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:: 22/dez/2025 . 23:06

TUDO TEM A SUA VEZ

Só os deuses em sua plenitude religiosa de cada um deles, venerados e adorados desde os primórdios das civilizações tribais, podem ser considerados imortais. Eles estão em nossas memórias originárias dos ancestrais. No mais, na vida terrena, religiosa ou profana, tudo tem sua vez de glória, fracasso e fim. O poeta cancioneiro disse certa vez que o amor é eterno enquanto existe.

O planeta e o ser humano vivem numa evolução constante de mudanças, de vez em vez, passo a passo. O presente logo se torna em passado para se construir o futuro do amanhã que fica velho e vem outro amanhecer. É a metamorfose ambulante, como pontuou para nós o poeta das profecias. O sofrer e o prazer, o choro e o sorriso, a derrota e a vitória, têm, cada um, a sua vez.

Tudo na vida tem sua vez de ser, como a criança que nasce, cresce e tem seu tempo de brincar, estudar e trabalhar. Depois amadurece e não é mais o mesmo de antes. Sua graça se volta à corrida pela sobrevivência. Seu pensar é se multiplicar na corrida do ter e do ser. Não é o Ano Novo que lhe renova. Pelo contrário, ele lhe convida para você se preparar para sua vez.

A velhice é como o pôr-do-sol anunciando a noite, não importa se em dia nublado, céu claro ou de nuvens carregadas com prenúncio de temporais e tempestades. Depois do mar revolto, vem a calmaria. Será que falo coisa sem coisa? Faz parte da nossa imaginação. O sonho pode se evaporar, ou ter sua vez de se realizar.

Essa vez de cada vez acontece nos planos material e espiritual. É a sua vez de pegar o cavalo selado, ou sua vez de encontrar um amor, que lá na frente pode se torna em separação, ódio e rancor. É sua vez de declamar sua poesia, de participar do jogo, de externar seu pensar, de entrar em cena e dela sair. É sua vez de respeitar o outro e ouvir o que ele tem a lhe dizer.

Veja o lixo e a flor. O primeiro já foi produto e bem de valor, ou alimento, que se torna em resto de entulhos jogados fora, que emporcalha a natureza, que se revolta e provoca tragédias de morte. O petróleo e outros metais se transformam em gases tóxicos que aquecem a terra. Mesmo assim, o lixo não deixa de ter sua importância quando é usado como adubo para fertilizar o solo.

A flor tem a sua vez de alegrar, criar momentos de felicidade, bombear seu coração de esperanças e fé, mas não tarda a murchar e a se tornar em lixo, que reciclado em sua vez, servirá de alimento para o renascer de uma outra flor. É o ciclo da vida.

Ela tem sua vez nos casamentos, como prova de paixão, nos aniversários, para decorar mesas em ceias festivas e em encontros de chefes poderosos. No Dia de Finados, lá está ela para homenagear os mortos, ou em ocasiões onde famosos ou grupos de etnias diferentes são vítimas de assassinatos trágicos. Depois de murchas são incineradas ou se acabam em lixo.

Existe aquele ditado que diz, sempre existe a primeira vez, como o primeiro namoro, o primeiro beijo e a primeira relação sexual, muitas das quais ficam inesquecíveis ou perturbadoras nas mentes, que também têm suas vezes de escolhas no mundo das ideologias.

Tudo tem sua vez, mas não fique aí esperando o acontecer. Faça a sua vez porque outro está de olho em sua vez para passar a rasteira. Você transa a vida toda com a cruel competição para depois ficar cansado e se ir, no momento da sua vez.  O segredo é não pegar ou descer na estação errada. Preste bem atenção nos letreiros, nos avisos e nos comunicados.

Tudo tem a sua vez e essa é a máxima filosófica natural, desde a criação. A simplicidade é a mãe da virtude para o encontro da sua vez. A inspiração tem a sua vez de fazer nascer a poesia. Espere a maré baixar para fazer sua travessia. Não são apenas os fortes, os fracos também têm a sua vez, como um dia é da caça e o outro é do caçador. Quem faz o mal, aqui se paga. Não se apoquente e nem se vanglorie. Não seja prepotente porque tudo tem sua vez.

COMO SERIA O BRASIL DE HOJE SEM O GOLPE CIVIL- MILITAR DE 1964?

Várias vezes me pego imaginando como seria o Brasil de hoje se não tivesse ocorrido o golpe civil-militar de 1964. Muitas pessoas já devem também ter feito essa suposição. O assunto renderia um livro ou um filme imaginário de ficção dentro do realismo-fantástico a partir da existência de um contragolpe. Neste final de semana, meu amigo Dal Farias levantou esta questão.

