:: 15/dez/2025 . 22:59
A ESQUERDA ESTÁ SENDO ENGOLIDA PELO VELHO DISCURSO DE SEMPRE
A manifestação em Vitória da Conquista, realizada no último domingo, na Feirinha do Bairro Brasil, contra a bandidagem dos deputados da Câmara foi uma total decepção, com pouco mais de 100 pessoas, sem contar os velhos discursos desafinados, xingamentos, intolerância e ódio. São aquelas mesmas pessoas o tempo todo falando de Bolsonaro com aqueles bordões batidos. “Falem mal de mim, mas falem”.
Esses protestos em Conquista estão ficando cada vez mais vazios, carecendo de uma maior organização e estrutura. Cadê as participações das militâncias dos principais partidos políticos de esquerda, a presença dos deputados estadual e federal, dos estudantes, dos movimentos sociais através de suas associações e sindicatos, dos professores e da massa em geral? Muitos preferem ficar fazendo suas elucubrações filosóficas e passando mensagens na internet.
O único pronunciamento equilibrado foi o do Dr, Ruy Medeiros que, indiretamente, mandou um recado para as esquerdas, muitos dos quais conluiados com as elites da extrema direita e fazendo acordos que só servem aos seus interesses particulares. São alianças com o diabo.
Ele focou na questão das mudanças de atitudes, no sentido de se colocar novamente o povo nas ruas, fazendo uma analogia aos tempos do samba, do pandeiro e do tamborim. Com isso, Medeiros quis chamar a atenção para a necessidade de se voltar a trabalhar as bases populares, e que não basta ficar passando mensagens e textos nas redes sociais.
Durante sua fala, Ruy Medeiros centrou fogo contra o Congresso Nacional onde seus membros prestam um desserviço nojento ao Brasil, com projetos que visam blindar a bandidagem em conluio com as organizações criminosas. Praticamente não se referiu ao Bolsonaro que está preso por liderar uma tentativa de golpe de Estado e disse desejar a volta do samba, do pandeiro e do tamborim.
Sem contar a pouca participação dos conquistenses no protesto contra o parlamento federal, numa cidade de cerca de 400 mil habitantes, os discursos dos mesmos continuam arcaicos e até desencontrados que, ao invés de somar, desagrega. São falas que a população está cansada de ouvir, sem considerar que se colocam no mesmo nível do outro lado da extrema.
O que mais se ouviu foi sobre a prisão do ex-presidente capitão, de que ele está recolhido numa sala confortável, do tipo suíte, com direito a “mordomias”, quando deveria estar numa cadeia comum. Ora, essas pessoas, por propósito de querer enganar os outros, ou desinformação mesmo, esquecem que se trata de uma prisão distinta pela sua condição como “autoridade”, e isso está na lei. Lula quando foi detido também recebeu o mesmo tratamento.
Com esses velhos discursos de uma militância que precisa mudar sua linguagem e suas atitudes, saindo da teoria para a prática, de modo a atrair as bases, as esquerdas estão sendo engolidas pela extrema direita. Precisamos restaurar a Aliança Nacional Libertadora (ALN), instalada no Rio de Janeiro, em 1935.
Com intolerância e ódio vamos nos nivelar ao outro lado, sem citar aquela gente dos longos textos filosóficos e marxistas que não surtem mais efeitos, principalmente entre o povo que não acredita mais na política e considera todos como “farinha do mesmo saco”. Enquanto se falava dos ladrões do Congresso, ouvi de um transeunte de que “Lula também é ladrão”.
Ruy Medeiros fez duras críticas à Câmara Federal, ao Senado, às assembleias estaduais e às câmaras de vereadores, que se fecharam em si, com suas bancadas aliadas ao sistema capitalista do agronegócio, à turma da bala, do setor financeiro, do fanatismo evangélico e das quadrilhas organizadas das bandidagens.
As eleições estão se aproximando e essa esquerda precisa urgentemente mudar de postura, no discurso e nas atitudes. Temos que voltar às ruas através de suas mobilizações populares, com uma nova roupagem e linguagem, bem como, apresentar seus projetos, se é que existem, para que a população volte a acreditar num Brasil melhor, honesto, ético e unido.
Caso contrário, com esse discurso arcaico e mofo, distante do povo, as esquerdas serão engolidas por essa extrema direita conservadora de fanáticos, que nada têm de patriotas como alardeiam aos quatro ventos. Precisamos de lideranças que unam a nação e não de discursos que só desagregam.
Infelizmente, temos hoje um Brasil dividido, inclusive entre as instituições, caso do Supremo Tribunal Federal (STF). Para sermos realistas, existem políticos e personalidades da esquerda com desvios de condutas (o pau que se dá em Francisco, também se dá em Chico) onde a extrema se aproveita disso para ganhar mais espaço e ocupar o poder.
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