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:: 16/dez/2025 . 23:59

NO PAÍS DAS DOAÇÕES

Não que seja contra a dar algo de material às pessoas mais carentes ou um prato de comida a quem está passando fome. Não é isso, mas essa “febre” de doações, onde o Brasil se tornou no país do dar, no sentido assistencialista, não significa inclusão social, ou ascensão de classe de quem vive na miséria.

Pode-se dar o nome de caridade ou solidariedade para com o próximo, atitude que, culturalmente, tem um toque de religiosidade. Existe aquele tipo de doação momentânea que ocorre em determinadas circunstâncias, como em casos de tragédias quando vítimas perdem seus bens e o de época, como final de ano, nas costumeiras campanhas de Natal.

Neste período se ouve muito o “faça uma pessoa feliz”, dando um brinquedo para uma criança, ou alguns itens alimentícios para a ceia da noite. Quem recebe sente aquela sensação de felicidade, só que passageira, porque depois o beneficiado vai continuar se sentindo um lixo excluído socialmente.

É como um sonho não realizado. O verdadeiro seria mesmo viver num país igualitário, com oportunidades para todos, onde não mais existissem essas filmagens de campanhas de doações. Não mais essa nossa gente sendo usada para muitos pousarem de bondosos e caridosos.

Me desculpem, mas existe muita filosofia barata no que diz respeito a ser feliz nesses bordões característicos das campanhas de doações. Nem todos, mas muitos dão alguma coisa para ficar bem na fita, ou na imagem, e outros como se fosse uma remissão dos seus “pecados” durante o ano.

Nossa sociedade é muito hipócrita e podre, do tipo que morde e depois assopra. Com seu egoísmo, de cultura burguesa-capitalista, ela mesmo é criadora da pobreza e da miséria e, consequentemente, da violência gerada pelo banditismo. A maioria acha que “bandido bom é bandido morto” e nem tem consciência que foi o próprio sistema que o apoia quem criou o “monstro”. São benfeitores e algozes ao mesmo tempo.

Dar um objeto ou uma cesta básica por ano não custa muito e serve para se dizer que se sente “feliz” em fazer o bem a alguém necessitado, marginalizado e excluído da sociedade. No entanto, rejeita qualquer política pública de distribuição de renda. A maioria não quer ver o pobre crescer e entrar como cidadão no mesmo ambiente que ele frequenta.

Então, inconscientemente, neste país do se dar, expressa o desejo de que a pobreza jamais se acabe, senão não haverá mais aquele momento de “felicidade” no ato da doação e ganhar um lote no reino dos céus. Estou salvo por ter feito a minha parte – assim pensam muitos quando atendem ao apelo da doação.

Desde quando me entendo por gente, as “esmolas” só crescem e, junto com elas, aumenta cada vez mais a pobreza e a ignorância. Nossos governantes, nos últimos tempos, gastam muito mais com a política do dar, do que com a política da inclusão do ensinar pegar o peixe.

Instituições, organizações, entidades e corporações sempre estão nessa linha de frente das doações em datas festivas, principalmente em final de ano, para fazerem suas médias e até mesmo mascararem suas imagens de “caridosos”, quando, na verdade, são o tempo todo excludentes, discriminatórias e punitivas contra os próprios pobres. São ações e comportamentos paradoxais e contraditórios.





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