Difícil de responder porque muitas coisas poderiam ter acontecido no decorrer do processo de implantação das reformas de base propostas pelo então presidente João Goulart no início dos anos 60 com a renúncia de Jânio Quadros, em agosto de 1961. São mais de 61 anos e de lá para cá, a desigualdade, a pobreza e a exclusão só aumentaram, talvez em maior proporção ao crescimento populacional.

Quando fazemos esta pergunta temos que nos reportar aos anos de 1954 quando Getúlio Vargas se suicidou e os milicos ensaiaram o primeiro golpe naquele imbróglio de Café Filho, mas foi impedido pelo general Lott que optou em se posicionar ao lado da legalidade.

Tentaram até não dar posse ao eleito Juscelino Kubistchek, mas tiveram que se recolher em suas casernas, apesar de não terem desistido da ideia. A mesma coisa ocorreu com Jango, em 1961, impedidos pela campanha da legalidade de Leonel Brizola. A frustração deles serviu para alimentar mais ainda a vingança, concretizada em 1964.

Bem, a indagação é como seria o Brasil de hoje se não tivesse existido o golpe de 64. Em minha modesta opinião de observador, tenho certeza que teríamos um pais bem melhor, mais igualitário, mais educado, de maior conscientização política e mais conhecimento e saber, tanto nas zonas urbana como rural, inclusive com a implementação da reforma agrária, que nunca foi feita.

Pelos meados dos anos 50 e até início dos 60 estávamos no caminho certo da educação e se respirava cultura, principalmente entre aquela nova geração, inspirada nos movimentos socialistas da Rússia, China e Cuba. Creio, no entanto, que não seríamos um país comunista na América Latina, como propagava o Ocidente através do Estados Unidos.

Naquela época da guerra fria, o pior inimigo era o comunismo da União Soviética (até hoje ainda é visto como vilão pela extrema), mas o Brasil não era um marxista convicto. Boa ala das forças armadas, inclusive soldados e oficiais, como nos movimentos tenentistas da década de 20, aderiam às reformas de base e às mudanças sociais propostas, mas não eram comunistas marxista-leninistas, com raras exceções.

O BRASIL É MAIS DE DIREITA OU DE ESQUERDA?

Isso responde a uma outra pergunta: O Brasil é mais de direita ou de esquerda? Mais uma vez, no meu entendimento, o pêndulo sempre esteve mais para o lado da direita e centro. Pela sua tradição cultural, inclusive religiosa católica e mais ainda evangélica, a família brasileira sempre foi conservadora moderada, não tanto extremista de direita como atualmente.

Interessante que foi a Igreja Católica, naqueles anos, que despertou nos jovens e trabalhadores em geral, principalmente, a participação nos movimentos sociais através da criação de grupos de ações populares, como JEC, JUC, JOC, JAC e tantos outros, inclusive no meio rural com os camponeses.

Aquela geração se engajou na defesa social visando conscientizar politicamente o povo do seu direito à justiça e à dignidade humana, com vistas a combater as desigualdades e contra a exploração do capital, especialmente das multinacionais. No fundo pregava-se a luta de classe e o povo no poder. Durante a ditadura, a bandeira principal era a volta da democracia.

Foi esta mesma Igreja, ávida por mudanças e na defesa dos pobres, a classe média dita burguesa e as elites oligarcas, que nunca aceitaram a distribuição de renda, que juntas se uniram para apoiar o golpe-civil-militar de 1964, sob o argumento de que o país estava à beira de uma ditadura comunista. Essa ideia foi amplamente bem trabalhada e divulgada pela CIA (Serviço de Inteligência) dos Estados Unidos, com a integração dos conservadores.

Sem contar a incoerência da Igreja Católica, que recuou e abriu mão de suas mobilizações sociais, a base da nossa formação familiar sempre foi de direita, tanto que tivemos aquelas megas manifestações de ruas, com os slogans de família, pátria e tradição.

Esses personagens, inclusive a imprensa, pediam também uma intervenção militar porque temiam que as reformas de base fariam do Brasil um país comunista. A história se repete e de forma mais aguda e agressiva, sem bem que os autores são diferentes. São esqueletos que há muito tempo estavam mofando nos armários.

O golpe de 1964 poderia ter sido evitado, não fossem as dúvidas, o medo ou covardia de Jango, que teve a possibilidade de abortar por ar a operação desastrada do general Olímpio Mourão, em 31 de março. Por sua vez, deveria ter permanecido em Brasília mobilizando comandantes que se colocaram a ser serviço.

Muito contribuiu também nesse processo de rendição, a falta de organização das esquerdas entre moderados e radicais, que pressionaram o presidente, até com ultimatos. Outros fatores entraram em cena, mas acredito que se o roteiro fosse outro, hoje o Brasil seria bem melhor, e não essa bandalheira de bandidos corruptos, fascistas extremistas e um Congresso Nacional que é o pior de toda história brasileira.





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