atrás: um trecho do Evangelho, o santo do dia, fases da lua, frases célebres e como tirar mancha de caju da roupa.

Aquilo, sim, é que era calendário, pois o dia era arrancado um a um. Faz bem arrancar o dia de ontem e jogar fora. Hoje, a gente recebe calendários onde cabem até 3 meses numa só página, quando não é o ano todo, Nos últimos tempos, compro todo ano a folhinha do Coração de Jesus.

“Seu Chico, o senhor tem folhinha?”

Qual não era a satisfação de meu avô ao pegar na gaveta aquela folhinha da sua loja em Ipiaú, a Casa São Roque, e o freguês exclamar ohs! diante dos cachorrinhos, crianças e cascatas. As folhinhas são bonitas certamente para tornar os dias mais amenos.

A folhinha caiu de moda. Saiu até da sala pra cozinha. Eu me lembro que se brigava por folhinha: “Seu Manoel, olha lá, hein? Pode guardar a minha que venho buscar segunda-feira. Não posso ficar esse ano sem folhinha”.

Casa com cinco quartos tinha uma folhinha em cada um. A mais bonita ficava pra sala e as que sobravam iam pro corredor ou cozinha.

Já um pouco mais crescido, passei a notar que nas folhinhas do quarto da minha tia beata só tinha santo, enquanto as da barbearia só tinha mulher boa. Barbearia, casa de peças e borracharia são lugares danados pra ter calendário de mulher nua e fazendo propaganda de amortecedor ou de pneu. Já vi uma barbearia onde setembro era mulher boa e outubro era um girassol. Outubro chegou, já era dia 15, mas a folhinha continuava em setembro, pra não virar a página.

Os calendários – ou folhinhas, nome gostoso e cheio de lembranças – também servem para marcar os dias perigosos das mulheres, os dias férteis, a famosa tabela. Aquele pequeno círculo em volta dos dias já diz tudo.

Folhinha velha não podia continuar na parede nem um dia a mais. Folhinha nova dava azar se colocada antes de primeiro de janeiro.

Dia após dia, todos iguais. A folhinha traz um pouco de poesia para o cotidiano. Nesse ano-novo, que você receba uma folhinha de cachorrinhos, crianças e cascatas.

(Crônica publicada no jornal A Tarde em 19/12/90)

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

 

 

 

TUDO TEM SUA VEZ

Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Deixe a inspiração fluir,

Para nascer a poesia,

Espere a maré baixar,

Para fazer a travessia.

 

Tem a vez do nascer e crescer,

Do aprender e do saber,

Trabalhar e do curtir,

Do ganhar e do perder,

O tempo da velhice:

Foi o sábio que assim disse.

 

Tudo tem sua vez,

Do início e do fim,

Do não e do sim;

Tem a tristeza e a alegria,

A vida tem prazo de garantia.

 

Não fique aí com cara de tacho,

Esperando o acontecer,

Na base do eu acho,

Que tudo vai melhorar,

Sem a labuta enfrentar.

 

Tudo tem sua vez,

O primeiro beijo,

A primeira transa sexual,

E é você quem faz

Ser divina sensacional;

Tem a vez do amar,

E também a do odiar.

 

Tudo tem sua vez,

A do sofrer e a do prazer,

Depois do pôr-do-sol,

Vem o alvorecer.

 

Tem o choro e o sorriso,

Cada um com sua vez,

Como no sinal do aviso.

 

A flor perfuma o ar,

Tem sua hora de murchar,

O produto do consumir,

Se torna lixo do poluir.

 

Só os deuses são imortais,

Tudo tem sua vez,

A esperança da mudança,

O plantar e o colher;

As sementes que caem no chão

São espíritos dos ancestrais,

No sentimento e na razão.

 

É o ciclo da vida,

Se há entrada, existe saída,

Na corrida do ter e do ser,

Tudo tem sua vez,

Do primeiro cavalo selado,

Não pegue a estação errada,

Para não entrar numa furada.

 

Tudo tem sua vez,

O mar revolto e a calmaria,

O acidente na rodovia,

Um dia é da caça,

O outro é do caçador,

Não existe vencer sem dor.





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